Em algum lugar do mundo existe uma fábrica de filmes de natal. É uma espécie de pizzaria que fornece flocos de neve, trenós, mamães loiras, papais animados, filhas alisadas e filhos bem barbeados. É quase uma festa de fim de ano do Bradesco, só que com gente do norte do Equador. Os roteiros são mais ou menos assim: mamãe ganso não pode perder o torneio de decoração natalina para a vizinha Mary Ellen, aquela messalina hippie. Bob filho está infeliz na cidade grande e descobre que sua alma só será plena quando ele voltar para sua amada e pequena cidade de Little Wet Chick. A filha Gale não sabe o que fazer para se enturmar com as cheerleaders rebolativas e o pequeno Joe só pensa em congelar seus ramsters no laguinho da praça. No final as renas chegam, todos trocam abraços, beijos e presentes. Aí você troca de canal e tá passando um outro filme, com um elenco mais ou menos parecido, numa cidade mais ou menos parecida, no caso, a pequena e pacata cidade de Smallhole, onde mamãe Cindy, uma ex-hippie desiludida descobre que só é feliz quando vence o torneio anual de decoração natalina e, supremo prazer, quando chafurda na cara de sua vizinha Peggy Sue, uma republicana que garante o orçamento como revendedora da Amway. Enquanto isto aqui na Saúde, o boteco da esquina manda ver no espetinho com forrópornô, o vizinho da casa ao lado faz um churrasquinho regado à Maraisa e o tiozão do décimo primeiro, aquele que coloca a bandeira do Brasil na varanda, se lamenta com o porteiro porque os detentos do 8 de janeiro vão passar o natal no xilindró. O porteiro, eleitor do Lula, ouve calado e finge concordar com tudo. E no terceiro andar, eu tive que tirar a bandeira do Botafogo da varanda, porque dona Miriam gosta muito de enfeitar a casa pro natal. Natal é assim mesmo: sobrenatural, anormal, desigual. E o velhinho quase sempre vêm. A corda bamba deseja um feliz natal pra todo mundo! Mas fica a dica: sexo com renas faz mal à saúde! Avante Macacada!

links! links! e mais links!
poesia anti bozozismo (dica da ana bellotto):
lucio agra me mandou esta mensagem: ouça este disco. todas as composições dos alunos da Licenciatura de Música Popular e de Produção Musical. ouvi, coloquei duas faixas na playlist e vai aqui um pouco mais sobre a parada:
Que disco você daria de natal? márcio pinheiro e cássia zanon, a dupla do amajazz ouviu as dicas de uma penca de ninjas (eu no meio, me achando). vale como uma discoteca básica:
impossível não ser feliz com o baixo de thundercat com a turminha do yo gabba gabba no tiny desk. confira aos 8 minutos do vídeo:
tiny desk korea!
beatles 64!
na playlist # 104
Uma playlist de natal sobrenatural com The Beatles # Ramones # Simone # Felipe Poeta e Luedji Luna # Za! Perrate # Lorenzo Soria # The Smile # Kit Sebastian # Lauiz # Sad Piva # Hugo Montenegro (dica do Zeca Azevedo) # Stevie Wonter # Yo Gabba Gabba # Lee Heemoon # The Clash # Traffic # Gilberto Gil # Khruangbin # Marvin Gaye # Al Green # Erasmo Carlos # The Staple Singers # Broken Lip # The Gardener # Jorge Benjor # James Brown # Vince Guaraldi # Ella Fitzgerald # Bill Whiters # John Jazz# Georgie Greep # Paulo Moura # João Bosco # Dora Morelenbaum # Céu # Freak Power # David Bowie # Sheet and Shine # Poly Styrene # Gil Scott-Heron # Anjos do Inferno # Ottis Redding # Paul McCartney # John Fahey # Dorival Caymmi # Paulinho da Viola # Clementina de Jesus # Container # Kraftwerk

Beatles 1964, documentário produzido por Martin Scorsese aproveitando as imagens que os irmãos Maysles fizeram na primeira turnê da banda nos Estados Unidos em 1964, pouco tempo depois do assassinato de Kennedy. Histeria, gritaria, choros compulsivos, moças tentando arrancar qualquer coisa, de fio de cabelo à botão de camisa. Tem depoimentos emocionantes de fãs que foram aos shows em Nova Iorque, ou que assistiram pela tv no Ed Sullivan, que teve na época, a maior audiência da história. Uma mulher conta como até hoje, em qualquer ocasião, seja onde ela estiver, se alguma música dos Beatles está tocando, pode ser uma versão muzak do Paul Mauriat, ela não consegue deixar de prestar atenção na música. Tem também Smokey Robinson falando do orgulho de ter tido uma música dele gravada pela banda, e de como eles foram os primeiros a confessar que eram fãs incondicionais da música negra americana. John Lennon, em uma entrevista feita dez anos depois foi categórico: a histeria dos pais era porque tocavam música negra. Só que tocávam como brancos ingleses, então, apesar de tudo, eram tolerados. Ainda sobre o filme, os irmãos Maysles, que acompanharam a banda na turnê, também fizeram o documentário sobre os Stones, na fatídica turne de Gimme Shelter. Ou seja, foram do love me do ao sonho acabou em 5 anos. Dia destes no táxi tava tocando Tô Voltando.Tinha esquecido de como este samba é bom! Que arranjo da pesada, que vai crescendo, crescendo e no final tá todo mundo cheio de rebolation no pé e na alma. Esqueçam o preconceito com a Simone (ou com o que ela virou). É natal. E esta gravação é tiro na asa! Se der, mande a criançada pra casa da vó. Duas maravilhas contemporâneas: Lauiz em Baby, me bota dentro do microondas e Sad Piva com sua mototáxi (dica do choque de monstro Lucio Agra): mototáxi também precisa ser amado, a minha gasolina é você aqui ao meu lado.

no mais aproveitem porque tem canções natalinas com james brown, ella fitzgerald, vince guaraldi e ramones! feliz natal macacada! cuidado com as renas!
e a playlist!

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