Nos anos 90 quando resolvi deixar de ser produtor e virar diretor, o Roberto Berliner me disse: “Vai pra São Paulo e procura o Renato Barbieri“. Eu segui o conselho e pouco tempo depois fui chamado pra fazer um institucional. O trabalho não era grande coisa, mas era pago e me ajudava a ter portfolio, coisa que eu absolutamente não tinha. E nos intervalos das reuniões corporativas, havia tempo pra tratar de muitos assuntos com o dono da Videografia: política, cinema, música, livros, África. Quando surgiu uma oportunidade de ir pra Moçambique, convoquei o Renato e assim fizemos juntos um pequeno documentário sobre o país, em 1996. Logo depois ele cruzou o oceano novamente e fez um dos mais importantes filmes sobre as conexões entre o Brasil e a África: Atlântico Negro, na Rota dos Orixás que modestamente, ajudei na abertura. De lá pra cá, fizemos juntos uma dezena de trabalhos, o último em 2016, a série Brasil Migrante, que eu tive a sorte de dirigir sete episódios. E o azar de brigar muito com o seu Renato Barbieri. Mas isto não tem a menor importância. O lance que vale mesmo conversar e discutir por aqui, é que nos últimos anos Renato Barbieri fez dois filmes da maior importância: Pureza e Servidão. Pureza tá nos canais de streaming. Servidão está em cartaz nos cinemas. Os dois são obrigatórios. Corram pra ver. Mas antes, leiam aqui Na Corda Bamba edição nº 90, a entrevista com o diretor destes filmes, um cidadão de Araraquara, do Alto da Lapa, do Planalto Central e muito em breve, do Mali e do Benin. Saravá!


FM: Qual a diferença entre o trabalho servil e a escravidão moderna?
RB: Servidão e Escravidão são a mesma coisa. O única diferença é que a escravidão clássica ocorreu até o dia 13 de maio de 1888 e a escravidão contemporânea começou no dia 14 de maio de 1888. É uma outra forma de escravidão. A escravidão contemporânea ela muda de cara mas o objetivo é o mesmo: fazer com que a pessoa trabalhe de graça para o empregador.
FM: Como funciona a Escravidão Contemporânea?
RB: O nosso código penal prevê até 4 formas que tipificam a escravidão: jornadas exaustivas, aquela que tem hora pra começar e não tem hora pra acabar; condições degradantes, onde o trabalhador bebe a mesma água dos animais, dorme em curral ou em cabanas de lona, quando chove toma chuva. Depois tem o trabalho onde você não tem o direito de ir e vir, você é vigiado por capangas, se você sair ou tentar sair, pode ser morto. E tem a escravidão por dívida, onde o trabalhador está longe da cidade e tem que se abastecer no armazém da fazenda. Quando chega no final do mês, ele tá devendo. Ele trabalha pra pagar uma dívida.

FM: Você rodou “Servidão” quase que simultâneamente ao “Pureza”, que foi inspirado na história verdadeira de uma mãe que partiu obstinadamente em busca de seu filho, desaparecido na região de Marabá.
RB: Durante a pesquisa do Pureza, eu viajei para os lugares onde Dona Pureza esteve, pude conversar com pessoas que estiveram onde ela esteve. Em um dado momento, eu percebi que tinha um material muito maior do que o meu filme de época, muito maior do que a “jornada heróica” de Dona Pureza, que se passa entre 1993-1995. Eu estava investigando a mecânica, a dinâmica e a mentalidade escravagista, algo que ia além deste período histórico onde se passa Pureza. Eu fui conhecendo grandes personagens e decidi fazer um documentário, o Servidão. Escrevi o projeto e consegui o recurso para filmá-lo antes. Pureza é um filme de ficção, mais complexo, mais caro, com um roteiro mais complicado também. Então eu filmei o Servidão em 2017 e o Pureza em 2018. A pesquisa do Pureza deu muito subsídio pro Servidão e a filmagem de Servidão deu muito subsídio pro roteiro do Pureza. Os dois foram finalizados em 2019. Pureza foi lançado em 2022 e agora em 2024, Servidão chegou nas salas. São obras que se retroalimentam. Pureza é meu segundo filme de ficção, documentários já passam de sessenta, e eu tenho pra mim que, daqui pra frente, no próximo filme de ficção que eu fizer eu vou querer fazer o documentário correspondente.
