na corda bamba em uma grande noite, em mil e uma noites de insônia, na dúvida entre ser ou não ser mal humorado ou mau-humorado e a playlist número 18 que está altamente rebolativa.

E finalmente, entre tantas madrugadas de insônia e pesadelos, uma grande noite, que não me resolve de nada, só o prazer on the rocks de ver o fariseu do power point ser cassado. as noites são de escapismo televisivo e os dias são de corre total. dos credores, dos pepinos, dos furdúncios e dos calundus, palavra nova que aprendi lendo o torto arado do itamar veira júnior. também passei a semana pensando na moça que pisou em cacos de vidro no curso “coach não é gente” de empreendedorismo. pensei nas estratégias de sobrevivência, na atitude que devemos ter pra navegar sem grandes sustos no meio desta selva selvagem. lembrei também das ligações perigosas, o livro do choderlos de laclos, quase um guia de como sobreviver na corte francesa do século 18. como sorrir, quando sorrir, pra quem sorrir, quem bajular, pra quem dar like, pra qual peruca fazer joinha, pra qual hypado mandar um aquele abraço, pra qual madame mandar um positive vibrations, tudo isto enquanto um vibrador talo grande de cheque especial cancelado tá pronto pra adentrar o seu forevis. ser ou não ser alto astral? ser ou não ser allan sieber, meu amigo que não se cansa de reclamar. já conversei muito com ele sobre isto, e ele sempre me convence que resmungar é o que deve ser feito. quando eu comecei este blog no dia dois de fevereiro, dia de festa no mar, eu quero ser o primeiro a saudar iemanjá, eu me prometi não transformar isto num resmungatório. mas tá difícil. me consola ler o lema da newsletter de arnaldo branco: reclamamos da vida porque gostar das coisas é coisa de jovem. só que a jogada aqui é um pouco mais confusa: eu gosto de reclamar. mas eu também gosto de ter esperança, fé e até de mandar joinhas e vibrações positivas. por isto sigo por aqui. o meu pix é fabpmaciel@gmail.com e não fazemos qualquer negócio.

lewis carrol dr reginaldo

também nesta semana fiz um post desabafo na grande rede que foi praticamente ignorado pelos meus pares. é desabafo, mas é também uma reflexão tardia, tardia não, uma reflexão rubinho barrichello atrasada pra caralho sobre como o novo mercado é muito mais perverso do que um sábado de ilusão, de como em pouquíssimo tempo estaremos todos, frilando e mascateando do mesmo modo que os bardos, menestréis e palhaços faziam nas feiras medievais. e se você não quer ser um oswaldo montenegro duralex sedilex na feira…o post dizia mais ou menos isto e me dei a pachorra de usar a rita lee como isca pra pescar leitores. mas nem isto. deus castiga:

rita lee rita lina take me back to piauí.a capivara da vizinha tá presa na gaiola. hoje não tem sopa na varanda da maria. quanto vale ou é por quilo? tocar na banda, pra ganhar o que? duas mariolas e um cigarro yolanda. e sim, se você recebeu uma mensagem minha pedindo dinheiro, fui eu mesmo. por aqui no facebook, no zap, no instagram e onde mais houver rede. quanto vale um streaming? um texto? uma palavra digitada ou traduzida? tá valendo alguma coisa? é mais do que um brigadeiro? sem desmerecer, muito pelo contrário, acho que vender textos tá mais ou menos na mesma faixa. na real, com o preço do leite condensado, o brigadeiro deve estar valendo mais do que alguns toques no teclado. camelô de sopa de letrinha. sem culpa ou questão. e a verdade é: quem não tá no mainstream, não tá na faixa, nem azul nem amarela, tá na vermelha de devendo os tubos. o futuro vai colocar os artistas, quase todos eles, no mesmo barco das feiras medievais. só que hoje elas acontecem por aqui, no linkedin, no rio2c, 3d, 5g. dia destes li um apelo do Anderson França pedindo ajuda pra uma causa que era pra lá de nobre. ele pedia 1 real. e tava osso. até eu que ando sem vintém, doei dois. e o anderson tem 140 mil seguidores.

