Eu ia escrever sobre o CineBH, onde estive semana passada junto do ninja Di Moretti e do novo chapa Alexei Abib. Ia falar da profecia de Amós que me intrigou depois de ver um padre franciscano citando ela no sermão. Sobre o meu hd externo que pifou, sobre o metanol nos bares e a cachaça pcc-centrão que vai matar o guarda, o passarinho e milhares de incautos. Ia formular teorias sobre o diabo na carne de Miss Jones e a volta dos filmes de exorcismo e dos filmes de sacanagem com exorcismo. Ia chutar os estudantes bolorentos que querem fazer culto no campus da URGS e reclamar do Grêmio e do Botafogo, que não estão lá muito bem. Ia relembrar da rapidez com que nos anos 70, a Boca do Lixo fazia filmes de ocasião, filmes com olho no lance pra perceber o que estava faturando, filmes como Bacalhau, O Beijo da Mulher Piranha, Histórias que Nossas Babás não Contavam (com Adele Fátima gloriosa no papel de Clara das Neves) e muitas outras paródias oportunistas. Ia indagar por que os milionários do cinema americano ainda não se movimentaram para combater a tragédia que está sendo a administração Tramp. Com obras, não com discursos, embora, eles ajudem muito. Cadê o filme ridicularizando o ICE? Cade a tragicomédia sobre a lourosa 171 karoline leave it her alone forever, de preferência em algum rincão distante e deserto do bible belt? Pois eu ia falar disto tudo e também do Lulão das massas distribuindo paçoca, charme e veneno na ONU, mas aí eu fiquei sabendo que o Jorgen Leth, um dos cineastas mais importantes que conheci se foi. Quando digo conheci, é porque o conheci mesmo, graças ao meu amigo escocês rabujento e voador Andrew Downie. A ficha do Jorgen (dinamarquês, poeta, cineasta, pensador) eu coloco lá embaixo. E repito aqui a corda de 16 de março de 2023, onde contei como foi o encontro e o filme que fiz sobre ele, junto com as montadoras Joana Collier, Jordana Berg e Nina Galanternick.
Saravá Jorgen!
Abaixo, o texto de 2023 e outras coisas mais, como a super matadora destilada sem veneno playlist.

Por que o dogma 95 é ki suco pra cineasta brasileiro? Por que o brasileiro tem medo de lidar com a tragédia, apesar de viver boa parte da vida dentro dela? Por que cinco obstruções não fazem nem cócegas para quem vive na corda bamba? Como fiquei chapa de um cultuado diretor dinamarquês.


Em 1995 dois cineastas dinamarqueses, Lars von Trier e Thomas Vinterberg lançaram um manifesto onde colocavam uma série de regras, limites e normas técnicas para se fazer um filme. Algumas regras que eles propunham: sempre filmar em locação, jamais em estúdio; usar sempre som direto, música só se ela estiver realmente tocando, num rádio ligado ou num toca-discos girando em cena. Trilha sonora original era proibido, assim como também era usar luz artificial e colocar a câmera no tripé. Efeitos especiais levavam cartão vermelho antes mesmo de serem cogitados.

Como em todo bom movimento que pretende brincar de vanguarda, os autores do Dogma 95 souberam a hora certa para lançá-lo e fazer barulho: a comemoração do centenário do cinema em Paris, em 1995. O Dogma também trazia junto com ele as contradições de quem quer matar o pai e a mãe e continuar mamando. Queria resgatar a importância do diretor, mas este não podia assinar o filme. Queria resgatar a liberdade de se fazer filmes baratos, como os da Nouvelle Vague, mas ao contrário dos franceses, que pregavam uma liberdade total de linguagem, o Dogma impunha uma série de restrições e limites.

O grande lance do Dogma, mesmo com as contradições, é que seus integrantes sabiam como utilizar aquele jeito meio estúpido de ser e de viver para propor questões éticas no modo de fazer cinema. Uma pegada punk onde se podia mandar à merda aquele fela do estúdio que só sabe produzir blockbusters pra garotos espinhentos. Onde os filmes tem a obrigação de causar desconforto, mal-estar e a criatividade nunca está à reboque do orçamento. Tá certo que qualquer produtor, seja de blockbuster ou não, gosta de criativos de baixo orçamento. Mas criativos de baixo orçamento e de baixo calão ao mesmo tempo, produtores costumam não curtir muito. Espertos, os caras do Dogma conseguiram arrancar um aumento de quase 70% da verba destinada para cinema pelo governo dinamarquês. Um governo que entendeu que era melhor ser visto e falado, mesmo que pelo lado podre, do que ser esquecido. Ser ou não ser, manjam? Pro nosso azar, por aqui, salvo as honrosas e as não honrosas exceções, sempre se fez filmes baratos. Com pouca ou sem nenhuma verba. Com ou sem dogma. E por aqui viveu um sujeito que de vez em quando andava com uma cabra amarrada na coleira, e este sujeito dizia que paisagem é verba.