FM: Qual é a história de Dona Pureza?
RB: Pureza era uma mulher muito pobre, separada, mãe de 5 filhos, que se alfabetizou aos 40 anos pra poder ler a Bíblia e que trabalhava na olaria de sua família em Bacabal, no Maranhão. Veja bem: ela tinha uma vida muito simples, até ingênua de certa maneira, porque muito religiosa, ela vivia conformada com pouco, em um certo estado de graça, porque vivia junto dos filhos e isto lhe bastava. O trabalho na olaria podia ser suficiente pra Dona Pureza, mas pra Abel, seu filho mais novo, não. Ele queria ganhar mais, queria comprar uma bicicleta, queria mudar de vida. E resolveu partir. Foi trabalhar no garimpo do cunhado, em Itaituba. Dona Pureza já tinha um irmão que tinha ido pro garimpo e nunca mais tinha dado notícias. E Abel também parou de dar notícia. Passou um, dois, três meses sem contato, Dona Pureza começou a ficar preocupada. Ligou pra irmã, pra filha em Itaituba, Abel chegou? Não, nunca apareceu aqui. Aí ela entrou em pânico.
FM: E aí começa a saga de Dona Pureza.
RB: Como ela ouvia muito rádio, ficou sabendo da CPT, a Comissão Pastoral da Terra, que tinha um trabalho de defesa dos trabalhadores rurais. Então ela foi encontrar o padre Flávio em São Luís. E o Padre Flávio encorajou ela a seguir os passos de Abel em Itaituba. E ela fez o caminho. Saiu de casa com uma bíblia, uma foto do Abel, um pacote de farinha e segundo a Dira Paes, uma muda de calcinha. Por onde ela ia, mostrava a foto. Você viu esse menino? Você viu esse menino? Um dia ela encontrou uma puta que tinha estado com ele. Ao mesmo tempo, ela começou a ter dicas, de como funcionava o aliciamento dos trabalhadores, que tinha um gato, que tinha o caminhão que transportava os trabalhadores pras fazendas…E ela começou a percorrer fazendas. Quando ela descobriu onde estava o Abel, ela descobriu a escravidão. Que ela não conhecia, não sabia. Mas ela viu, ela testemunhou. Ela foi relatando para o Padre Fávio em São Luís, os absurdos que ela estava encontrando nas fazendas, situações tão absurdas que ele convenceu Pureza de que ela tinha que ir pra Brasília denunciar. O Padre Flavio estava num movimento para fazer com que o governo brasileiro reconhecesse que havia escravidão no país. Até então, para o governo brasileiro, a escravidão havia terminado no dia 13 de maio de 1888.

FM: Aí ela passa a percorrer outra selva, que é a Praça dos Três Poderes em Brasília
RB: Pureza começou a frequentar o Congresso, escreveu para três presidentes: Collor, Itamar e FHC,. Segundo ela, só o Itamar respondeu, provavelmente assessoria, mas os outros nem isto. E os escravagistas, articulados, começaram a desacreditar quem estava denunciando. Como podem provar? Vocês querem prova, então eu vou buscar as provas. E ela foi atrás. Isto está bem colocado no filme. Ela ganha uma máquina fotográfica e um gravador de áudio e ela passa a registrar tudo que ela vai encontrando. Conversava com trabalhadores, conseguia passar pela vigilância, ela dizia pros seguranças, todo mundo tem uma mãe não é verdade? Então deixa eu passar que o meu filho está aí. Enfrentou capagangas, quase foi morta, enfrentou onças, sozinha! Ela andava sozinha. De noite, pela Amazônia, estrada de terra, tomava chuva, pegava carona com caminhão de tora…Ela ia atrás. Diziam, olha, tem uma fazenda daqui a 200 quilômetros, 300 quilômetros, estrada de terra, é uma fazenda que acho que lá tem escravo. Ela ia lá! Realmente, foi heróico o trabalho dela. E no fim das contas ela juntou as provas e ajudou os abolicionistas a fazerem um dossiê que fez o Estado Brasileiro reconhecer a existência de escravidão no país. E quando o governo reconheceu esta situação, tomou a consciência do fato, foi criado um grupo móvel, e começou a construção de uma política pública de combate ao trabalho escravo, a lei 10.803, que segue até hoje. A dona Pureza teve um reconhecimento imenso da sua luta heróica, foi reconhecida pelo Anti-slavery International, que é a mais antiga organização abolicionista do mundo, ganhou este prêmio, o mesmo que o padre Ricardo Resende havia ganho dois anos antes, em 1995. E tem um outro premio importante internacional que é o Tip Hero (trafic in person), que ela recebeu do governo americano em Washington. Houve muitos avanços nos governos FHC, Lula e Dilma. Começou a retroceder com Temer e depois com o fascismo retrocedeu muito, fecharam as torneiras, e ainda assim os abolicionistas se articularam, os auditores do trabalho seguiram trabalhando, conseguiram recursos com emendas parlamentares, eles deram um jeito, …eles não conseguiram desmontar o grupo móvel, tanto que no último ano do fascismo, em 2022, houve um número altíssimo de pessoas que foram libertadas em condições de escravidão.
