uma play list com “vu” oscilante, balançante e dependendo do modo de usar, tranquilizante. o bamba da crítica musical tárik de souza não se segura na mesa e comenta texto da cordabamba!
a playlist deste primeiro domingo de março começa na maciota, ella cantando tom, a paisagem inútil, a inútil paisagem, acompanhada pelo piano sutil e lindoso de tommy flanagan, e depois vem uma grace jones que não ouvia tinha muito tempo,com ela cantando numa rara baixa frequência. e ainda o super tudo dan auerbach, o super tecno antes de muitos gary numan, o super maldito pero no mucho hugh cornwell e a super bacana fafá de belem.
depois é só mestres e mestras dos magos com walter franco, wilson das neves, santana, edwyn collins, reginaldo rossi, nino ferrer, mark murphy, eliana pittman, clara ward, stranglers, bárbara eugênia, ben e king, zezé motta, the main ingredient, dexys, roxy music, terry callier, hermes aquino, buddy miles, marcos valle, john martyn, tim bucley e bixo da seda.
pra tudo terminar com o victor jara e seu cigarrito! ufa! aproveitem, são duas horas de puro prazer garantidos. atenção: não devolvemos seu dinheiro.
*tem um cara nesta lista chamado john martyn, que até poucas semanas atrás, era para mim, um ilustre desconhecido que foi encontrado, descoberto e depois dissecado nestas buscas aleatórias de internet. o guitarrista tocou com lee scratch perry, phill collins e nick drake. e é considerado um dos criadores do trip hop. a música que está na playlist, some people are crazy é daquelas canções perfeitas, de um álbum perfeito chamado grace & danger, de 1980.
*e sim, se liguem no delicioso solo de guitarra de phil manzanera do roxy music em “if there is something”.
*e na letra de nowhere is home de dexys, aqui só a parte final, numa tradução meio rádio meio televisão daquelas piloto automático, mas nem tão longe da verdade.
Eu não sei oh, onde eu pertenço
Eu estive por todo este grande mundo
Eu nunca pensei que houvesse um lugar onde eu pudesse estar
Mas, é uma mentira, é uma mentira imunda
Nenhum lugar é um lar para mim
Nenhum lugar é um lar para mim
Nenhum lugar no campo
Não há vila ou cidade
Não é um sonho de casa de campo para mim
Não tem apelo para mim
Tenho que ser o que acredito que não posso ser
Qualquer outra pessoa
que eu só preciso seja eu mesmo
Pegue seu estereótipo irlandês e enfie na sua bunda
Não é o que eu quero para mim
Eu sou um ‘T’ mas essa merda não é para mim
E agora eu vou ser livre
Vamos lá
Todo mundo diz
Eu quero ser tudo, eu quero ser o homem dos meus sonhos
E eu não posso ser a porra de um estereótipo
Mas é solitário estar aqui e viver essa luta
Mas eu não vou desistir
Eu não vou ceder
Até eu me tornar livre
Até eu torne-se livre
a mensagem de tárik de souza:
Caraca cara!
Sabe que fui um dos fundadores do Baixo Leblon e depois do Baixo Gávea? Fechava minha coluna do JB no Luna Bar (aportava ás 2 da manhã para jantar e só saía com água de cortiça nos tornozelos, mesas para cima e o sol raiando), por onde passava toda a MPB e adjacências.
Notícias em prima mano, sem a intermediação dos aspones.
De Gonzaguinha e Sueli Costa a Monsieur Eg Gis, Wagner Tiso, Fagner, e Caetoso Veloso, que gravou “menina do anel de lua e estrela,
Conta pra mim, diz como eu te encontro
Mas deixa o destino, deixa ao Seu Castro
Quem sabe eu te encontro
De noite no Baixo
de seu batera e compositor, Vinicius Cantuária, com direito a citação de um garçon famoso na área. Aliás, circa anos 70, após um bronze nas Dunas de Gal, TODOS se encontravam de noite no Baixo….
Também fui muito no Diagonas (com Sérgio Sampaio, Chico Buarque e Alceu), que você crucifica, mas até mereceu poema meu publicado (“Diagonal de agonia”). E a Pizzaria Guanabara do horrendo Chico Recarey e pizzas cariocas, mas ambiente febril. Perdi uma paquera ali na disputa desigual com uma filhota do Vinicius. E o Galeto, dos garçons Juarez (que recebeu o nome em homenagem ao milico de direita, pleonasmo, Juarez Távora, que foi candidato a presidente contra o Jusça; ele tinha a maior vergonha do que os pais fizeram) e o sorrateiro e amigável Gatão (outro de que você não fala, já fora do perímetro, na Dias Ferreira, onde tudo começou). Ali, um amigo desenhista levava um líquido “preparado” que circulava na roda. Pó, numa embalagem de Sorine, que todos cafungavam na mesa, sem alarde.
Aliás, o cara que vendia maconha no Baixo era professor universitário. “Ol’ times”… O R.A., Real Astoria, onde debulhavam Cazuza, Lobão, Tavinho Paes e um monte.
Nunca fui muito no Jobi pelos motivos que você elenca: apertado demais e excesso de personalismo dos garçons, que obrigavam você a participar de um clubinho para ser atendido com alguma decência. Na Gávea, eu abria e fechava o Hipódromo, que durou 70 anos e já se foi.
Voltando ao Diagonas, foi lá que tudo começou a acabar para mim. Estava eu numa mesa com meu acompanhamento predileto, chope, steinhager e um bife na chapa puro, quando um bando de karatekas se aproximou. Para me sacanear, um deles pegou meu bife e jogou no chão. Chamei o garçon e avisei: olha esse eu não vou pagar. Deixei uma gruja, e piquei a mula para estarrecimento dos marombados, que pensavam estar iniciando uma briga fácil, dando uma surra num vivente de fora das academias. Dois ou três dias depois, alguém passou e deu uns tiros no muro do restaurante. Foi minha saideira.
Esse seu material da azulejaria dá um belo livro. Pense nisso. Arte popular personalíssima e intransferível (nada de exposições itinerantes, kkkk)
E viva o Bravo! Bravo!
Saudações Lupi-cínicas.
abração
Tárik
É isto turma. Na corda bamba devagarito no más vai ganhando novos e bacanudos apoiadores, da super bacana Leila Bourdokan, do super ninja Xavier de Oliveira e do super sopro e primo Marcelo Bruno. Quinta tem mais! Amor, paz, e tudo mais. E abaixo mais fotos de Carajás 94.




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