E o cabra que disse que paisagem é verba também disse que “a família é o inferno de todos nós”. E foi a primeira pessoa que eu lembrei quando vi Festa em Família, o filme de estreia do Dogma, dirigido por Thomas Vinterberg. Uma tragédia familiar dinamarquesa, onde o rendevu acaba num tremendo fudevu, e se tirarmos a falta de sutileza e a capacidade nórdica de dizer as maiores atrocidades sem mover um músculo, é uma tragédia que poderia ter rolado no Irajá, no Méier, no Bixiga ou no Lago Norte. Manjem a sinopse: Na festança de aniversário do patriarca rola a volta do filho rebelde, barraqueiro, bebum e indesejado, rola o irmão mauriçola sapatênis, a irmã reprimida e a mãe que finge que não viu o big daddy brincando com a filha e com o filho, rola a rôla e rola que ninguém consegue esquecer da irmã que se matou. Uma lavação total e absoluta da pior roupa suja possível. Sem nenhuma condescendência. E tudo isto, com aquela qualidade ruim da imagem digital dos anos 90.

Festa em Família foi uma porrada na cara e pouco depois vieram Os Idiotas do Lars von Trier e Mifune, de Soren Kragh-Jacobsen, com a linda Iben Hjejle no elenco. Stephan Frears também achou o mesmo e convidou a moça pra ser a namorada do John Cusack em High Fidelity. E ela topou, claro, porque dogma é coisa de diretor que tem tempo pra perder com questões fundamentais como a obrigatoriedade do filme ser sempre colorido e com cópia em 35mm. Ator quer atuar, ator quer papel.

Dizem que até os anos 40, as peças de teatro brasileiras eram, em sua grande maioria, comédias, como os musicais, as revistas e o teatro rebolado (um nome maravilhoso, aliás). Na outra ponta estavam os grandes melodramas, na linha vale de lágrimas, que o Nelson Pereira sacou quando foi contar a história do cinema da América Latina. O teatro, o cinema e a música se ancoravam no riso e no deboche, ou no dramalhão, na cornitude, na dor de cotovelo. Na verdade nua e crua, na vida como ela é, só muito de vez em quando. Até aparecer o teatro de Nelson Rodrigues que já sabia desde que Moisés cruzou o mar Vermelho, que dentro das quatro paredes das casas da Tijuca, a vida em família era bem diferente das fotos coloridas publicadas na Revista O Cruzeiro. E pela primeira vez, a roupa suja era lavada nos palcos.

Uma coisa puxa outra e eu tinha uns amigos escoceses, e toda sexta-feira a gente ia beber no Jobi e uma jornalista americana, que sabia que eu tinha uns amigos escoceses me disse que ia chegar um correspondente escocês, que tinha morado no México e no Haiti, e que ela ia fazer uma festa e que era pra eu convocar os escoceses do Jobi e foi assim que ficamos amigos do Andrew Downie, o escocês que não bebe em doses industriais e que um certo dia me disse que ia chegar no Rio um amigo dele, um cineasta dinamarquês que morava no Haiti, que ia filmar na cidade, e que ele queria me apresentar pro cara, e marcamos um encontro no Jobi, onde bebemos bastante e depois rolou mais um encontro na minha casa, outra bebedeira, ele viu uns trechos da Vida é um Sopro, que não estava pronto ainda, ele falou que o Tom Jobim tinha feito trilha pra um filme dele nos anos 70, e falou isto sem querer se exibir, e como falamos muito mais de música do que de cinema, eu passei aqueles encontros sem ter absolutamente nenhuma noção de quem era exatamente aquele cara. Que me convidou para ir pro set com ele, na Lapa, mas eu achei que ele era apenas mais um gringo filmando bundas e putas tropicalientes e não dei muita bola.

Meses depois, não lembro por que, num meio de semana fui tomar o café da manhã no Jobi, e eu tava lá, despreocupado lendo o JB quando me deparo com a manchete na capa do Caderno B dizendo que Lars Von Trier estava lançando em Cannes o filme que ele produziu para homenagear o diretor que mais admirava: Jorgen Leth. E eu disse, caralho! O amigo do Andrew, o cara que me convidou pra ir pro set dele e eu recusei porque achei que era só um gringo putanheiro! E que provavelmente nos entendemos bastante porque falamos muito foi de música e não de cinema.