FM: O Leonardo Sakamoto noticiou recentemente que novas operações de resgate de trabalhadores estão suspensas
RB: Há um déficit dos auditores fiscais do trabalho, de 40, 45% pelo menos, porque eles foram se aposentando e não houve novas contratações, então há um déficit imenso. Estas pessoas trabalham muito, elas tem que ir pro interior e a estratégia do grupo móvel é a de não usar, por exemplo, um auditor fiscal da Bahia, pra ele fazer autuações na Bahia. Pra dificultar as retaliação dos fazendeiros. Então eles pegam auditores fiscais de outros estados. É uma operação cara, que envolve polícia federal ou polícia rodoviária federal, o ministério público do trabalho, a auditoria fiscal do trabalho, tem que ir de avião até não sei onde e depois pegar os veículos, muitas vezes um comboio de veículos, porque tem outros órgãos que atuam na dinâmica do resgate, que tem uma série de providências: reposição e indenização salarial, hora extra, férias, etc. É um trabalho complexo, feito com o apoio da CPT e de outras organizações da sociedade civil. Então agora é preciso contratar novos auditores fiscais. Nós chegamos a ter oito grupos móveis. Hoje tem quatro. Pro tamanho do Brasil, isto é pouco.
FM: Como agir para pressionar um governo que não é de direita, mas que para sobreviver, está dando quase que as duas mãos, os braços e nem sei o que mais, para a direita?
RB: A nossa estrutura política, a estrutura econômica e de certa maneira a estrutura do estado brasileiro, foi feita para atender um país colonial. O estado brasileiro não foi criado pra construir uma nação, ou pra fazer a gestão de uma nação. Ele foi construído para fazer a administração de uma colônia. E eu entendo que depois do dia 13 de maio, a partir do dia 14 de maio, a gente começou o neo-colonialismo no Brasil. Assim como na África, depois da independência, começou o neo-colonialismo, que hoje Burkina-Faso, Níger e Mali estão expulsando os franceses porque sessenta anos depois da independência eles estão mais pobres do que quando eram colônia, no Brasil, a gente vive o neo-colonialismo. E ele começa no dia 14 de maio. Ele não começa no dia 7 de setembro. Que também é uma data oficial torta, já que desconsidera o dois de julho de 1823 na Bahia…Então nós temos que fazer um trabalho educativo, cultural, de formação de cidadãos abolicionistas. O Brasil só vai deixar de ser um país escravagista, dominado por uma elite oligárquica patriarcal, capitalista e escravagista, quando toda a sociedade assumir para si, quando todos os homens, todas as mulheres, assumirem para si a missão abolicionista. Eu acho que hoje, o abolicionismo moderno diz respeito à todos nós e não à um ou outro abnegado, como estes que aparecem no Servidão, e muitos outros que não puderam entrar no filme.
FM: Ainda se vende esta ideia de que somente nas regiões norte-nordeste, acontecem casos de escravidão. A cidade de São Paulo é cheia de casos de confecções que trabalham 24 horas, principalmente com bolivianos. Ano passado houve o escândalo das vinícolas na serra gaúcha, que, parece, não se intimidaram, pois a prática seguiu neste verão..
