A riqueza dos cinco homens mais ricos do mundo aumentou 114% desde 2020, enquanto que a de 5 bilhões de pessoas diminuiu no mesmo período. O vivendas argentino discursou em Davos dizendo que a culpa disto tudo que taí é do socialismo e foi aplaudido de pé e ganhou beijo de língua de todos os faria limers que estavam por lá. E que que eu tenho com isto? Bem, eu sigo tendo que pagar os boletos! E eles estão atrasados. Mas vamos em frente que daqui a duas semanas é carnaval. Na Corda Bamba está na rede. Saravá!
Alberta Hunter era uma cantora de sucesso nos anos 20 e 30. Nos anos 50, quando sua mãe morreu, largou os palcos e foi trabalhar como enfermeira num hospital em Nova Iorque. No final dos anos 70, foi obrigada a se aposentar. Voltou a cantar e gravou 4 discos supimpas, antes de morrer com 89 anos de idade. Veio duas vezes ao Brasil e virou nome de rua em Itaquera. A playlist 56 de Na Corda Bamba abre e fecha pedindo benção pra esta cantora sensacional. Tentei mas não encontrei a letra de I´ve Had Enough, composição dela mesma. Mas dá pra perceber que ela tá enquadrando e dispensando seu encosto. Aracy de Almeida também estava fazendo a mesmo coisa quando gravou O Maior Castigo que eu te Dou, do bamba Noel Rosa. O encosto de Aracy pelo jeito, era meio esquisitão.
O maior castigo que eu te dou
É não te bater
Pois sei que gostas de apanhar
Não há ninguém mais calmo
Do que eu sou
Nem há maior prazer
Do que te ver me provocar



Pegue a radial ouvindo a sueca Fredrika Stahl e chegarás em um barquinho navegando em águas geladas, ou correndo por algum campo verdinho, e antes que uma lança ou um machado corte a sua cabeça, acorde e corra com o Jorge du Peixe e seu dengoso baião granfino.


Willie Bobo é quase receita de felicidade. Hoje tem Bobo em dose dupla, primeiro num dos muitos remix que a gravadora Verve fez no começo dos anos 2000, aproveitando a onda dos dejotas pra faturar um qualquer. Lá no final tem bis, numa das melhores versões de Grazing in the Grass (Hugh Masekela). Uma vez mostrei esta versão pro músico pernambucano Armando Lobo e ele me disse, rapaz, não tem uma nota fora do lugar nesta parada! Se não quiser fazer mais nada hoje, pule pra faixa 50 e fique lá até o domingo terminar.
Ian Ramil assistindo shopping center queimar e esperando a publicidade morrer. Bob Dylan cavalga por ruínas e valas pra no final dizer que a paz virá. Logo depois Bruce Springsteen pede pra apagar a luz que o fusível tá queimando.

Laura Nyro e La Belle. Chorem!
Fabienne Del Sol é uma francesinha que ama a Nancy Sinatra e os Cramps. Esta faixa está num dos episódios da série Cobra Kai, que ainda vai render assunto por aqui.
Os anos 80 tiveram dois discos que serviram de tábua da salvação, de esmeralda, caixa de pandora, pra quase tudo que rolou de bom e de ruim. Um foi o Duck Rock do Malcom Mclaren. Outro foi My Life in a Bush of Ghosts, do Brian Eno com David Byrne. Enquanto Mr.Mclaren brincava com o hip hop e com a rumba zairense, Eno e Byrne colocaram pastoras marroquinas e locutores de rádio do cinturão da bíblia todos juntos e mixturados. Na época pouca gente ouviu e quem ouviu não esqueceu. Quando relançaram o disco poucos anos atrás, a dupla resolveu cortar alguns trechos, pra não dar ruim com crentes de todos os naipes. E David Byrne acabou criando seu selo, que lançou lá fora gente como Tom Zé e Mutantes e ajudou a colocar na roda lindezas como a banda África Negra, de São Tomé e Príncipe. Dá pra entender o obrigado. Da ex-colonia pra matriz: Daniel Bacelar, pioneiro do rock português, enlouquecendo com seu olhar. Na sequência a banda Portugal.The Man, que apesar de ter este nome, foi formada no Alaska!