O filme se chamava Cinco Obstruções, e a sinopse dele na página do MUBI diz assim: Uma jornada investigativa sobre o fenômeno da cinematografia em que o cineasta Jørgen Leth refilma não uma, mas cinco vezes, seu próprio curta-metragem The Perfect Human, cada vez dentro de uma série de diretrizes e limitações impostas pelo diretor Lars von Trier.
Lars sempre foi obcecado com o Homem Perfeito, curta experimental de Jorgen feito nos anos 60. E pediu para o próprio Jorgen recriar o filme com 5 obstruções que ele vai apresentando ao longo do processo de produção. Me lembro de algumas: as cenas terão que ter planos de pouquíssima duração, uma parte vai ter que ser em animação, ele tem que recriar na Índia, numa rua cercada por miseráveis, uma cena de um luxuoso banquete. Tenho comigo uma leitura, psicanalítica de chope quente, de que a homenagem de Lars é ao mesmo tempo tributo e vingança. Para sublimar (sublimar é palavra básica de psicanálise chope quente) a inveja, eu provoco e torturo meu mestre.

Em 2008 Jorgen voltou ao Brasil, nos reencontramos, dei uma ajuda pra ele montar sua equipe em Belém, com a Priscilla Brasil e a Jorane Castro (quem leu o post da semana passada já sabe quem é a moça) e como eu sabia que as montadoras Joana Collier, Jordana Berg e Nina Galanternick eram fãs das Cinco Obstruções, propus que elas entrevistassem o Jorgen e esta entrevista depois iria virar um documentário, onde poderíamos usar livremente as imagens de todos os filmes que Jorgen tinha feito até então.

A captação da entrevista foi na linha dogma zero noventa e nove, a linha recorrente da velha e boa miséria brasileira, do vamos lá e filmamos do jeito que der. Com equipamento emprestado pelo Piero Mancini, na casa da Joana, a montadora, não a mãe. E se eu não perco piada idiotinha, imaginem se eu ia perder a chance de aplicar algumas obstruções? Elas estão explicadas no começo do filme:
Em junho de 2008 propus às montadoras Joana Collier, Jordana Berg e Nina Galanternick que fizessem uma entrevista com o diretor dinamarquês Jorgen Leth, que estava filmando no Brasil. Depois elas deveriam individualmente editar as suas versões pessoais desta conversa, utilizando o material gravado e também cenas dos filmes de Jorgen. Poucas regras: duração de 15 minutos, nenhuma poderia mostrar sua versão às outras durante o processo de montagem e…prazo. Mas prazo é uma coisa complicada no Brasil.

A entrevista foi tranquila. Pouco tempo depois,Joana e Nina começaram a montar seus episódios. Perto de acabar o prazo, escrevi pedindo notícias. Joana mostrou seu corte, com imagens lindas dela mesma repetindo cenas de alguns filmes. A Nina fez um lance mais seco, mas também com um olhar bastante pessoal sobre os trabalhos do Jorgen. As duas, cada uma de um jeito, se aproveitaram do material para questionar e refletir sobre os possíveis caminhos que a montagem pode oferecer para se conduzir um filme.

E a Jordana não parava de trabalhar. Naqueles trabalhos com paisagem, ou seja, com verba, aqueles que ajudam a pagar as contas, a escola das crianças e os biscoitos estranhos que ela tanto gosta. Mas do nosso filme, necas. Um dia, cansada dos meus eventuais apelos à razão, para que ela voltasse, nem que fosse por alguns instantes ao mundo dos mortos de fome, ela me escreveu. Vou colocar aqui só alguns trechos, quem quiser o texto todo, que veja o filme:

“Eu entrei neste projeto de ingênua. Foi um mal entendido. Eu achei que iria editar um material produzido pelo Jørgen. Isso sim me interessava. O projeto na minha cabeça era: 3 editoras iriam editar o mesmo material do Jørgen. Mas porra, editar a minha própria imagem. Eu nunca teria aceitado isso, se tivesse entendido.
Eu tenho certeza de que fui enganada. Fui jogada no papel de diretora. Um papel que nunca desejei, aliás, que não sei desempenhar. Não tenho ideias próprias. Estou confortavelmente instalada nas ideias dos outros. Aprendi esse metier e fiquei presa nele por anos. E agora me encontro em uma prisão ainda pior. Não há nada tão ruim que não possa piorar.
Mas também que ideia idiota do Fabiano. Deve ser preguiça de fazer um filme de verdade, ou incompetência. Ou os dois juntos. Ou os dois e mais um monte de coisas…Enfim, como sair disso e ficar bem com o Fabiano? Este filme foi filmada em junho de 2008. Estamos em setembro de 2009. Tenho insônia uma vez por mês há 15 meses. Ou seja, 15 noites de 8 horas. 120 horas. Porra, dava pra editar um longa. Eu já teria me livrado disso. Mas não é assim que a gente funciona.

