na corda bamba se equilibra numa conversa com iole de freitas e + uma playlist cheia de desequilíbrios espetaculares

Em 2023 rolou uma exposição no IMS paulista com os trabalhos feitos nos anos 70 por Iole de Freitas. Para mim, foi uma tarde de perplexidade. Para o Antonio e pro Vicente, uma chance de pular e correr em frente à projeções de olhos, bocas e pés levemente desfocados e em super closes. Ainda: ampliações de fotografias mostrando facas, linhas, tesouras e outros objetos cortantes. Mas isto é apenas uma descrição rasteira do que tinha por lá. No início deste ano, conversei com a Iole no Rio, um dia depois dela ter participado de uma exposição numa galeria no Jóquei e alguns meses depois dela ter passado um bom tempo de molho por causa de um acidente. No mais, foi durante esta entrevista que percebi que jamais tinha conversado de verdade com a Iole. Digo, uma conversa para além das opiniões breves sobre quase tudo, nos encontros breves em eventos de quase sempre. Grande parte do material está aqui. E antes de começar, e pra não perder a chance de um trocadilho infame, um comercial breve: Você pode assinar Na Corda Bamba clicando nos botões vermelhos deste blog ou apoiando com qualquer valor na chave pix fabpmaciel@gmail.com Bamboleantes de todo Brasil, nesta edição a playlist # 99 com Walter Smetak, Amaro Freitas, Patti Smith, Nino Rota, Al Green e outros bambas. Dancem com Iole e Saravá!

iole de fretias, arruaça, 2022

Quando eu vejo um trabalho como este, Introvert Penetrate, Extrovert Penetrate, ele é de uma radicalidade… Interrompendo: É! Ele vai no ponto e é isso aí. Não precisava fazer outro trabalho. Este bastava.

O que estava acontecendo contigo naquele momento? Não tenho a menor noção. O que estava, está aí nestes trabalhos. Eu sou analisada desde os anos 70 e continuo sem entender muito bem as coisas, até porque, se entender, perde a graça. Então a questão é: tudo aquilo que você faz com uma agudeza de raciocínio, de sensibilidade, você tem uma possibilidade de penetração em si, na sua estrutura psíquica. Ao mesmo tempo, você se dispõe a fazer um trabalho de arte que é linguagem, que não é autoexpressão. É construção de linguagem. Então você consegue também, ou espera que, este mergulho toque o outro. Você mergulha no psiquismo do outro, de um indivíduo ou do coletivo. Mas todas as vezes em que você fica com medo, bloqueia, congela, aí é um drama… você não consegue se expressar. Não consegue construir uma obra.

Espera aí Iole, eu tenho que acompanhar...Esse processo de criação, você consegue tanto quando faz o movimento de introversão – quando você vai para dentro de si – quanto quando faz o movimento de extroversão. Importa a construção de sua própria linguagem. Então é assim: se tiver medo, dançou, não é? Na vida, na arte, em tudo. Não se pode ter medo.

bastava este trabalho

Eu cresci nos anos 70 e no cinema, nos cinejornais volta e meia apareciam as vernissagens do Shiró, do Manabu… Sempre tinha uma exposição do Manabu em um cinejornal! Um dia eu me deparei com o Quase Cinema. Fiqui admirado e desorientado. Casseta, o que que é isto? Você está sendo radical, porque sai do Manabu Mabe para o Quase Cinema, tentando entender o que aquele pessoal maluco estava querendo fazer, que não era o cinemão e nem era a Nouvelle Vague. E que não estava em circuitos alternativos de cinema, porque eram trabalhos feitos por  artistas plásticos, não é?  Foi um salto. É um pouco essa questão de como você vai rompendo essas barreiras. Não tem que ter contorno. Contorno é uma limitação, você determina um território, então essas barreiras, esses contornos, eles emudecem as falas, dificultam as falas. O Quase Cinema foi ótimo porque deu um chute em tudo. “O que vocês estão achando que é arte, não é arte. O que vocês estão achando que é cinema, não é cinema.” Então o que que é isso? A gente não sabia e não sabe até hoje, mas a gente foi fazendo.

