quando eu tinha 20 anos e era criança pequena em barbacena-urca eu conversava muito com o lucio agra, que tinha 25 anos e era criança pequena em barbarcena-rio comprido. além de falar sobre música, nosso assunto favorito eram as poesias dos irmãos campos, do décio pignatari, dos concretistas e de quase todos os livros da editora perspectiva que a gente conseguia por as mãos. muitos eu só colocava as mãos e não lia. outros eu lia e terminava sem entender lhufas. o lucio não só lia e entendia tudo, como acabou, anos depois, escrevendo um livro que foi publicado pela editora perspectiva! olhando assim em retrospectiva, (sim, eu faço trocadilhos e rimas infames) acho que os deuses do planeta noigrandes -ou o destino, se acharem melhor- agiu certo ao implodir o ethiópia, grupo de rock onde o lucio tocava bateria e eu era o empresário, fato que levou o ilustre morador da rua japeri a se mudar para são paulo e virar um bamba da semiótica, dos estudos de comunicação de massa, cultura pop, consumo e performance. hoje lucio está na bahia, e sorte da rapaziada de cachoeira que estuda na universidade federal do recôncavo da bahia (uma das 18 universidades inauguradas por Lula) que pode ter mr.agra como professor. apertem os cintos, o papo é cabeça, até o marshall mcluhan entrou na jogada, e quando o nome do mcluhan é invocado, faça como o zeca e deixe a vida te levar. a edição 40 do na corda bamba é cabeça, tronco e membro, rádio, toca-disco e televisão.
Tchê Lucio, impossível não falarmos da rita lee… A gente marcou nosso encontro exatamente no dia da morte da Rita, eu tava ainda agora pensando sobre isto: a Rita Lee carimbou a nossa geração. Porque nós éramos o público do Tutti Frutti, das coisas que ela fazia. Desde o Atrás do Porto tem uma Cidade, do Fruto Proibido, de todos estes discos dela. Ela introduziu muito pioneiramente um olhar feminino de forma muito radical, não foi ela a única, mas foi ela a que alcançou uma dimensão midiática muito grande, marcando bem essa coisa desde a canção Menino Bonito, passando por Ovelha Negra, tudo no feminino, ela nunca deixou de falar disto e acho que muita gente vai falar desta face da mulher extraordinária que ela foi.
Mesmo quando ela ficou pop? Eu torci muito o nariz.
Mas a gente não conseguia deixar de gostar. E não tinha coragem de admitir que gostava. Era a Rita Lee que os pais da gente gostavam de cantar também. Tinha essa inversão maluca nos anos 70. Por exemplo, o Mitos e Lendas do Rei Artur, do Rick Wakeman, os meus pais gostavam de ouvir. Tinham os discos que traziam referências que os pais compreendiam e tinham aqueles que eles jamais ouviriam. Hoje, quem ouve Siouxie and the Banshees, por exemplo, são só pessoas da nossa idade. A Siouxie, aliás, continua fazendo coisas.


Falando em Siouxie, a gente se conheceu num contexto de rock anos 80, com o Ethiópia, um mundo dark gótico de lugares como o Crepúsculo de Cubatão e o Suburban Dreams. Você e o Nuno se tornaram nossos empresários.

Uma batalha perdida. Como muitas. Mas a pergunta é: O rock encaretou? O rock virou uma coisa conservadora? Eu tenho a impressão que um solo de guitarra não diz quase nada pra moçada de hoje. hoje Led Zeppelin é uma coisa clássica. Não tem dia que você não leia um comentário sobre a maestria de John Bonham, que em outras épocas era considerado um lousy drummer. Hoje a gente olha pra isto com o copidesque do tempo, o copidesque da história, como dizia o Haroldo de Campos, o olhar vai reconfigurando coisas do passado em outro sentido. O rock é o que cada época entendeu o que ele seria.O que era o rock nos anos 50, quando os brancos capturaram aquele modo de dançar que já existia entre os negros e o que é o rock depois, com os Beatles, com o rock sinfônico, progressivo, etc…Eu acho que em cada época até esse nome serviu pra muitas coisas. E ele designou durante muito tempo uma certa possibilidade musical que hoje já está profundamente assimilada, de assimilação de coisas difíceis. Você deve se lembrar que ouvir uma guitarra com distorção nos anos 70 era raro no Brasil, a partir dos anos 80 se tornou mais comum, foi entrando na música brasileira e hoje é banal, qualquer sertanejo tem um solo de guitarra distorcida. Foram assimilados como foram outras coisas da música popular. Hoje no Norte e aqui no Nordeste, as modalidades musicais mais estranhas, mais dissonantes, elas já entraram numa esfera de consumo de tal modo que isto reconfigura tudo.

