Faltam duas semanas pra 2024 e eu me sinto como um pangaré que chega estrebuchando nos cinquenta metros finais…Mais uma pernada, respira, outra pernada. Sem sonhos (não os sonhos da vida, os sonhos que rolam quando dormimos) e sem sono, a tv fica ligada na madrugada, hora que rola um filme alemão chamado Tudo por um Ponto, filme que conta a história de um pai à beira de um ataque de nervos, pai puto da vida e provavelmente também se sentindo um pangaré velho, sem paciência e sem limites. Um filme que discute o sistema educacional alemão, o capitalismo, o futuro e a falta dele, a jovem e a velha guarda e que no final das contas, trata mesmo é de amor de pai. E entre um pai surtado e sonado, eu ainda arranjei tempo pra ver um documentário sobre Elizabeth Holmes, uma trambiqueira de responsa, fundadora da Theranos, empresa que prometia ser a Apple da saúde, fazendo centenas de exames de sangue com apenas uma gotinha. A moça levantou milhões de dólares de centenas de investidores, formou um conselho de figurões (Kissinger era um deles) e mesmo com todas as evidências de que sua empresa era uma fraude, foi capa da Fortune e andava pra lá e pra cá faceirita palestrando como exemplo de empreendedorismo. Hoje ela tá puxando uma cana, mas ainda ganha tratamento condescendente da imprensa e certamente conta com a admiração dos faria limers de todas as farias limas do planeta. Não canso de me lembrar do Como a Picaretagem Conquistou o Mundo, livro profético de Francis Wheen, que já saiu por aqui tem tempo. Eu acrescentaria a psicopatia logo depois da picaretagem. Garçom, um bloody mary, que a edição 81 com a playlist 51 de Na Corda Bamba, está na rede.

Esta playlist começa cantando junto com Carlos Lyra, pedindo benção, pedindo graça. Lyra da bossa, do balanço, do Bôscoli, do Vinícius, do CPC, da astrologia, da Kate. Lyra muito obrigado!

Maciel Salu convoca os caboclos no terreiro, Marcelo D2 convoca o povo de fé e mostra que também se luta com uma canção, Saravá, Pé no Chão, cigarrinho na boca…Jimi Hendrix, que começo, que virada, que mudança de andamento, are you experienced, minha nega?


Ouça Parker’s mood e chore. E pense quanto boniteza cabe em apenas 3 minutos e 8 segundos de duração, nesta versão que foi remixada para o filme que Clint Eastwood, um devoto da igreja de Bird, fez para contar a vida de Charlie Parker. Adelante com Arthur Verocai, tudo de bom,
Grandes questões da humanidade ou o hard rock também tem seus momentos de Emilinha e Marlene: Ian Gillan ou David Coverdale? Um é mais low profile, outro mais arena. Na briga do ovo e da galinha, eu fico com os dois, Gillan no Machine Head e Coverdale no Burn, dois discos supimpas do Deep Purple.

Sully pra dar um choque de monstro.
Até hoje eu não sei se Grease é bom ou uma bomba. Na época eu fui no cinema escondido porque adolescente troncho tinha que esconder que gostava dos Bee Gees e de disco music. Só dava pra gostar do Deep Purple e do punk que já tava chegando. E Frankie Valli era o nome certo pra cantar a música tema. Junto com os Four Seasons, ele tinha atravessado os tempos da brilhantina e tinha estourado no meio dos anos 70 com who´s love, musicão pop com pé e mão na disco music. E o que Frankie Valli tem a ver com Charlie Parker? Nada, mas ambos tiveram suas vidas contadas por Clint Eastwood.

Grupo Rumo, aos antigos, disco pra ouvir até o fim dos dias babando em Lamartine:
Velhota que anda sem meia
Na praia toda inocente
Brincando com as crianças lá na areia
Vai pondo areia nos olhos da gente
Samba blues, blues samba, avante com Red Stick Ramblers, Évé (descoberta do passado), Criolo, Cake -eles querem uma garota com saia curta e casaco comprido) e Hyldon que quer seu patuá e se perder naquele corpo de mulher.
R&B, B&R com Rivage, Barbara Acklin, LaBelle e um dos melhores discos de 2023: Wanderléa cantando chorinhos com Hamilton de Holanda comandando os chorões.