Você começou com o design, depois foi pra fotografia. Eu comecei com a dança. Eu ia fazer arquitetura e aí apareceu a ESDI, eu fiquei entusiasmadíssima, passei no bendito vestibular… Éramos só 30 alunos, eu fiz um período e saí. Mas eu tinha muito mais anos de dança do que de design.  Eu dancei de pequena com Enid Sauer, que era uma coisa meio americanizada, mais próxima da Marta Graham. Depois eu dancei muitos anos com a Raquel Levy, que dançou com a Marta e com a Mary Wigman. Sempre que eu estudava estas duas eu ficava numa tensão, porque eu não aguentava aquela coisa dramática da Mary Wigman… Hoje eu assisto e acho magnífico. E achava uma libertação a Martha Graham, com a libertação dos movimentos, com a questão espacial que ela lidava. Embarcava mais por ali. Mas aí eu vi que eu não ia conseguir com a dança, por alguma razão que somente agora eu entendo um pouquinho. Quando eu tinha uns 21 anos, depois de fazer tanta dança, de ver tudo que podia da Mercedes Batista, eu fui pra Bahia, onde estava o Smetak, na escola, na Universidade da Bahia

aquela coisa dramática da mary wigman
mercedes inventando o balé afro-brasileiro

Vou só aproveitar que isso é um tema pouco falado, ou falado muito menos do que deveria.  Esse momento da Bahia com Edgard Santos, com Anísio Teixeira, com a Lina Bo Bardi, Koellreutter e mais um monte de gente… Foi uma beleza. Eu só fui um pouquinho, de raspão. Fui com uns amigos, fomos de carro, não tínhamos grana, num fusquinha… eu não vou dizer que eu fiz aula lá. Eu participei de um workshop com uma bailarina brasileira e com uma polonesa brabérrima, não me lembro o nome dela, mas foi tudo muito intenso. Com 20 anos você tá querendo beber o mundo, né? E o Smetak foi um  encantamento… aqueles instrumentos dele…  eu me lembro até hoje, uma casinha simples e aquele monte de instrumentos… o Uakti buscou dar continuidade… é outra experiência. O Smetak é uma experiência de solidão terrível, de mergulho na solidão necessária. Mas ao mesmo tempo que ele fazia isso, ele abria para as outras áreas, e a música que ele criava a partir das invenções musicais e dos instrumentos – eu vou fazer uma comparação absurda mas que me veio agora: aqueles instrumentos têm uma conexão com aquele tratamento da Ligia Clark, com elementos que ela ia passando no corpo. Num documentário sobre sua obra tem o registro deste tratamento feito com o Paulo Sérgio Duarte. Eu sei que esse tratamento foi também usado de maneira eficiente com os esquizofrênicos, ajudava muito. Para borderline, a gente que já é border, pira, surta. Mas pra quem tá na outra faixa, do sofrimento atroz, alivia muito. E agora falando com você, me veio isso: ficou muito mais marcada em mim a presença do Smetak do que a das danças.

O Smetak colocava a orquestra junto com os músicos dos terreiros, da capoeira, das rodas de samba… Misturava muito, quer dizer, ele pegava aquilo e virava do avesso, criava uma outra coisa com outro som.

Mas aí teve um momento em que você percebeu que não era com a dança. É, foi aos poucos. Eu nasci em Belo Horizonte e saí de lá com 5 anos. Aí meu pai foi transferido pra Marília, me lembro de estar perto da colônia japonesa. Depois viemos pro Rio e antes de me colocarem na escola, me colocaram na dança, porque diziam que eu era de uma timidez tremenda. O Antônio dizia que eu gastei a minha timidez toda nos primeiros dez anos de vida. Eu vivia quieta dentro de casa e de repente me jogam nesta circunstância: se vira, você tem que dançar acompanhando o ritmo dos outros, você não pode tropeçar, não pode cair, tem que ter equilíbrio. Então, se vira. Depois é que eu fui aprender a ler e escrever. Então, de alguma maneira, a primeira estrutura de comunicação que eu tive foi a dança. Talvez por isso ela volte agora. Eu converso muito com Bento, meu neto, sobre a improvisação. Eu gosto de conversar com o Bento porque ele entende de outro jeito. Mas eu olho pra ele e pergunto: você acha que eu ia aguentar construir cinquenta e tantos anos de linguagem – eu, que sou uma teimosa – se eu tivesse me prestado a fazer da dança uma linguagem sendo que, eu entendo dança como improvisação. Não dá!

É curioso, porque o seu trabalho, por mais leve e poético que possa parecer, sempre me pareceu tão cerebral. Mas é mesmo. De um lado é. Na dança eu sou meio radical. Essa última dança que eu fiz agora com Bento… oito minutos! Eu falei: que chato! Mas eu estava numa ânsia de pôr o corpo em movimento. Então, eu fui rendendo e fui provocando o corpo; você não está aguentando mas você vai aguentar, você não está esticando aqui mas você vai esticar. Tem horas que é hilário porque o Bento faz uns movimentos que eu tento claramente acompanhar e o corpo não vai! Eu tento três ou quatro vezes, e falha! E a improvisação, ela tem o tempo do instante. Eu não iria aguentar passar por tantos instantes de improvisação para fazer um percurso de cinquenta anos de linguagem. Não dá.