Eu fico muito impressionado aqui na Bahia, como uma certa fatia do pagode, aquele genericamente de sacanagem, pornográfico, como eles usam coisas dissonantes, usam efeitos eletrônicos kraftwerkianos. Eu fui assistir um show de uma cantora daqui, a Sued Nunes, e um músico amigo meu que toca na banda fez uma introdução de Sex Object do Kraftwerk pra música que ela ia cantar. Encaixou. As novas gerações assimilaram esse negócio de pegar coisas de vários lugares e combinar elas. Por outro lado, você fica com a impressão de que tudo é meio igual, sem muita inventiva. Eu concordo muito com o Lívio Tragtenberg: precisa filtro. Você precisa ter um repertório pra saber selecionar o que é interessante. Dá uma certa melancolia de não ter gente inventando coisas novas, tem muita gente fazendo colagem, é o que rola hoje. Uma coisa DADA.

Mas apesar de um excesso de fofurice e de uma pegada languidez Lineker de ser e de viver, tem uma turma nova começando a fazer umas paradas bem interessantes. É uma montagística. Uma das invenções do século 20 foi esse negócio da montagem. De você fazer montagem de tudo, visão em simultaneidade como dizia o McLuhan, e hoje como você tem tudo à disposição, ficou muito mais fácil.

Se a Rita Lee carimbou a nossa geração, eu posso dizer que eu fui carimbado por Oswald de Andrade e pelos Irmãos Campos, e acho que você também foi, eu lembro da gente conversar sobre o Viva a Vaia. Os Irmãos Campos foram a minha grande descoberta, a descoberta de uma possibilidade de um pensamento e de realização de invenção. Ao contrário do que algumas pessoas comentam, os Irmãos Campos apareceram como abertura de veredas e não como de fechamento ou imposição de uma disciplina. Quando eu conheci a poesia concreta eu tinha em torno de 17 anos, com o acaso de um dia, indo à missa, olha que coisa engraçada, a minha família frequentava a Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Petrópolis, que é a igreja onde tem a Editora Vozes. E a Editora Vozes editava uma revista, e o Moacy Cirne, que foi um dos criadores do poema processo, fez um número especial sobre poesia concreta. E eu devia ter alguma coisa estranha, porque eu sempre me interessava por coisas tipo música concreta, cinema expressionista alemão, com 16 anos eu pedi pelo amor de deus pra minha mãe deixar eu ir sozinho pro Rio, pra assistir O Gabinete do Doutor Caligari. Mas voltando pra revista, eu devorei ela e eu percebi que a poesia concreta pertencia ao mundo da cultura de massas, da cultura pop, que foi aquilo que a gente absorveu com olhos, ouvidos, e de corpo inteiro a partir dos anos 60.

