na corda bamba com a estrela solitária

Em uma de suas crônicas mais fabulosas, o vascaíno João Ubaldo Ribeiro contou como na Copa de 58, durante o duríssimo jogo do Brasil contra o País de Gales, ele foi ao banheiro e na hora que deu a descarga, saiu o gol da vitória do Brasil. No jogo seguinte, mais uma ida ao banheiro, mais um gol do Brasil. E foi assim que ele passou os dois últimos jogos daquela copa no banheiro, dando descarga, e foi por isto que seu pai, precavido, reformou o banheiro e colocou uma descarga mais rápida para a Copa do Chile em 62. O Brasil foi Bi. Em 66, na Inglaterra, João Ubaldo não estava na Bahia ao lado do pai e morreu se lamentando por isto. Botafoguenses costumam ser mais supersticiosos que baianos e vascaínos. Ninguém vence o Botafogo em crendices e superstições. O Botafogo é o sobrenatural de Almeida, personagem do tricolor Nelson Rodrigues em estado bruto. É o 13 do Zagallo, o 7 do Jairzinho. O historiador, professor, escritor e macumbeiro Luiz Antônio Simas, por exemplo, é um ululante botafoguense. Minha comadre Tissi me contou uma vez, a história de um primo pé frio, que sempre que ligava o rádio o Botafogo perdia. Numa decisão, foi proibido por toda a família de chegar perto de seu radinho de pilha. O Fogão vencia e tudo ia bem, ninguém notou a ausência do primo. No final do jogo, o alvinegro levou uma virada e descobriram o primo nos fundos da casa, chorando com o rádio grudado no ouvido. Na Copa de 94 eu tinha uma tv de 14 polegadas, sem controle remoto, o botão de volume só conseguia ser acionado com um pedaço de papelão e mesmo assim, assisti todos os jogos em frente dela. Vamos lá em casa, tem um telão gigante, cerveja…Não. Uma amiga que apareceu em cima da hora no único jogo que empatamos, foi proibida de voltar. Nas últimas copas, deixei minhas crendices de lado…Nas últimas semanas resolvi recolocar elas em prática. Assisti Botafogo e Palmeiras sozinho, no canto da sala, zapeando a tv entre um filme de ação muquirana e o sofrimento estrelar. Palmeiras ataca, mudo pro The Rock, gol do Botafogo. Palmeiras ataca, vou pra Rebeca Ferguson matando uns 150 inimigos, gol do Botafogo. Final: Botafogo 3×1 Palmeiras. Repeti a dose na final da Libertadores, no domingo, no jogo do Grêmio contra o São Paulo (ganhou e escapou do rebaixamento, e pra quem não sabe, eu sou um gremista-botafoguense, assim como o Antonio Grassi e mais uma penca de mineiros são atleticanos botafoguenses) e no jogo contra o Inter. Esta semana foi aniversário do meu amigo Luis Antonio Silveira, produtor ninjalino e ilustre torcedor do glorioso. Olha, vou fazer uma moqueca capixaba, o Marcos Nogueira vem, vamos conversar, etc, etc. E eu precisava mesmo conversar com o Luis Antonio, um dos últimos representantes da carioquice velha guarda, no que isto tem de melhor. O almoço foi ontem. Acordei bem cedo pensando se ia lá, dar um merecido abraço no meu amigo, comer bem, rir, falar bobagens e tudo mais. Passei as primeiras horas da manhã matutando e no final, resolvi dar ouvidos ao meu personal sobrenatural de almeida, mandei uma mensagem caô de que fiquei sem babá pros guris (embora isto fosse verdade) e fiquei sentado no mesmo lugar, controle remoto na mão, e entre os olhos azuis da Michelle Monaghan e a correria do Luiz Henrique, o Botofogo conquistou o tri do brasileirão! Acho que o Luis Antonio vai me perdoar. Na Corda Bamba 133 tá na rede com capa tri desenhada pelo Vicente. Quem quiser apoiar, este blog torto e campeão em bipolaridade, assine nos botões vermelhos lá de baixo, ou faça um pix de qualquer valor para a chave fabpmaciel@gmail.com Saravá!

o time campeão:

BOTAFOGO (Técnico: Artur Jorge)
John; Mateo Ponte, Adryelson, Marçal e Alex Telles; Gregore e Marlon Freitas (Allan); Luiz Henrique (Rafael), Savarino (Matheus Martins) e Thiago Almada (Tchê Tchê); Igor Jesus (Tiquinho Soares).

foto: lance!

já é, já foi, já era:

*Renato Portaluppi fez muito pelo Grêmio. Muito obrigado. Mas agora é hora dele deixar a sua estátua descansar.

*No início do ano 2000, quando dirigi a série personagens do futebol, os torcedores mais marrentos que encontrei torciam para o Atlético Paranaense. Eles tinham vencido um brasileirão na série B e outro na série A. Mas todos eram unânimes: somos foda, estamos nos preparando para ser o maior time do Brasil e piriripororó…Nos últimos anos, a torcida do Atlético exibiiu inúmeras vezes, faixas de apoio ao Sérgio Moro e à turma bozozóide golpista. Ontem o Atlético Paranaense foi rebaixado. Snif…snif… o bolsonarismo, definitivamente, não faz bem à porra nenhuma, nem ao futebol.

LINKS! LINKS! E MAIS LINKS!

05 livros de futeboleiros botaguenses:

*Botafogo, entre o céu e o inferno, Sérgio Augusto

*O Gol é Necessário, Paulo Mendes Campos

*As 100 melhores crônicas comentadas, João Saldanha

*Histórias de Futebol, Sandro Moreyra

*Os Três Tempos do Jogo, Sérgio Monteiro Souto

a playlist # 102:

balacobaco

Uma playlist destrambelhada pra sacudir a segunda-feira:

começando com aboios e martelos e mais: chico buarque+ bnegão+ the allergies # curtis mayfield # jorge ben # lila # forró in the dark # AMASSA # radiola serra alta # chico correa # theodor # gabor zsabó # carlos malta e pife muderno # flora purim # silvia machete # hakumba # anelis assumpção e geovana # caçapa # neil young # the feelies # alton ellis # juçara marçal # ava rocha # charlie haden # baden powell # morris # jaijiu # mara braga # chapell roan # charlie e os marretas# the bongo hop # edu k # rogerio skylab # erasmo carlos # ed motta # bob & marcia # don cherry # erma franklin # marvin gaye # the lounge lizards # premeditando o breque # mongo santamaria # joão donato e jards macalé # jaharia massamba # zá! afro hooligans # janjão

pará na veia!

e a playlist !

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