Agora na parte da construção das esculturas, tem obviamente ali um raciocínio e um planejamento preciso, porque se eu erro o desenho de um simples andaime, vai dar errado o conjunto da instalação. Então tem aí um planejamento que eu me nego a fazer na dança.

E voltando para Introvert. Ali tem uma síntese entre palavra e imagem daquilo que eu queria passar para as pessoas. Você tem que ser agudo naquilo que você quer passar para as pessoas. Você é agudo para dentro, você é agudo pra fora.

agudo pra dentro e pra fora

Como  eu conheci seu trabalho muito tempo depois, em uma outra circunstância, em um outro contexto,  eu não conseguia perceber essa fúria… Ficou domada, né?

Eu nem sabia que essa fúria tinha existido.  E eu não consigo ver essa fúria na Rara…Não tem.

Não consigo ver essa fúria nas esculturas. Ela não existe nos trabalhos grandes. Porque eles são expansões, mas eles não são furiosos. Eles têm uma coisa de ar… (Iole inspira forte) Vai ficar com falta de ar, está na piscina, está precisando de fôlego, está lá embaixo… será que eu aguento? Então pra mim, os trabalhos  grandes são isso. Enormes desafios.

Mas mesmo aqueles trabalhos que tinham capas de telas, eles eram leves. Eles começaram até muito leves, para em seguida ganharem umas peles mais pesadas. São os que eu chamo de Barrocões. Ah, porque é excessivo como o Barroco; mas quem disse que o Barroco é excessivo? A partir de que diapasão falam que ele é excessivo? Ele é o que ele é. Tem estas questões das grandes brigas dos anos 70, da arte conceitual, da Minimal, quando a qualidade da expressão artística estava na redução.

sem título, 1997, no mam sp

Então, já que caímos na redução e no minimalismo,  a gente pode voltar a conversa pra ESDI. Eu ia fazer arquitetura, eu tinha feito o Clássico e era boa de Letras. A mãe de uma amiga falou: “Escuta, tem uma coisa aqui interessante, vão abrir uma escola de desenho industrial.” Eu passei janeiro e fevereiro estudando a história do desenho industrial, que eu não tinha noção. Eu trabalhava, então, com o Luiz Watson num ateliê de artesanato onde eu aprendi a lidar com teares, onde aprendi a trabalhar com prata, com cobre… e foi lá que eu conheci o Vergara. Ele foi meu primeiro amigo das artes plásticas.

Quem era o Luiz Watson? O Luiz Watson foi uma pessoa extremamente interessante. Trabalhou durante a ditadura com teatro nas fábricas, e também na clínica de tuberculosos que havia na Gávea, ensinando o trabalho com os teares, o que possibilitava a expansão pulmonar dos doentes. Íamos lá ensinar como trabalhar com tear manual. Nele, quando você bate o pente, você joga ali o fio… e volta a bater o pente. E você repete: joga a flecha, bate o pente, joga a flecha; esse movimento “joga a flecha e bate o pente” leva a uma expansão pulmonar inacreditável.

Mas voltando pro desenho industrial: A ESDI era um encantamento. Tinha as oficinas de foto, de metal, de madeira, a sala das pranchetas. Nós alunos construímos a biblioteca, as estantes da biblioteca na oficina de metais. Éramos poucos e trabalhávamos em vários exercícios de desenho. Eu me lembro que um dos professores, ao receber o primeiro projeto que eu desenhei, ele rasgou… um trabalho num papel alemão caro; ele rasgou porque o desenho estava 3mm errado. Mais tarde casei com o Antônio Dias e fui morar em Milão. Lá, fui trabalhar na Olivetti. Durante todo este período, o que permanece como essência é a pulsão psíquica que faz com que a gente queira criar uma linguagem visual, e não ficar só na autoexpressão. Se eu quero construir linguagem e escolho uma plasticidade, tenho que apresentar um fato plástico exterior a mim. As pessoas vão olhar, vão perceber, vão dizer o que bem entenderem sobre aquilo, sejam pessoas entendidas ou não. Então a obra sai de você e está no mundo, inserida no campo cultural com as discussões e inovações provocadas. É uma invenção.