E ao contrário do que se pensa, os poetas concretos não foram hegemônicos. Depois do AI-5, muito do que eles defendiam foi posto na ilegalidade e os espaços pra eles também ficaram fechados. Augusto foi fazer textos pra coleção da música popular brasileira, da Abril, textos que são maravilhosos…ele até tinha como sobreviver, como advogado trabalhista, tinha emprego público…O Décio trabalhava com publicidade…

Eu já estava na faculdade quando comecei a ler os textos teóricos deles. Eu me lembro muito do livro A arte no horizonte do Provável, que é um modelo de várias coisas que eu tento fazer. Eu sempre acho que cada livro que eu tô fazendo tenta imitar o que o Haroldo fez no Arte no horizonte do improvável. No livro tem uns exemplos de poesia do Kandinsky, que ele traduziu, eu fiquei desbundado com aquilo. Eu tinha também o costume de comprar a Folha de São Paulo, no início dos anos 80, o JB tinha ficado mais pop…

Ele tinha virado um jornal pra quem ia no São Conrado Fashion Mall, pra quem se vestia na Richards e ia jantar no Guimas…Um jornal pasta de dente Crest. Veja bem, não recuso jantar no Guimas. Mas apesar de tudo isto, o Jornal do Brasil ainda era um jornal, o Globo ninguém conseguia levar à sério. E a Folha se levava muito a sério, como sempre. Mas nos anos 80 valia a pena. Hoje nem pra forrar caixa de mudança. Foi a época maravilhosa do pessoal da LIBELU na Folha, Matinas Suzuki, e aí, sim, os poetas concretos tiveram espaço, e começaram a lembrar dos outros, o Ronaldo Azeredo, o José Lino Grunevald, que de resto nunca tinham reivindicado coisa nenhuma…Mas de qualquer maneira, isso foi moldando tudo que me interessava, mudando minhas escolhas, e eu acabei fazendo o meu mestrado em Semiótica em São Paulo, tendo aula com o Décio e com o Haroldo… e todo mundo que eu fui encontrando, o Arlindo Machado, a Lucia Santaella, eu fui me formando com esta galera. Eu acho que como fã dos Campos, eu tô em boa companhia, porque o Torquato Neto também era e tem muita gente bacana que reconhece a importância disto. E tem também aquilo que o Glauber Rocha falava da mesquinharia brasileira, que se associa ao complexo de vira lata, ao que não é que não pode ser que não é. Tudo é muito contaminado por um pseudo intelectualismo que não admite coisas extraordinárias, que singularmente Oswald e os Campos fizeram, e outros também, foram algumas gerações brilhantes…eu me sinto bem devedor e bem pouco capaz de fazer algo à altura.

Eu descobri Mallarmé, John Donne, Cummings, os provençais, o Mario Faustino, e outros poetas, através dos Campos. O Mario Faustino tinha uma coluna no jornal, num momento em que havia no Brasil uma urgência de atualização. Então ele colocava estes escritores na coluna dele, que eram conhecidos por alguns poucos, e certamente, este círculo restrito se incomodava com a popularização destes nomes. Eu tô lembrando do Torquato falando: vocês preferem o Haroldo de Campos ou o Humberto de Campos?!!…
Tem uma entrevista do Décio Pignatari pra Veja, acho que no final dos anos 70, a manchete era: não existe nada pior do que o mau gosto da classe média O Décio no documentário do Pedro Vieira sobre o Rogério Duprat, ele fala que um dos legados da ditadura foi a impossibilidade de existir bom gosto, de existir qualidade. Tinha tudo ido pro saco. A ditadura fez um investimento numa redução de repertório. Numa banalização, no mau sentido, da experiência estética, uma degradação da experiência estética. Um padrão chinelão, uma coisa bem esculhambada. E isto a gente viu e vê ainda se repetindo com o bolsonarismo, que investiu claramente contra a educação, num projeto permanente de evitar que as pessoas tenham um verniz mínimo.
Mas o bolsonarismo faz de qualquer ministro da ditadura militar um príncipe da renascença…Nem vale gastar fogo nestes com estes ximangos…vamos voltar pro Oswald e pros Campos. Por mais que esta tradição tão nossa, de Emilinha ou Marlene, Chico ou Caetano, por mais que eu ache o Mário fundamental, o Oswald é imbatível. E é muito, mas muito mais divertido. Agora publicaram o Diário Confessional do Oswald, e tem um texto chamado Antropofagia ao alcance de todos, de 1930,em que já antecipa a defesa e o aprofundamento da antropofagia que ele vai fazer nos anos 40 e 50. Em plena militância marxista, em plena casaca de ferro da revolução operária, abandonando os negócios da família e ficando na merda, no meio disto tudo, ele já percebia que a antropofagia era a sua grande obra…Miramar e Serafim são obras primorosas e as peças são extraordinárias, mas onde a dimensão semiótica, filosófica e de pensamento se amplia, é na antropofagia. Os últimos anos dele foram terríveis, ele acreditava que tinha fracassado. E aí levou de 54, ano em que ele morreu, até 67, malgrado os esforços dos Irmãos Campos, para que ele fosse redescoberto. O Teatro Oficina e o Tropicalismo é que vão reconfigurar a importância do Oswald. Aí ele vai entrar nos anos 70 em um processo de canonização, e nos anos 80 tentaram reduzir Oswald aos estereótipos dele mesmo. Ele é um dos autores mais importantes pro momento que a gente está vivendo. De certo modo, tudo que ele falou no momento da antropofagia, tá reverberando agora, neste momento, nas circunstâncias deste capitalismo desmilinguido e ao mesmo tempo reacionário que a gente tá vivendo.