Punk, pop, pop punk funk: Violent Femmes, The Clash, Beck, Patti Smith e Andrew Oldham Orchestra,
Punk, pop, country, pop bahia e jazz com Tina Dico, Johnny Cash, Maria de Fátima, Shuggie Otis e Pat Martino.
Mauricio Valladares é meu senhor e nada me faltará. Quando ele ler isto, provavelmente vai me mandar pastar, mas a parada é a seguinte: Valladão abriu o Ronca desta semana com Wings. Tô lá chapado, queixo caído babando no baixo e me perguntando que música é esta ?!? A música acaba e Maurício invoca a linha baixo ninja rickenbacker, volta com ela e segue na falation…Pra quem era de classe média e não podia comprar todos os discos, a coisa funcionava mais ou menos assim: eu tinha o Band on the Run. Uma vizinha tinha o Wild at Life. Meu primo tinha o At Speed of Sound. Um amigo me emprestou o Wings Over America, que era um álbum triplo, ao vivo. Na época não ouvi muito, só lembro de Jet…E nem reparei na maravilha que é Letting Go! Mas sei porque: porque ninguém da minha roda tinha o Venus and Mars, o álbum de onde saiu esta belezura. Portanto, um disco que nunca ouvi. Nem em 76 e nem em 2023. Então Letting Go em dose dupla, ao vivo e em estúdio. E com Denny Laine que também se foi por estes dias, na guitarra.

Gary Burton e Keith Jarrett, The Del-Vikings, Michael Jackson, Maciel Salu no bis, Sierra Ferrel (atenção na moça!) BaianaSystem tem que ter a mão na manha, Nina Hagen vai ao espaço com cosmic shiva e Os Paralamas do Sucesso em um instrumental do disco de estreia, Cinema Mudo.
Silvio César merece ser mais ouvido. Tanto os sambalanços da musidisc, como os discos dos anos 70. Se liguem no arranjo deste balaquinho de 77. Larry Coryell e Philip Catherine vieram pro primeiro Festival de Jazz de São Paulo, também em 77. Eu vi pela tv e nunca esqueci. Aqui a dupla em Berlim tocando Manhã de Carnaval.
Wanderléa merece bis.


Na curva para os últimos 100 metros: Novos Baianos, Frankie Valli (disco recente), João Bosco com música nova, Vinícius de Moraes com Baden Powell saudando Xangô nos Afrosambas e Trio Mocotó saudando os orixás e estas duas o Antonio cantou na escola neste final de ano e foi bonito demais de ver. Steve Miller Band faz uma música para nossos ancestrais e Carlos Lyra em dose dupla encerrando esta parada.
É isto turma. Chegando em dezembro com a água abaixo do pescoço! A corda agradece muito a chegada de Deise Iara Gomes. Quem quiser assinar Na Corda Bamba, é só descer e clicar nos botões vermelhos. Também pode fazer um pix pra chave fabpmaciel@gmail.com
Paz! Saravá!
A imagem da capa desta edição foi feita na obrigatória exposição DOS BRASIS, que está no Sesc Belenzinho em São Paulo. A placa é do artista baiano Augusto Leal.
LINKS! LINKS E MAIS LINKS!
psicopatia e empreendedorismo juntinhos e mixturados: https://www.hbomax.com/br/pt/feature/urn:hbo:feature:GXGWJ8wyZ-K2uAwEAAAAK
galeria de grandes trambiqueiros:
o homem que roubou portugal:
tudo por um ponto:
o trailer de jersey boys:
wanderléa cantando choro já tá no top ten 2023:
https://jakewildwood.blogspot.com/2021/03/1976-rickenbacker-4001-electric-bass.html
wings em 76:
a exposição DOS BRASIS, arte e pensamento negro, no SESC BELENZINHO: https://www.sescsp.org.br/exposicao-dos-brasis-arte-e-pensamento-negro/
rita lobo ensina como preparar um bloody mary:
https://panelinha.com.br/receita/bloody-mary
E A PLAYLIST!

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