Na semana em que a nojeira do Marco Temporal foi pro brejo, em que o Grêmio empatou com o Corinthians num jogo de 8 gols (era pra ter ganho), em que o Botafogo perdeu pro Corinthians e eu começo a me perguntar se aquele interino não teria sido a solução definitiva…Na semana de calor escaldante, de visita de mãe, de acertos, de ajustes, consertos, dois pra lá, dois pra cá, um passo adiante por favor, volte duas casas, fique uma rodada sem jogar, avance 4 casas rápido, não fique parado, a cuca vem pegar. Na semana sem lê com crê, a playlist 38 de NA CORDA BAMBA chega nas redes desejando à todos pelo menos 3 horinhas de desfrute por aqui. Bebam água, quem puder beba cerveja, quem não puder, beba cachaça mesmo que afinal de contas, santo só baixa com destilado!

Começamos a playlist 38 com uma saudação pra EXU, EXU GUERREIRO, que vem trazendo forças pra este terreiro, uma beleza de canto-batuque feito pela pernambucana Alessandra Leão que abre e fecha esta edição da corda. E quem não presta atenção nos dizeres do canto das Sete Encruzilhadas, acaba tendo que correr com o trem pagador. Remo Usai é o autor da trilha de um dos filmes mais perfeitos do cinema brasileiro. Tudo é bom em O Assalto ao Trem Pagador. A direção de Roberto Farias, a fotografia de Amleto Daissé, o roteiro do Barretão, os atores Eliezer Gomes, Reginaldo Farias, Jorge Dória, Ruth de Souza e Grande Otelo. O cartaz de Ziraldo. E a música do filme é, pra usar uma expressão da época, supimpa! Nos links, um pouco sobre Remo Usai.

Rare Earth era a banda branca de soul e R&B da Motown. Mas os cabruncos mandavam muito bem e fizeram sucesso com Get Ready, aqui, numa versão afasta as cadeiras e libera o salão com Ella Fitzgerald. Muita gente torce o nariz pro Stevie Wonder anos 80. Eu não, eu nunca. Tem que ser muito mané pra não perceber o baticum eletro-eletrônico que mr.Maravilha faz em Don´t Drive Drunk. Na sequência, David Holmes, um cara que sempre fez música eletrônica, de pista e eu nem sei como nominar, então vou colocar assim: é música anti-alok. Bruno Pernadas é um gajo que faz um som bem bacanudo e o seu disco tem o curioso nome de Those who throw objects at crocodiles will be asked to retrieve them. Quem mexe com cobra, quem pisa na cauda do tigre, cuidado! Ponto Br é um destes projetos coletivos que nos fazem pensar num futuro melhor. E se não, se não houver futuro ou salvação, teremos os cantos, que eles sabem guardar e tocar pra frente. E amanhã, no domingo meu filho (e os vizinhos) vão acordar ouvindo Santo Antônio meu avisou.


Eu devia ter uns 12 anos quando ouvi na casa de um amigo o primeiro disco do Wings, Wild Life. Ouvido do começo a o fim, várias vezes ao longo de uma tarde inteira. Enquanto ouvia, a capa era analisada, lida, decorada. E aquela capa trazia Paul McCartney, Linda McCartney, Denny Laine e Denny Seiwell. Eu pensava no fim dos Beatles e naqueles dois caras sortudos que podiam dizer que tocavam com o Paul McCartney e com 12 anos a gente ainda acredita nestas coisas. Os Wings duraram até o final da década, lançaram discos super legais, outros nem tanto, mas este primeiro é, pra usar uma expressão da época, TUDO MAGICLICK. A crítica em 71 achou o disco morno, o que mostra que nem sempre a crítica sabe o que faz…Quem sabe que faz é a turma do James Gang, quem sabe o que faz é o Oscar Brown Jr, o Van Dike Parks, os dois primeiros botado pra quebrar e o terceiro chegando pra misturar as estações. Palmeira é um achado spótifai. Uma banda brazuca tamanqueira dos países baixos, cantando uma versão de Telefone sucesso de Os Cariocas.

Avante com os Mutantes, com Joe Bataan saracoteando pelo subway de nuevajjiorque, com Criolo, B.Negão com a mensagem, o pensamento livre circulando, entre o caos e o terror, com Lenny Williams (dica do meu irmão das Laranjeiras, Luis Marcelo Mendes), com Chico Science & Nação Zumbi, Lafayette Gilchrist, Arnaldo Baptista, Jonathan Silva, Goma Laca e Lucas Santanna e a inglesa Sandie Shaw.

Wolfgang Dauner faz um som da pesada, mas seu disco tem uma das capas mais feias dos últimos tempos. Embalar bem o produto, é parte do negócio, já dizia…já dizia…não sei quem dizia…Feira Moderna com o Som Imaginário, Até a Lua, uma belezura, namorei a lua, mas não namorei você, com Tião Carvalho, Cat Power cantando Bob Dylan e os ponteiros do VU subindo e descendo com Lula Queiroga, Antibalas, Quantic, Dan Hicks, Mother Earth e Gilbert O´Sullivan (sim, ele também frequenta a Corda Bamba).

Uma versão so flute de The Sidewinder com Bobbi Humphrey, logo depois vem Robert Wyatt, Dom Salvador, o baculejo boca quente de Chinelo de Ouro e olha só que tá na área, The Police, Anelis Assumpção, The Chakachas e Izo Fitzroy.
Eu gosto demais de Izo Fitzroy!
Sandie Shaw no bis, Bob Dylan, Amaro Freitas, Cátia de França, Iraina Mancini num mix de Saint Ettiene (dica pedido pediu levou, peça e ofereça de Carlos Eduardo Lima) J Dilla e fechando a tampa novamente com Remo Usai e Alessandra Leão firmando o ponto.
Super obrigado pela chegada na corda de Sergio Moacir Marques, e eu lembrei de uma casa de sucos em Botafogo, onde a cada caixinha deixada por um cliente o cabra do caixa gritava CAIXINHA! e todos no balcão e atrás na cozinha gritavam em coro: OBRIGADOOOOOO! Pois eu sou o cabra do caixa, do balcão, da cozinha e da faxina. É tudo eu, é tudo nóis. PAZ! E se alguém quiser deixar uma caixinha, de qualquer valor, o pix é fabpmaciel@gmail.com ou, desça até lá embaixo e aperte nos botões vermelhos para assinar a corda.
a imagem da capa da edição 63 de Na Corda Bamba é de um desenho feito hoje de manhã pelo Vicente de Paula Maciel, meu pequeno pilantra banguela.
LINKS! LINKS! E MAIS LINKS!
o começo brilhante de O ASSALTO AO TREM PAGADOR
o cartaz de ziraldo para O ASSALTO AO TREM PAGADOR

sobre REMO USAI na Piauí:
https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-pioneiro/
Descubra e ouva! Ponto Br: http://ponto.mus.br/
o site de joe bataan:

E A PLAYLIST!:

Deixe um comentário