Zé Celso disse que hoje é mais violento que em 1967, e o Rafael Cardoso disse que se o Oswald vivesse hoje, iria deitar e rolar no twitter. Ele, pessoalmente podia ser excessivo, certamente era, mas há uma dívida muito grande nossa ao Oswald. É curioso, neste diário ele fala de Mallarmé e de muitos autores que os Campos falariam mais tarde.
Lucio, o que é o monstrutivismo??? Eu topei com esta expressão num texto que o Serge Lemoine fez para o catálogo da grande exposição dos trabalhos de Kurt Schwitters no Centro George Pompidou nos anos 90…Ele traduziu para o francês um texto alemão do Kurt Schwitters, que diz algo como Mein Merz und mein monstre Merz. Kurt Schwitters vinha do Dada. Mas ele era um pensador tão independente, que ele se associou à uma turma que queria fazer pontes entre diferentes movimentos. Uma ponte entre um movimento destrutivo, o Dada e outro construtivo, o construtivismo, numa época em que haviam diferentes grupos construtivistas. E quando ele se aproxima dos construtivistas, ele se aproxima de um jeito monstrutivista, que é um construtivismo capaz de exageros barrocos, de excessos. Quando eu topei com isto, eu comecei a pirar nesta história. Eu tinha ido pra Alemanha pra pesquisar um congresso que aconteceu em Weimar, veja o ano, em 1922. Um congresso dadaista-construtivista onde todos os bambas se reuniram. Não chegaram a nenhuma conclusão, mas isto proliferou em belas revistas. E eu comecei a pensar, que poderia pegar este caminho monstrutivista como chave pra compreender aquilo que se passou aqui no Brasil no final dos anos 60 e começo dos anos 70, sob o impacto do AI-5, pra entender o tropicalismo e o pós-tropicalismo.


Eu via muitas analogias entre as revistas alemãs e algumas das revistas alternativas, a Poesia em Greve, a Navilouca. A Navilouca é um exemplo clássico disto: você tem uma capa colorida, toda Mondrian, com um miolo completamente psicodélico. E eu fui cavando, cavando e encontrando as figuras que estavam mergulhadas até o pescoço nisto, uma delas era o Hélio Oiticica, que se conectava com o mundo do rock´n roll, das drogas, e ao mesmo tempo era alguém que tinha parâmetros de criação com Malevich, um construtivismo brutalista. Mais tarde eu descobri que Haroldo de Campos era muito amigo de Hélio e os dois discutiam muito sobre este tema. Nos filmes que o Ivan Cardoso fez sobre o Hélio, este tema aperece. A turma, Hélio, Ivan Cardoso, Wally Salomão, Torquato Neto, realizavam no começo dos anos 70, esta síntese que parecia impossível entre dois opostos, o monstrutivismo. Fizeram o que o Haroldo chamou de a síntese imprevista entre caos e ordem, o desregramento barroco (que o haroldo adorava) com a disciplina e a sobriedade construtivista.