ok, tá punk pra todos. mas é o que tenho por hora. batucar no teclado, postar e pedir. por enquanto, os textos são os meus brigadeiros. em breve estarei na esquina com o tabuleiro do preto e o tabuleiro do branco. quem sabe conjugando as duas atividades, eu salvo algum.

duas mariolas
e um cigarro yolanda

MAS…MAS… sigo firme e forte. preparando várias novidades aqui pra corda bamba, que a partir da semana que vem, terá 3 edições semanais. hoje temos playlist e domingo tem texto e playlist também! a corda agradece mesmo a chegada de marcelo costa e a força de vera gribel, minha amiga sissi a imperatriz do jardim botânico. por favor, quem já está por aqui, a hora é de agir: repliquem, compartilhem, apoiem, comuniquem, façam joinhas e mandem aquelas vibrações positivas. afinal de contas, eu sou otimista. não como o cândido, mas sou. PAZ!

UMA PLAYLIST ALTAMENTE REBOLATIVA

tetê espíndola foi a primeira unanimidade da minha adolescência. todos no prédio onde eu morava odiavam sua voz. os vizinhos imploravam pra que eu trocasse de disco e ficavam aliviados até quando a troca era pelo vol.4 do black sabbath. azar da vizinhança que não tinha a manha pra moça dos pássaros na garganta. tetê era o mato grosso,  o barulhinho bom da água correndo, som de cachoeira, viola caipira, música pantaneira. e também era, junto com a vânia bastos, cantora de discos e shows de arrigo barnabé, o que a transformava numa ponte super inusitada entre corumbá e a lira paulistana, entre os irmãos campos e manuel de barros, entre a dodecafonia e as sofridas guarânias. esta playlist abre pedindo benção pra ela, pra moça que desce o rio paraguai cantando as canções que já não se ouvem mais. a moça que mistura voz, violão e vibrafone de um jeito pra lá de lindo nesta paisagem pluvial.

pássaros na garganta desagradando o prédio inteiro, me fazendo feliz

o orlandivo falava muito do pedro sorongo mas tem coisas e gentes que possuem hora certa pra gente ouvir e descobrir. um dia o phillip johnstone, um cara que entende muito de música, e principalmente de música latina, um cara que toda terça-feira à noite coloca no ar o seu programa j pedra session no mixcloud, pois um dia ele mandou o som de um tal de pedro santos, um som que me chapou na hora, e o pedro santos era nada mais nada menos que o pedro sorongo, que lutou como pracinha da feb na Itália, que foi porteiro da rádio tupi, tocou com a orquestra tabajara, com jacob do bandolim, inventou diversos instrumentos e lançou um disco mucho louco em 1968, chamado krishnanda, um disco que assim como os pássaros na garganta da tetê, fala de florestas, de misticismo, macrobiótica, espiritualidade e outras paradas esotéricas. o disco de pedro sorongo hoje em dia é disputado nos sebos e virou cult por aqui e lá fora.

o círculo da vida de pedro sorongo

da floresta pro caribe via miami-ny-londres com funkapolitan, funkaço da banda inglesa produzida pelo kid creole august darnell e de lá para as areias escaldantes com najib al housh, que gravou este balaco poderoso nos anos 70. na líbia. segundo meu correspondente no oriente médio de laranjeiras, cheb luis marcelo mendes, como ele não babou ovo pro kadafi, que hoje se escreve gaddafi, passou um tempo em cana descansando. e da líbia vamos para o méxico lindo, para a babalônia, não escrevi errado é babalôbia mesmo, uma babilônia rebolante de ricardo marrero e na sequência chegamos em bora-bora com os paralamas do sucesso e no sertão de pernambuco com o quinteto violado, onde pegamos o bonde e o teco teco que cruza o cerrado e chega como uma barata tonta em belém com a tecnoguitarrada de pio lobato. ele devolve a bagaça pra recife, onde um sujeito chamado helder aragão, também conhecido como dj dolores aparece com cidade vazia e com um petardo chamado exú ciborgue.