RB: A nossa democracia é uma democracia palha. O Congresso não tem representatividade social nenhuma. Não tem representatividade de gênero, não tem representatividade étnica, não tem nenhuma. Representa o agro, as oligarquias. O agrobusiness domina o congresso…E o governo fica de mãos atadas, porque precisa de um congresso pra poder governar…é uma dança na navalha, a pressão é feia. Como nós vamos conseguir criar a pressão abolicionista? Criando um grande contingente abolicionista. A Inglaterra criou o abolicionismo porque a sociedade inglesa assumiu esta pauta. Aqui no Brasil se criou o mito de tentar desqualificar o abolicionismo inglês, de que eles queriam mesmo era criar um mercado de consumo. Não. O abolicionismo inglês foi absolutamente autêntico e efetivo, Famílias inglesas deixaram de comprar açúcar, porque o açúcar era fruto da escravidão das Antilhas Inglesas, A Inglaterra fez o abolicionismo, porque a sociedade abraçou. E o Brasil pode fazer também.

FM: Existe uma relação entre desmatamento e trabalho escravo?
RB: Na Amazônia o crime ambiental anda de mãos dadas com o crime social da escravidão. A escravidão é usada para detonar o meio-ambiente. Por isto que eu digo que a abolição é uma meta síntese para o Brasil. Se a gente resolver a questão do trabalho digno, da dignidade humana, do reconhecimento e da promoção da dignidade, nós vamos resolver os problemas da desigualdade. Vamos resolver os problemas ambientais. Da educação, porque passa pela educação. No Brasil a gente é ensinado a ser racista. Não é que a pessoa nasce racista ou se torna racista, como se escolhe um time de futebol. Nós somos todos educados, diariamente pela lei, pela polícia, pela escola, pela mídia, pelas novelas…por todos os campos a gente tem um ensinamento racista. Então a gente tem que fortalecer o ensinamento abolicionista, que é o da dignidade humana e da alteridade. Isto também se ensina.
FM: Você trocou a psicologia pelo audiovisual.
RB: Eu estava no terceiro ano de psicologia quando comecei a dirigir. Eu morava com a turma do Olhar Eletrônico e propus, ao invés de fazer uma monografia, de se fazer um vídeo. E esse vídeo foi feito dentro do Olhar Eletrõnico, que já estava entrando na televisão, com aquela criatividade muito grande. E eu gostei do que eu fiz, as pessoas também, e me perguntarem se na outra semana eu não toparia fazer outro vídeo pra eles…Eu fiquei três anos e meio dirigindo na Olhar Eletrônico. A maioria dos trabalhos eu fiz com o Paulo Morelli. Em 1985 nós fizemos junto com o Marcelo Machado o Do Outro Lado da Sua Casa. Eu me formei em 1986, mas já trabalhando como diretor em paralelo.
FM: Mas o seu trabalho tinha uma pegada de video-arte, mais conceitual. Mesmo assim, eles já apontavam para as pautas sociais.
RB: No início eu fazia…Eu sempre trabalhei com hibridismo, hoje eu consigo ter este distanciamento. No início eu fazia video-arte documentário, que foi um termo que eu inventei até. Porque era uma video-arte e ao mesmo tempo tinha um aspecto documental. Depois eu vi que eu tinha que ser ou videoartista ou documentarista, e optei pelo documentarista. Mas sempre com hibridismos. O “doc-fic” em Malagrida, em A Invenção de Brasília, em Araraquara, Memórias de uma Cidade e em Cora Coralina Todas as Vidas. E o Pureza é um fic-doc, muita gente fala que ele é um documentário porque a realidade tá lá, foi filmado a realidade. É baseado em fatos reais. E as pautas sociais já estavam lá com o Outro Lado da Sua Casa. Foi lá que eu decidi fazer filmes com impacto social, que tenham base em pesquisa da realidade, do real.
FM: Você consegue criar uma rede de apoio em seus filmes, você envolve organizações, entidades, instituições que se relacionam com seus filmes.
