na corda bamba no planalto central: alexânia, abadiânia e anápolis, onde o céu é apocalíptico e o empadão é integrado.

Brasília-Goiânia de carro é barbada, estrada ok, alguns quebra-molas, uma parada no jerivá e três horas depois se chega numa das capitais do reino encantado que a marcha para o oeste e o agro criou. A paisagem do cerrado verdinho quase não muda, o que muda é o céu que fica brincando de sol e chuva entre um quilômetro e outro. Uma hora é céu de brigadeiro -talvez pela base aérea de Anápolis- outra é céu de calendário das Edições Paulinas. Um minuto depois é furacão mágico de oz 2000, cinza chumbo fim de mundo. Em Alexânia tudo azulzinho em Abadiânia azul e cinza e em Anápolis parecia que tudo ia se desintegrar e assim foi até passar pelo CopEsp. Numa inacreditável sincronia, daquelas de musical da Metro, o céu ficou azulão sol dourado assim que o carro ultrapassou o Batalhão das Forças Especiais, onde dormem os kids pretos. Depois dali, santa clara clareou e aqui quando chegou vai clarear. Mas pra me lembrar que nem tudo está garantido, me colocaram em frente ao maior cruzamento de espeto corrido do planeta. Por sorte não me botaram na ponta dele. O corre foi grande. Semana que vem eu conto que 11 quilômetros depois deste espeto gigante tem o Sertão Negro, onde o Dalton Paula e sua turma estão fazendo a utopia aqui e agora. No presente. Na Corda Bamba tá na rede. Saravá!

estrela? espeto?

na playlist#68 o ano que se desintegrou:

Flicts musicado por Sérgio Ricardo e cantado pelo MPB4 junto com o Quarteto em Cy. Flicts pra agradecer e pra prestar tributo pro Ziraldo. Flicts pra abrir e fechar a playlist 68 de na corda bamba. O amor é flicts, o amor é azulzinho e a corda é vermelha e quase nunca amarela. Saravá!

Meu chapa Carlos Eduardo Lima disse dia destes que anda sem paciência pro novo soul gravado hoje em Los Angeles como se fosse em Memphis nos anos 60. Bobagem. Ouçam a beleza que é o naipe de metais que acompanha o The James Hunter Six. Classe demais. Fui pesquisar e descobri que James Hunter cresceu numa família de operários de Essex ouvindo a coleção de 45 rotações de sua mãe, cheios de clássicos de soul e reggae. Não tem como dar errado.

balada reggae soul com castanholas faz sucesso em sussex

A dica é do Luis Marcelo Mendes, a edição caboverdiana da série África Analógica é de lascar o cano. O que eu mais gosto nesta parada é que o nome dos artistas são de uma singeleza vulcânica. José Casimiro por exemplo, poderia ser o nome de um dono de venda ou de funcionário de cartório em Praia. Porém, ai porém…José Casimiro canta e faz um som matador, tão matador que botei morti sta bidjàcu no transleitor e apareceu morto aqui. Aqui ou lá, vivo ou morto, o disco inteiro é de tirar defunto da tumba. E os nomes todos singelos e angelicais: Pedrinho, Américo, Quirino, Abel, Cirino…Música de Cabo Verde é repetição, mantra, transe, cura. Aproveitem que ao longo desta corda tem mais.

os vivos e os mortos com nomes singelos de cabo verde
cabo verde vulcânico e analógico

Barco segue com Opus, banda colombiana dos anos 70, que no segundo disco mudou de nome -era Coke-, mas não mudou de salsa.

de coke pra opus na colômbia

Barco segue com Freddie Hubbard, Naná Vasconcelos e Dorival Caimmy que ganhou filme novo da Daniela Broitman.

Barco segue com Eddie Kendriks, com a Banda do Mar pra acalmar e porque eu preciso de você pra me fazer feliz e quando você vem eu fico melhor e como a Miriam Arvelino de Paula reclamou que eu não ando romântico, esta vai pra ela e mais algumas várias ao longo desta playlist.

caymmi um homem de afetos nos cinemas em salvador

Carlos Eduardo Lima rides again levantou a lebre que Piloto, seu coração é meu aeroporto, pra viajar tem que passar por lá, da brasiliense Flora Matos foi copiada, sampleada, plagiada por dona Beyoncé em Bodyguard. Hum…difícil dizer. O começo lembra mesmo. Depois vai por outros grandes sertões, outras veredas e eu não paro de ouvir quem mandou, quem mandou você brincar de amor comigo amor, eu te amo, eu te quero, eu te adoro, eu te gosto meu amor, que gamação danada, não sei se fico ou se meto o pé na estrada com Gil & Jorge, Jorge & Gil, Ogum & Xangô, Xangô & Ogum.