O Hélio tinha um pé no neoconcretismo e outro no carnaval, na mangueira. Talvez um dos grandes trunfos do Tropicalismo foi acabar com esta barreira entre o que se convencionou chamar de alta e a baixa cultura. Mas o Caetano ainda falava em 67,68 de linha evolutiva… O Zuza Homem de Mello contava que a sigla MPB, incialmente ela se chamava música popular brasileira moderna, perdeu o m e ficou só mpb, a linha evolutiva era uma expressão que tava na moda, e acho que o Caetano usou taticamente, porque ele precisava demonstrar algo que era “monstrutivista”, como é que pode haver mais proximidade entre a guitarra e a bossa nova, do que entre a canção de protesto e a guitarra. Ele precisava fazer uma diferenciação neste processo e se filiar a um caminho que tinha iniciado na bossa nova. Por isto que o Augusto escreve o Balanço da Bossa, ele sacou o que ninguém tinha sacado. A Tropicália retomava um caminho experimental, que tinha sido abandonado em prol de uma canção de protesto feita pra festival. A gente não tem a dimensão disto hoje em dia, mas os festivais tinham caído numa fórmula, com estratégias musicais que todo mundo fazia pra ganhar o público. O que definia o sucesso de uma música era a reação do público naquele dia, era um tudo ou nada. Ou seja, era uma tensão tremenda. E o Sergio Ricardo percebeu já no meio de sua apresentação, que seria execrado, que ia ser posto pra escanteio. Mas esse momento, em que as coisas eram decididas no auditório da televisão, no começo dos anos 70, já tinha passado, a situação já é outra. E aí começa a grande batalha das pessoas que queriam tocar rock no brasil, incluindo aí até o Milton Nascimento, que queria cantar Beatles e não encontrava quem tocasse, ele falou isto. Começou esse processo de devoração antropofágica da informação externa, pra poder construir um modus operandi cultural criativo musical brasileiro. Num certo sentido, não tem mais esta linha evolutiva, esse sentido de caminhar sempre pra frente se perdeu.

Você estuda e realiza performances. A performance que sempre foi um ato trangressor, num determinado momento passou a ser ridicularizada – coisa de vagabundo- e surpreendentemente, foi adotada parcialmente por coachs do mundo coorporativo. O 8 de janeiro foi uma performance da direita? Muita gente pergunta se o 11 de setembro teria sido uma performance. Mas a performance não tem nada a ver com a morte, ou com o exercício de negação do que pode avançar. 11 de setembro e 8 de janeiro são o avesso da performance. Veja bem: tudo que se produz, tudo que se faz, tem um investimento do corpo e da presença. Portanto, tudo que aparece no mundo se relaciona de algum modo, mesmo o que é virtual, este nosso encontro, nós estamos presentes. Essa dimensão foi percebida pela antropologia nos anos 50 e nos anos 70 toda uma geração de artistas começou a fazer trabalhos com o corpo- depois até abandonam isto- a Marina Abramovic foi uma das poucas que não, mas durante algum tempo isto pareceu ser a única coisa possível a ser feita pra se contrapor ao sistema de mercado das obras de arte dos anos 70. O teatro e a dança que eram por excelência as artes da presença do corpo, começaram a questionar seus princípios…e pela antropologia você vai percebendo que há muitas civilizações em todas as épocas onde a presença do corpo não faz distinção entre o que é arte, o que é religião, tradição, os saberes ancestrais, isto não faz sentido em muitas culturas. Existem vários saberes artísticos e religiosos que não fazem distinção entre o mundo imanente e o mundo transcendente.

