ela sai no domingo, mas hoje resolveu dar as caras no sábado
semana de chuva, sinais de fumaça, conexão discada, mensagens truncadas, abraços apertados, amizades, afetos, broncas, pilhas, engarrafamentos, viroses e um vai não vai, um entra por aqui e sai por ali, entre perry mason e c.b.strike, entre a cachaça e a sucarina e entre este remelexo todo, uma play list com pressa pra chegar e que chega fazendo como o gil fez em montreux em 78: pedindo benção pra oxalá. benção meu pai!

O disco do Gil ao vivo de 78 é um dos discos que mais ouvi na vida, o disco de chororô que eu ouvi no rádio do carro junto com meu pai numa oswaldo aranha engarrafada e o chororô que fez a nuvem passar e eu e meu pai rirmos, de alegria e de felicidade, porque chororô do gil é felicidade. o disco onde pepeu, mu, djalma e outros bambas quebram tudo, o disco que me levava de porto alegre pra bahia, pro rio, pro mississipi, que me levava pro mundo. até hoje. chororô vai aparecer numa playlist pai francisco em breve. hoje é chuck berry fields forever. Outro lance deste disco, é que as fotos da capa e do miolo são do forrest gump João Luiz DE Albuquerque. Nacorda engata a segunda com Djalma Corrêa que tava lá com gil, na música de seu álbum baiafro, que fazia parte de uma série de discos instrumentais feitos pela philips nos finalmente dos anos 70, quem ainda não ouviu, vai gostar. A temperatura sobe com Áfrika Bambaataa levando a matéria negra na velocidade da luz e com os B-52 transformando a matéria em lava e pedindo ajuda para os moços do pub do Dr.Feelgood, que pediram arrego e jogaram a peteca pra Yoko Ono, Peggy Lee e John Coltrane. Depois vem uma palhinha de algo que ainda pretendo fazer aqui: uma playlist só com gravações de Nanã de Moacir Santos, hoje com a hipnótica versão de Mário Telles, seguido pela sacolejante interpretação dos Ipanemas. Mudando a estação com Pluma, uma banda nova de São Paulo, que descobri nas páginas implacáveis da Célula Pop do cosmonauta Carlos Eduardo Lima; uma dobradinha de cabeças pensantes, Jerry Harrison, numa música que está na trilha de um filme do balaco, Something Wild, de Jonathan Demme. Pensem muito bem antes de falar que os anos 80 foram uma porcaria! E quem não gosta de Tom Tom Club, a banda da Tina Weymouth, baixista e musa talking head é, antes de qualquer coisa, um doente de tudo.

A brincadeira segue com Bronski Beat cantando Gershwin, com a Maria Bethânia fazendo a festa e com US-3 não deixando cair. Depois vem uma dobradinha que há muito queria fazer: Deep Purple com What´s goin´on Here e Rita Lee com Que Loucura. Na sequência vem Cidadão Instigado e outra canção pra lá de hipnótica: Pinball, de Brian Protheroe, que é de 73, mas eu só descobri agora e ja virou discoteca básica. Outra que também não conhecia e que já tá no trono é Amor em Jacumã do Lucas Santana que abre pra Tulipa, Thomas Dolby e Toots & Maytals, tudo começa com T e se você tem tudo a perder, perca com estilo juntinho com Style Council. Se você está no clube dos corações solitários, fique juntinho de Elvis Costello, mas, lembre-se, o amor sempre vem em paz, principalmente se quem convoca é Jards Macalé e João Donato. E aí tudo fica mais de levinho, no sempre lindo, lindo choro do Premeditando o Breque, na voz do Carlos Drummond de Andrade recitando seu pombo correiro e com tudo se acabando e se explodindo com os pequenos submarinos negros do Black Keys. Quinta tem mais. Aproveitem, escutem, dancem, chorem, pulem, etc, etc, etc
Na Corda Bamba agradece a dupla Guilherme Vasconcellos e Ademir Rodrigues, vulgos Gui Gui e Dedé, que gloriosamente seguraram na corda com amor.
No link abaixo, um artigo bacana sobre o disco do Gil em Montreux. https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2018/Qual-a-import%C3%A2ncia-do-show-de-Gilberto-Gil-em-Montreux-em-1978
E A PLAYLIST!!!!!!

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