A mensagem de Jordana naquele momento se transformou na minha carta testamento do Getúlio. Convoquei a Alessandra Colasanti pra ler e a Tainá Moraes pra montar e pronto. Terminamos o Cutting Leth. E a Jordana Berg, continua até hoje minha amiga, vez ou outra, quando eu tenho dinheiro, coisa rara, eu chamo ela pra trabalhar comigo. E ela, a Nina, a Joana e a Tainá, são montadoras ninjalinas desde sempre.
Paz, amor, amizade e se der, um pouquinho de sacanagem também. Na corda bamba feliz da vida com a força dos chapas Cesóide e Guga Nascimento. Continuem por aqui e se puderem, mantenham distância segura de festas de família barraquentas. Domingo tem mais.
Em tempos de metanol assassino, deixo aqui o recado parati, paratodos e paratoddys: Bebam com moderação. O álcool quando batizado pelo pela turma do centrão, cega e mata! Lá embaixo tem a playlist 143, envelhecida em barris de carvalho 60 anos, uma playlist espanta mosca, espanta gripe, espanta encosto e espanta mé batizado de bolsonarento. A foto da capa mostra o rótulo da cachaça alliada, produzida durante a segunda guerra homenageando as nações aliadas, que combatiam o eixo do mal nazista (os felas de sempre da extrema direita). Quem quiser pagar uma dose para este que vos escreve, e com isto, ajudar a manter este blog rarefeito e liquefeito nas redes, é só assinar nos botões vermelhos lá de baixo, ou colaborar com qualquer valor a partir de R$ 5,00 na chave pix : fabpmaciel@gmail.com
Saravá!
LINKS! LINKS E MAIS LINKS!
CUTTING LETH, o filme completo você assiste aqui: https://vimeo.com/117103996 ou aqui
Lars von Trier não é exatamente um amor de pessoa. Tem quem goste de seus filmes e odeie o sujeito, tem quem odeie os filmes e o sujeito. Aqui um pouco sobre ele https://mubi.com/pt/specials/lars-von-trier-focus
Eu gosto muito de Dançando no Escuro, que considero um dos últimos filmes a inovar no gênero musical, embora ninguém o considere assim. Tem a Bjork atuando e cantando em cenas lindas como esta:
a página da cinemateca dinamarquesa, tá tudo em dinamarquês, mas vocês vão conseguir entender as palavras videoteket, bibliotek, biograf e butik. https://www.dfi.dk/cinemateket/bibliotek-og-videotek/videoteket
No video acima, Thomas Vinterberg explica Druk, um de seus últimos filmes.
Os trailers de Festa em Família, Os Idiotas e Mifune
A melhor biografia de Nelson Rodrigues ainda é a de Ruy Castro, O anjo Pornográfico. Ruy, de certa forma foi o responsável por apresentar Nelson, e seus textos que foram republicados na década de 90, para gerações de infelizes, que não tiveram o privilégio de poder ler direto na fonte as suas colunas em diversos jornais. O livro tá na rede, nas livrarias, nas bibliotecas, nos sites de novos e usados. Nelson Rodrigues
Andrew Downie é fã do Undertones e de futebol. Escreveu um belo livro sobre o Dr.Sócrates e hoje vive resmungando entre São Paulo e Madri, onde juntou sua touca do Hibernian com a Mari. Ele volta e meia aparece em alguma revista ou jornal por aqui, mas é certo encontrá-lo em seu twitter. é só clicar no nome dele ali em cima.
Jorgen Leth é poeta e cineasta. Fez muitos filmes sobre esporte pra tv dinamarquesa, tem um sobre o Tour de France que virou modelo de documentário. Mas se você pensou, com todo respeito, em canal off, esqueça. Jorgen filmou por todos os cantos do mundo e acho que continua na ativa. Pra suprema felicidade de sua montadora, ele entrega o material do bruto de seus filmes e parte pro próximo. Este dinamarquês gasta suas angústias em outras questões.
o trailer de Cinco Obstruções
Inspirado pelos dogmáticos vikings, o Allan Sieber criou o dogma 1 99, onde deixou as regras do dogma 95 no chinelo. aqui, o curta deus é pai: https://youtu.be/jxGudYma2s0
Na playlist # 143!
Impossível resistir. A versão original disco sempre foi matadora. Com os Stones a parada ficou mais sinistra ainda. Dá vontade de ouvir em looping. Depois é só filé. Atenção com as novas de Chrissie Hynde, de Nelson Ângelo, de Douglas Germano e com a versão bificomtutu Planet Claire do Sonido Gallo Negro.


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e a playlist # 143!

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