Quando uma pessoa como Judith Butler faz performance com questão de gênero, aí isto explode…existe uma construção da masculinidade, uma construção da feminilidade, e isto passa por uma performance, e como pouca gente se dispõe a estudar isto, há uma grande confusão entre performático e performance, tem um autor, o Paul Zumthor, que diz que mesmo quando você está lendo sentado num canto, o seu corpo está em performance…

Mas independente de época, há uma necessidade de espetáculo, de ritual. Veja a coroação do Charles… O ritual se parece com o espetáculo, mas o espetáculo é a contrafação do ritual. O espetáculo é justamente aquilo que se faz quando não se consegue alcançar o nível de essencialidade de um ritual. Um ritual é orgânico em qualquer cultura. Qualquer, qualquer, qualquer. Em qualquer parte do planeta se constroem rituais. O espetáculo não, é uma invenção da revolução industrial, a partir da qual se pode vender todas as coisas, e que hoje migrou pra intimidade de cada um. Todo mundo pode fazer um tik-tok, todo mundo pode fazer o seu espetaculinho particular. E vai acontecer, em breve, a entropia máxima, a gente não vai conseguir reconhecer o que é invenção. Ao mesmo tempo é um sintoma da necessidade que nós temos da ritualização do cotidiano. Porque não é possível você conseguir conviver em sociedade se você não ritualizar. Você tem que ter um mínimo de ordenação destas relações
A volta das festas de formatura, a nossa geração enterrou… As gerações não enterram, elas fazem desaparecer, mas as coisas voltam.
Eu, particularmente quero voltar, pra puxar o pé de muita gente! Lúcio Agra, aquele abraço e super obrigado!
E por hoje é só pessoal. a vida tá corrida, mas a previsão é de um período de tranquilidade e prosperidade. enquanto isto não acontece,vou finalizando as entrevistas já feitas com olivio petit, toco lenzi e denilson monteiro. muito em breve, mariana filgueiras, tatiana merlino e tadeu vilani.
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o meu amigo lucio agra tá na wikipedia, mas eu acho mais classudo colocar a ficha dele na FAPESP: https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/103856/lucio-jose-de-sa-leitao-agra/
uma outra entrevista, talvez até mais esclarecedora sobre o trabalho do lucio: https://performatus.com.br/entrevistas/entrevista-lucio-agra/
livros do lucio agra para comprar, ler e reler:
Monstrutivismo: reta e curva das vanguarda
https://www.pucsp.br/educ/livro?id=595
Rick Wakeman veio ao brasil em 76, eu acho. Eu lembro de ler na revista pop, do pôster gigante dele, com uma camisolão branco gigante até os pés…ele foi à Porto Alegre. Meu pai ficou impressionado que ele não tinha nem trinta anos e já tinha tido dois infartos. Eu ouvia o viagem ao centro da terra. Rei artur não encarei na época:

o disco do rei arthur
Siouxie
ethiópia e o mundo gótico carioca:
o gabinete do dr.caligari, filme completo com cartelas em português:
uma entrevista com décio pignatari em 2012
além do poema-processo, moacy cirne foi um pesquisador dos quadrinhos: https://www.lojamarsupial.com.br/moacy-cirne-o-genio-criativo-dos-quadrinhos
acho que isto já apareceu por aqui, mas não custa relembrar: o poema de Mário Faustino que Glauber Rocha usou na introdução de Terra em Transe: https://sarauparatodos.wordpress.com/2015/08/23/mario-faustino-e-glauber-rocha-terra-em-transe/
josé lino, o concretista carioca.
o site discos do brasil tem uma lista bem completa dos trabalhos de rogério duprat:
https://discografia.discosdobrasil.com.br/arranjador/rogerio-duprat
uma matéria sobre o diário confessional de Oswald de Andrade:
o rei da vela, a peça e o filme em um artigo pra lá de bom do carlos alberto de mattos:
sobre Kurt Schwitters, um artigo cascudo escrito por Fabiana Macchi, que também traduziu alguns poemas dele: https://sibila.com.br/poemas/kurt-schwitters-o-dadaista-que-era-merz/2790
um link pra baixar uma edição da navilouca!
a vaia de sérgio ricardo no festival: https://www.youtube.com/watch?v=bodRpC6rxdE
uma performance de marina abramovic: https://www.dailymotion.com/video/x855fa1
a direita bate periquita na porta do sesc pompeia contra a performance da americana judith butler:

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