balaco das arábias, ou habib funk, já que a indústria- e a imprensa- tem que criar um nome pra tudo
belém caribe com pio lobato
recife 19 de dj dolores

eu ainda não sei exatamente o que pensar sobre a música de marina sena, a moça com fama de desatinada em taiobeiras e de desvairada em montes claros. bobagem. o que vale é que esta pelejei é pra lá de interessante, no desafino, na dissonância e na base eletrônica que fica servindo de cama pra esta levadinha lânguida. cria fama e deita-te na cama, se possível com conteúdo, como canta caetano veloso em temporada de verão, disco com gal e gil, pós chegada de londres, em 73, 74, que recolocou lupicínio de volta nas paradas e que, segundo uns pesquisadores é um disco ao vivo de estúdio.

marina sena de primeira

um dia eu ainda quero conversar sobre as dezenas de discos que eu gastei de tanto ouvir que foram produzidos pelo carlos alberto sion. este da paraibana cátia de frança, de 1979 é tão bom, que eu coloquei logo duas faixas seguidas: vinte palavras girando ao redor do sol e djaniras, duas músicas e dois belos nomes de música.

cátia em 79, quando lançou 20 palavras ao redor do sol
cátia hoje, na bela foto de josé de holanda

Seguimos com uma descoberta que fiz no jpedra session, o groove mexicano de quantic & flowering inferno, e o groove caliente de robertinho de recife com gal costa nos vocais, merengue do disco e agora pra vocês… loucos suíngues tropicais. robertinho antecipava o que iria acontecer no norte-nordeste somente uns 20 anos depois. em 79, ele formava junto com pepeu, paulo rafael e armandinho o quarteto de ouro dos guitarristas brasileiros.  e pra seguir no clima latin lover, o grupo niche, de cali, na colômbia, depois se liguem no combo de don armando´s second avenue rhumba band, um filho de pai porto-riquenho e mãe colombiana nascido em nuevajorque, que antes de virar definitivamente um rumbeiro, trabalhou na vila sésamo e se formou em computação na universidade de columbia.  logo depois, billy preston viajando pelo espaço e os zafiros numa bossa cubana.

grupo niche como se vende
grupo niche como eles são
robertinho do recife, don armando e los zafiros merengues latinos de todos os tipos

mudando de estação e pra acalmar a parada, king crimson conversando com o vento, gene lawrence, caribe das ilhas britânicas, num lance meio psicodélico, meio brazuca.  na playlist da semana passada, coloquei uma música chamada fazon, de um pra mim desconhecido jonathan wilson. mando o mp3 pro carlos eduardo lima, que rebate na hora. conheço esta música! é deste grupo sopwith camel. corro pra pesquisar: sopwith camel era o nome de um avião inglês, um monomotor que foi usado pra jogar bombas na primeira guerra.  a banda fez algum sucesso nos anos 60, desapareceu e voltou em 73 com um disco cheio de personalidade própria. Quando ouvi pensei que fosse algo recente. e um cara do guardian em 2014, quando o disco foi relançado também achou a mesma coisa: “O que nunca deixa de me surpreender sobre este álbum é como parece que foi gravado cerca de uma semana atrás … Levando em conta elementos de FM schmaltz, rock progressivo, jazz, showtunes, Krautrock e música clássica indiana, este é um álbum que transborda de ideias, mas nunca sobrecarrega. o lance prossegue no psicosoul de undisputed truth, no miles davis tutuzado dos anos 80, que meus filhos se amarram (no meio de muitas tranqueiras), duran duran, pra seguir nos 80 e tim maia pra colocar tudo no seu devido lugar.