Spooky Tooth cai no blues. Spoky tooth last puff. Zezé Motta e Gerson Conrad caem no blues- com letras de Paulo Mendonça. Fany Havest cai no blues e na disco. Galvezton cai no rock´n roll e faz disco homenagem ao Velvet Underground.

zezé e gerson
gerson e zezé

Bom mesmo é Native Harrow.

Bom mesmo é Van Morrison.

Bom mesmo é Thin Lizzy.

flora mattos e seu piloto roubado

Trem nos trilhos com José Gonzalez, trem passando na ponte com a nova de Mark Knopfler, trem com janela molhada e pegando resfriado com Tom Waits, trem viajando pelo tempo na bonita e recém chegada canção de Rodrigo Braga com o MPB4, na música nova de Tiganá Santana que vai tocar este rumo pra te chamar, na nova e afrancesada do Toninho Almeida com Lucas Santanna e na versão francesa de Nara para Opinião:

On peut me frapper, on peut m’arrêter/On peut m’enfermer sans boire ni manger/Mon opinion ne pourra pas changer

Juliana Klovan também tem música nova mas não se lembra de ter lhe pedido a minha ou a sua opinião. Mariana Aydar e Mestrinho chegam com otimismo e música nova. Alguém tem que ser otimista nesta bagaça. O Américo Brito fica sentado na pracinha.

Mudança de rumo com De La Soul, Mott The Hoople e Billy Preston.

A Folha da Bahia diz que Casapronta é rock macumba. No disco Sete, Casapronta convoca os Orixás. Num passado nem tão remoto Gerson King Combo convocou o Mão Branca, música não surgiu do nada, nem em 1980 nem agora, quando aparece pelas santas sincronicidades do titio Jung. Quem atira pra matar anda de boas, tá em alta, ganha voto e louvor. Agente ainda não encontrou um jeito de mudar a percepção da população sobre onde é que o buraco fica e onde é que a coruja dorme. King Combo tirou Mão Branca pra Shaft e é assim que os vivendas se elegem. Com medo com Pedro e com Gal, ódio sem valor com Pedrinho, el infierno tan temido, cadombe de leve de Jaime Roos pra ficar na sintonia e a roda gira com Wilson Simonal e com Lamont Dozier, que em 73 estava sem trabalho, sem pai nem mãe e que a vida não era fácil…

Ain’t got no job, ain’t go no home
My mom and poppa’s gone
I gotta face it on my own
Ain’t got no hope, ran’out of rope
And living ain’t easy, when you’re black and greasy

Então ou se luta ou se procrastina. Ou se esquece de tudo. Joe Jackson cha cha louqueando antes do Willie Bobo que bate tambor antes do Tamba 4 atacar de Orlanvivo e antes de entrar novamente no modo mais amor, mais só love, com Cat Power, Neil Young e Marvin Gaye.

Mais bole bole com Tamba Trio, Rosa Passos muito bem acompanhada por Ron Carter (ouva Vera Gribel!), Taj Mahal, Jordan Rakei, Bill Mason, Charlotte Gainsbourg e fechamos a corrida com Flicts.

joe jackson fazendo pose de joe cool
rosa e ron entre amigos

É isto aí macacada! Mais uma semana de abril, de correria, de aperto e de superações coach não é gente. Se der, terminem com lesco-lesco que, no final das contas, é o que vale. E se der pra assinar a corda é só apertar nos botões vermelhos lá de baixo. Também dá apoiando por pix de qualquer valor na chave fabpmaciel@gmail.com

a corda agradece a chegada da ana luiza,salve salve e a imagem da capa desta edição mostra a fachada do glorioso palace hotel abadiânia.

Saravá!

LINKS! LINKS ! E MAIS LINKS!

robert plant e os honeydrippers em sea of love

o trailer de sea of love. a imagem já entrega aquela estética nem lá nem cá que iria reinar nos anos 90. mas o filme tem al pacino, john goodman e a ultra, mega, super linda e cool Ellen Barkin.

e a playlist!