RB: O Atlântico Negro foi o primeiro filme onde eu comecei a desenvolver esta tecnologia de engenharia social, onde eu tinha o apoio de várias organizações que me ajudaram não só a produzir o filme, me ajudaram a pesquisar, a ter acesso à pesquisadores, ou à fontes financiadoras como UNESCO, Fundação Palmares, Itamaraty, e muitas outras organizações. E no Pureza a gente atingiu um pico: 97 organizações nacionais e internacionais apoiaram o filme, inclusive a mais antiga organização abolicionista do mundo, que é a Anti-Slavery International. E também a Free the Slaves, que é a maior organização internacional, a Walk Free, a Freedom Fund…E no Servidão a gente teve apoio de uma organização americana, a Exodus Road, que tem uma atuação muito forte em aeroportos, no combate ao tráfico humano, eles fazem um trabalho de capacitação nas companhias aéreas, com os agentes aeroportuários, para que eles entendam os sinais, para que eles possam perceber e discernir uma pessoa que não está viajando, está sendo traficada. Das instituições apoiadoras no Brasil, vale muito destacar o engajamento do MPT (Ministério Público do Trabalho), o Sistema Justiça através dos Tribunais Regionais do Trabalho TRT-8 (Pará e Amapá) e TRT-17 (Espírito Santo), além do MDHC (Ministério dos Direitos Humanos e Cidanania). No campo dos movimentos sociais, um destaque muito especial para a parceria com a CPT (Comissão Pastoral da Terra), o SINAIT e a ANAMATRA, dentre muitas outras organizações apoiadoras. E essas organizações entram por uma comunhão de propósito, nunca entrou nenhuma organização determinando conteúdo, nada disto. Entram porque acreditam na proposta. E os filmes tem uma pegada de conteúdo com entretenimento, que eu acho importante. A experiência cinematográfica é importante, eu nunca pretendo abrir mão dela, de uma experiência cinematográfica potente para tratar das urgências do nosso tempo.
FM: Revendo O Outro Lado da Sua Casa hoje, não dá um desencanto encontrar as ruas mais cheias ainda de desabrigados, quase 40 anos depois?
RB: O capitalismo está cada vez mais violento, Dos anos 80 pra cá, exatamente quando comecei a fazer filmes, nós entramos no Antropoceno. As máquinas ficaram mais poderosas, o know-how do capitalismo ficou mais poderoso para perpetuar esta dominação do lucro desenfreado e da morte. Eu acho que para além do lucro, o foco principal do capitalismo é Tânatos, ele usa o lucro como meio para chegar a morte, porque não se compromete com a vida, não tá nem aí com a vida. O capitalismo, ele é anti-vida, ele é pró-morte, ele promove a morte, a vida não vale nada. O capitalismo só aumenta a concentração de renda. Você viu o relatório da Oxfam? No último ano as fortunas triplicaram. Os 5 homens mais ricos do mundo ficaram 3,5 vezes mais ricos e 50% da população mundial ficou mais pobre. Então a concentração é perversa, e é por isto que população nas ruas aumenta. Trabalho escravo, envenenamento dos corpos, do solo, do ar…é tudo uma pauta de morte, é tudo um pacote. E esses caras que não defendem a vida, que promovem a morte, continuam fazendo isto com mais poder, mais poder destruidor.
FM: E agora? Antes da morte, do fim, do Centrão…
RB: Agora eu estou fazendo um filme que se chama A África Dentro da Gente, que é tipo um segundo Atlântico Negro, é uma comunicação Sul-Sul. As coisas, os temas que geram inquietação em mim, eles são mais ou menos constantes e vão se aprofundando. A questão social e a questão da África é mais importante ainda.

Por hoje é só pessoal. Domingo tem playlist da corda bamba.Lembrem-se: a corda precisa de você pra seguir balançando. Assine nos botões lá embaixo ou faça pix de qualquer valor na chave fabpmaciel@gmail.com
PAZ!
A imagem da capa de hoje é de Reynaldo Zangrandi e mostra uma ponte perdida em algum lugar próximo de Marabá, em 2016.
LINKS! LINKS! E MAIS LINKS!
O trailer de Pureza:
O trailer de Servidão:
O site da CPT:
https://www.cptnacional.org.br/sobre-nos/historico
Dona Pureza recebe prêmio:
Dona Pureza recebe outro prêmio:
Padre Ricardo também:
sobre o antropoceno:
https://cee.fiocruz.br/?q=node/1106
o trailer de atlântico negro:
e um crime que começa a ter castigo:

do outro lado da sua casa:
https://site.videobrasil.org.br/acervo/obras/obra/86869https://site.videobrasil.org.br/acervo/obras/obra/86869
a primeira parte do outro lado:

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