Camille continua lançando discos espetaculares.

Captain Beefheart & His Magic Band (um dos favoritos de Frank Zappa), The Sensational Alex Harvey Band (um dos favoritos de meu amigo Jim Dunnet), Amelinha cantando Divindade, de Walter Franco e confirmando mais uma vez a minha teoria que música que tem cowbell é sempre bacanuda.
Em frente com Chuck Prophet, Carne Doce, Julia Mestre e Kassin e eu preciso escrever sobre a nova fossa.
Beginnings do Chicago é um musicaço. Com direito a baticum do seu Laudir de Oliveira. Astrud Gilberto também gravou e já rolou por aqui. O baticum passa bola pra Seu Jorge e Almaz, pro aboio de Caetano Veloso e Gilberto Gil, pro country pra lá de bom dos Bootleggers com Mark Laneger.
Mudando de praia com Anna Setton, Lucas Nunes com Dora Morelembaum e a participação de Jorge Mautner, que fez 83 anos dia 17. Seguindo na praia com Eiras e Beiras, Quartabê com Arrigo Barnabé e marolando na Jamaica com Althea & Donna.


2023 teve disco e música nova de Everything But The Girl, teve Bebel Gilberto saudando o pai e qualquer ano serve pra ouvir Donnie Elbert porque sem R&B não se vive.
Groove Holmes, do disco instrumental dos Beastie Boys, seu Waldir, da psicosico Ave Sangria, Muito Além do Cenozóico, do choque de monstro Jr.Black, que pra tristeza geral da nação, subiu muito antes do que deveria.

Akron & Family, numa faixa de um disco de 2006 que vale muito ser conferidos: Rogue’s Gallery: Pirate Ballads, Sea Songs and Chanteys. Tem Bryan Ferry, Lou Reed, Lucinda Williams, Nick Cave e mais uma penca de gente cantando canções de piratas e fazendo todos lacrimejarem, até mesmo aqueles que usam tapa-olhos.
Avante com o blues malinense de Ali Farka Touré (com Ry Cooder), com Carlinhos Brown, Beans e Fatback, com Blondie, porque sempre precisamos dela pra nos salvar e com Cake cantando o hit de Bread.
Se você pensar num clichê de jazz num clube escuro e enfumaçado, uísque no copo e cabeças em poses reflexivas, pense em Coleman Hawkins tocando After Midnight. Esqueça os clichês. É bonito pacas.

Fazendo a curva dos últimos 50 metros com Cat Power, Dexys Midnight Runner, Danie-Vi, Moraes Moreira (em disco que nunca tinha ouvido), DJ Shadow, o bis do Willie Bobo e a Alberto Hunter fechando tudo com toda a sua glória. Na Corda Bamba especial um ano sem sair do buraco chegando no dia 2 de fevereiro. Se a vida tiver relax, aproveite a assine nos botões vermelhos lá de baixo. Se não tiver, você pode apoiar a corda com um pix de qualquer valor, É QUALQUER VALOR MESMO na chave fabpmaciel@gmail.com
Saravá!
a imagem da capa desta edição eu tirei nesta sexta no ibirapuera, mostra a marquise privatizada esperando godot, esperando o trem, esperando que a mão moderadora do mercado resolva cuidar dela. 5 anos interditada.
LINKS! LINKS E MAIS LINKS
Alberta ao vivo:
uma matéria com o áfrica negra
https://www.dn.pt/artes/africa-negra-eramos-diferentes-de-toda-a-gente-9495403.html/
e outra sobre daniel bacelar:
é mais ou menos como dizer que alex harvey, quem diria, acabou no irajá das almas:
althea e donna sempre lindas:
teve ontem e tem hoje também. vale vale vale ir:

E A PLAYLIST!

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