exposição na ESDI, anos 60 foto: rio de memórias

Tem vivências e experiências que são atemporais em nós. Outras nas quais somos flexíveis, porosos, mudamos a maneira de percebê-las e com elas lidar. Ainda bem, não é? Vamos mudando a maneira de buscar o contato com a realidade. Então, aquela pulsão do início, a violência do início vai sendo reelaborada… Com os Aramões, por exemplo, depois de tanta fragmentação busquei construir uma obra que mantivesse um fluxo contínuo de gestos e atitudes, isso com os poucos materiais escolhidos: arames, tubos de plástico, pedaços de tecido e borracha. Eu havia parado de trabalhar por dois anos porque não estava dando conta de tanta tensão em mim e nos trabalhos. Você constrói um Aramão com uma pulsão claramente direcionada pelo desejo de construir Uma unidade. Um fluxo oposto à fragmentação dos espelhos. É isso.

É a hora em que temos então uma outra Iole. Aí está o negócio do corte, do fluxo, da continuidade. A percepção de que era urgente a mudança a ser feita na linguagem. É a minha maneira de entender as coisas e de poder realizá-las. Eu não sei fazer nada devagar. Aí falam que é ansiedade. Antes fosse ansiedade. Não é; pois é mais complicado, é mais radical. Na dança isso para mim fica claro. Por exemplo, na hora do tombo – que ocorreu quando eu estava gravando com o Bento a última performance para minha exposição no Instituto Tomie Ohtake, Colapsada em Pé o que aconteceu? O por quê da queda? Foi inesperada? Não. Porque eu já tinha gravado umas tantas danças e não caíra. Mas nesta, eu fiz a gira, fiz a gira num espaço circular; compreendi a circularidade do lugar. Fui na velocidade que podia, lutando com o Bento, usando os paus d’água. Quando chegou em um determinado instante, parei – sabe-se lá por que, no meio da velocidade – e dei quatro passos para trás. Caí no chão. Surge o corte, a interrupção.

dançando com bento
pouco antes da

Mas isto não tem relação com o limite? Não. Nessa queda teve muita coisa. Tem um psiquismo que estava se preparando para eclodir… A sala estava pronta uma semana antes e resolvi mudá-la porque eu ainda não tinha chegado aonde queria. Eu morro de medo quando sobra tempo antes de inauguração de exposição. Eu invento, em cima da hora mudar; porque ao ver a obra instalada ela já não me satisfaz. Quero ir para o trabalho seguinte, quero mergulhar no que ainda não fiz. Ainda tem tempo? Então vamos continuar a trabalhar… Mas, às vezes, esse psiquismo ansioso e inovador não encontra resposta na agilidade do corpo e cai.

queda no vídeo do Rodrigo de Oliveira Fonseca

O que ainda me surpreende é que você se coloca neste mundo, neste “mercado”, de um jeito que você sequer é considerada iconoclasta. Iole radical? Onde? Ô Fabiano, isso é do mundo, eu estou acostumada. As pessoas acham que eu sou um monte de coisas que eu não sou. E além de tudo isso, eu sou espírita e médium. Sempre fui. E, num grupo cultural agnóstico, que ridiculariza qualquer pensamento relacionado à espiritualidade, é extremamente peculiar falar deste assunto – porque a questão da mediunidade é entendida do ponto de vista da religiosidade e não do mecanismo em si. Não estou dizendo que eu não tenho meu viés religioso, porque tenho. Como é que eu vou falar disso para as pessoas que ridicularizam algo que eu vivencio?

Mas esse é um país de pessoas encantadas também, não é? Sim. Estamos num país onde a espiritualidade se apresenta fortemente; na tradição afro, nos povos originários, onde a mediunidade é vivenciada 24 horas por dia no compartilhamento dos sonhos. Ainda encontramos muita resistência para lidar com mais liberdade e profundidade sobre esses assuntos.

Num outro aspecto, Bispo do Rosário afirma este encantamento. Demorou para ser legitimado no meio artístico. Ele é extraordinário: sua obra é o arquivo dele mesmo, a coisa mais linda, não é? Porque o manto dele é ele. O manto fala. Ele vai agregando… é como se fosse um monte de pés de página de um texto que é a vida dele. O dentro e o fora, nele, são a mesma coisa. Não há interioridade sem a simultânea exterioridade. Sem a exteriorização de si. Daí aquela coisa esplendorosa e íntegra. Faltava essa palavra, não é? Íntegra. Se não é íntegro, não pode ser ético.  Se não é ético, para mim, não é estético. Então? Como é que fica? É ou não é. Você faz ou não faz. Por isso que de vez em quando é cortante. Porque começa a ficar uma gordurinha de conceito em volta das coisas do trabalho, da vida, e eu não dou conta. Então as corto. Atualmente, eu me aproximo mais dos poetas. Ou melhor, dos poemas. Dia destes eu disse pra um amigo escritor, eu falei pra ele: olha, eu não sei se eu gosto de você ou se eu gosto do que eu me torno quando eu converso com você.