undisputed truth ativismo funk soul psicodélico

seguimos no sapatinho com aaron neville, na supernova banda amazonense luneta mágica, com um single lançado em 2022, caímos novamente no balanço com célia, e em outro balanço com o inclassificável baco exu do blues. volvemos novamente pro passado com o espetacular e ultra sampleado jacarandá de luiz bonfá, o piano cheio de floreios de galt macdermot, o autor das músicas de hair, seguido por um relaxante e viajante, traffic no auge da forma.

o kanie west da bahia e só o nome do disco já vale

antes de assistir lock, stock and two smoking barrels (jogos, trapaças e dois canos fumegantes), eu ganhei o cd com a trilha e why did you do it, do stretch, grudou na hora, super balaco (com cowbell, quem frequenta a corda, sabe o poder do cowbell) stretch é a senha pra super fodástica

dois canos fumegantes antes de um carequinha baixinho virar superstar

pull up the bumper, com grace Jones, sempre bem acompanhada pela dupla sly & robbie, pra outra super fodástica, sharon jones, que era sempre acompanhada pelos dap-kings, e pela super fodástica maria bethânia, que não tem acompanhante fixo, mas aqui canta a balada do lado sem luz do gil, e assim esta playlist comparece de alguma forma com todos os doces bárbaros. antes de fechar a tampa, beck, que pegou carona na tropicália e fez, no final dos anos 90, um disco bom para caramba chamado…mutations.

tetê espíndola fecha, porque quem abre a corda fecha a corda, cantando jaguadarte, um poema de lewis carrol traduzido pelos augusto de campos.

Salve tetê, salve carrol, salve augusto, haroldo, décio e todos os noigrandes.

O Jabberwocky”. Uma ilustração para o poema. Publicado pela primeira vez em “Through the Looking-Glass, and What Alice Found There”, 1871

jaguadarte de lewis carrol traduzido por augusto de campos

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!”

Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvora Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, ôlho de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta, e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

“Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Êle se ria jubileu.

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

LINKS! LINKS E MAIS LINKS!

calundu: https://brasilafrica.fflch.usp.br/taxonomy/term/285

sobre torto arado: http://www.letras.ufmg.br/literafro/resenhas/ficcao/1465-itamar-vieira-junior-torto-arado

não é cascata: a moça andou sobre cacos de vidro!: https://www.youtube.com/watch?v=17EaAjezIfY

ligações perigosas virou filme stephan frears, virou filme de milos forman e virou série, que não vi:

sobre pássaros na garganta na página do instituto musical brasileirohttps://immub.org/album/passaros-na-garganta

pedro sorongo na wikipedia:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Sorongo

e uma matéria bacanuda na trip: https://revistatrip.uol.com.br/trip/pedro-sorongo-santos

e o blog de pedro sorongo tocado por sua filha lys: http://pedrosorongo.blogspot.com/

o link para as j.pedras sessions fica sempre na página links bambas deste blog, mas segue aqui também:

ela me conta que era atriz e trabalhou no hair. teatro, cinema e hoje salve-se quem puder, vila madalena! https://www.dw.com/pt-br/1968-musical-hair-estreia-na-broadway/a-507286

o trailer de jogos, trapaças e dois canos fumegantes:

na wikipedia tem um quadro bem interessante, mesmo que você não saiba lhufas de nenhuma das línguas, comparando as traduções em quatro idiomas de jaguadarte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jaguadarte

lewis carrol também foi um pioneiro da fotografia. hoje, talvez fosse em cana: https://www.wikiart.org/en/lewis-carroll

e sobre as fotos das crianças e um pouco da verdadeira alice: https://vermelho.org.br/coluna/pontuando-alguns-misterios-da-vida-privada-de-lewis-carroll/

E A PLAY LIST!