Eu queria fazer uma pergunta totalmente familiar: Você não acha surpreendente estar dançando com Bento?   Acho totalmente normal. Engraçado você falar isso, acho engraçado você achar surpreendente.

Eu acho que é mais poético do que surpreendente. Acho bonito só o fato de vocês dois estarem dançando juntos. A gente funciona muito bem junto. De vez em quando eu não enxergo onde ele está, mal sei onde ele vai chegar. Eu já sei o que ele espera que o meu corpo devolva pra ele. É como uma conversa de repentistas, um faz um movimento e o outro responde. Ah! Eu lembrei o que eu ia falar. O fato de eu ter caído ao chão no ITO e interrompido bruscamente a dança, faz sentido na minha história. Outros cortes e interrupções já haviam ocorrido antes. Mas das outras vezes, os cortes eram metafóricos. Desta vez, a faca cortou as minhas costas e nelas introduziu uma outra escultura, de titânio. Dentro do corpo. Caindo, me levantei e finalizei a dança. Estiquei o corpo ao máximo, fiz um gesto com a mão para o alto e, junto com o Bento, saí de cena.

dançando com bento imagens: rara dias, montagem: luis marcelo mendes. no caso, os pais do bento, e no caso, meus compadres!

Com dignidade. Essa coisa da radicalização e do corte é parte de uma estrutura de sobrevivência. É simples assim. Vai cair um toró…

É o corte! Isto!

Colapsada E EM PÉ. foto de Ricardo Miyada

LINKS! LINKS! E MAIS LINKS!

uma aula com martha graham

documentário de Lilian Santiago sobre Mercedes Batista

e uma descoberta: mercedes era a moça que fez par com valter ribeiro na foto de josé medeiros que virou um clássico. a foto, feita na estudantina, foi para uma matéria na revista o cruzeiro, sobre os estatutos da gafieira.

mercedes e valter dançando na estudantina. foto de josé medeiros

chamada para a última vanguarda, curta sobre a ufba nos anos 50:

um curta sobre smetak:

a polonesa brabérrima era yanka rudzka, que dava aula na escola de dança da bahia.

paulo sérgio duarte explica o trabalho terapêutico de lígia clark:

um pouco da história da esdi:

entre os anos 60-80, ter uma olivetti era como ter um apple. até a publicidade da olivetti era de outro tipo:

laura artigas dirigiu a série algo no espaço, sobre 6 artistas brasileiros que trabalham com escultura. iole entre eles.

e a playlist # 99:

walter smetak lêéeaóôu # jussara marçal canção para ninar oxum @jucaramarcal # kraftwerk morgenspaziergang # nino rota le manine di primavera # harry belafonte & miriam makeba train song # ilessi cobra coral @ilessi.oficial # joe cuba tu lo siente? # patti smith gimme shelter @thisispattismith # al green everybody hurts # timmy thomas one brief moment # yazmin lacey flylo tweet @yazminlacey # nara leão corrida de jangada # chico buarque a rita # johnny conquet raisins and almonds cha cha cha # tom jobim urubu # lô borges calibre # jota.pê a ordem natural das coisas @jota.peoficial # karina buhr eu menti pra você @karinabuhr # aldo sena e saulo duarte flor do muriti @aldosenaguitarrada # nubya garcia lean in @nubya_garcia # leon bridges when a man cries # erasmo carlos a história da morena que abalou as estruturas do carnaval # letuce muita cara # ubiratan marques obi orobô # uakti cartiano marra # bill doggett honky tonk pt.1 # television glory # emma-jean tachray black hole # afroito olho d’água @ afroito # siri no tranco # giana viscardi vem morena @gianaviscardi # sharon jones key to the kingdom # cymande zion I # abayomi afrobeat orquestra eru # kathleen emery sometimes i feel like a motherless child # don tiki friendly islands # instituto e dj dolores mulheres de novo @djdolores # ma charlotte au milieu # bnegão sorriso aberto curimba riddim @bnegaooficial # hermeto pascoal passeando pelo jardim # rodolfo mederos el abrojito # idris muhammad loran’s dance # tom zé língua brasileira # laurie anderson speak my language # karnak o mundo # caetano veloso épico # brian eno 77 million paintings # david bowie girl loves me # madredeus oxalá # amaro freitas uiara(encantada da água) @amarofreitaspiano # walter smetak dos mendigos

e a playlist!