na corda bamba 175 verso, inverso e transverso. Uma entrevista com Helô Sanvoy

Helô Sanvoy tem fala e jeito manso. Deve ser coisa de quem nasceu em Goiás. Num dia quente e nublado de janeiro de 2024, ele pegou o metrô, depois o trem e foi nos encontrar no ateliêr de Rosana Paulino. Oficialmente, foi a primeira gravação da série Raiz, Arte Afro-Brasileira Contemporânea. A ideia era simples: Rosana faria tranças no cabelo de Helô. Enquanto isto, eles iriam conversar e eventualmente eu faria algumas perguntas. Ao longo do dia, a gente inventaria algumas situações para compor o episódio. Podia dar certo. Podia não funcionar. Esta era uma preocupação minha. Totalmente infundada. Na Corda Bamba tá na rede, numa edição caprichada, cheia de pontos altos, abismos profundos e trazendo uma playlist matadora, com balas para gregos, baianos, paulistas, gaúchos, cariocas e também goianos. A corda é para todos e para toddys.

RP: Acho que toda família preta tem alguma história a partir de trança, né? Como esse lugar da vivência mesmo. Às vezes, como um lugar de cuidado da família. Mas, às vezes é um momento de sofrimento, por ser um cabelo crespo e difícil de lidar. Que precisa ser domesticado para se ter uma vida social, né? No final de semana, é comum você ter uma irmã, uma prima, que tava tendo o cabelo trançado, e aquele ser um momento de chorar, um momento de dor, né? Nós estamos muito ligados a esse lugar da domesticação do cabelo. De ter passado muito isso na infância.  Eu não tinha um cabelo grande, mas várias pessoas da minha família tinham.  E era sempre essa visão do choro…

FM: Minha mulher costuma dizer que no Brasil só da classe média pra cima é que se tem o direito de se vestir como um mulambo, de ir numa festa de havaiana… Em famílias pretas é muito comum ter isso. A minha mãe tinha o costume de sempre deixar a gente muito bem arrumado, inclusive ela nega isso. Uma vez eu perguntei: mãe por que a gente só usava tênis branco? Não, eu sempre deixei vocês escolher. Mas na visão dela, tinha uma questão de valor no tênis branco, porque era algo usado por pessoas mais abastadas. Então se você tem uma roupa muito bem passada, tem um cuidado de estar sempre… é pra evitar essa coisa da violência, né? Você se coloca no mundo. Como na frase, que é horrível, violenta: eu sou pobre, mas sou limpinho. Minha mãe cresceu no interior. Ela não tinha tempo de cuidar do cabelo.  Então trançar o cabelo no final de semana significava que você era trabalhador. Ela conta que a minha avó cuidava do cabelo dela com banha de porco, que não tinha xampu naquele momento.

rosana e helô

RP: A sua família toda é de Goiás? Sim. Eram agregados, pessoas que trabalhavam na fazenda, prestavam serviço e também cultivavam o que precisava ali naquele ambiente, às vezes vendiam…  FM: Agricultura de subsistência. Isso. O meu contato é só com a família da minha mãe mesmo. Antes de eu nascer minha mãe morou em Anápolis e depois foi pra Goiânia, na tentativa de construir uma vida, né? Ela mudou sozinha. Nessa época ela já estava esperando a minha irmã, que é seis anos mais velha, a Luciana. Quando eu nasci começaram a chegar outros familiares. Primeiro foi minha tia Teresa, depois tia Nazinha, os outros irmãos, numa espécie de êxodo do rural pra cidade. Foi acontecendo dessa forma. Minha mãe virou diarista e acabou trabalhando a vida inteira como diarista.

RP: E a sua infância em Goiânia? Eu cresci no bairro Pedro do Vico, perto do Morro da Serrinha, que fica entre Aparecida de Goiânia e Goiânia. É um bairro de periferia. E ela nos criou com esse sonho básico, de conseguir formar os filhos, né? E ela conseguiu, né? Acho que é uma grande conquista dela. Conseguiu que a gente terminasse o ensino básico, né? E aí posteriormente, o que a gente não visava na época, foi fazer uma graduação.

FM: Você foi um dos primeiros da sua família a se formar em uma faculdade?  Eu fui o primeiro. O quinto neto do meu avô. Dos meus primos, um conseguiu terminar o ensino médio. Minha mãe frequentou por pouco tempo a escola. Mulher estudar não era costume da região.

RP: Você transforma o ato de trançar os cabelos em uma obra. Como você vai de um ato cotidiano pra ação, pro trabalho? Acho que o método está desgovernado… Para cada trabalho eu tento ver o que ele demanda, se ele precisa ter um rigor técnico maior ou não. De forma mais ampla, eu entendo que a minha pesquisa se dá muito no campo do pensamento. Eu procuro alguns nichos, e dentro desses nichos, eu procuro fluxos de pensamento que ligam esses trabalhos entre si. É impossível não falar de questões políticas, até pela formação de quem eu sou. Tem trabalhos que passam por questões políticas, raciais, mas também passam em campos do conhecimento, por questões históricas. Tem alguns conjuntos que passam pela ideia da escrita, ou pela ausência da escrita, por um certo apagamento da palavra. Os mais recentes passam pela matemática.

Geralmente tem um ponto de partida, que é o assunto, o tema. Por exemplo: o vidro. É um material que é delimitador de espaço. A ironia é que ele permite a passagem do olhar. Então ele permite visualidade e ao mesmo tempo delimita a passagem de um corpo. Quando eu começo a trabalhar com o vidro, essa é uma questão inicial, um pensamento inicial que vai dando um norte para a construção de uma obra. 

FM: O Parabrigar surgiu assim? A ideia dos tijolos com cacos de vidro veio junto com o título, chama Parabrigar. Tem essa ideia de um objeto que vem de uma ruína, que pode ser lançado num vidro e que contém um vidro quebrado. É um pouco a ideia de passar por esse elemento que delimita.

FM: A obra vem mais de uma reflexão do que de um impulso criativo, um clique… Com essa narrativa eu consigo construir um sentido interno para mim, para fazer o trabalho. Depois sim, eu permito que o trabalho aconteça, como processo. Quando o trabalho chega a um ponto de solução mental, por exemplo, esse caso do Parabrigar, que eu ia pegar objetos de demolição e replicar esse objeto espelhado em vidro, Aí eu permito um campo de manipulação que acontece na hora de fazer. Então eu começo a construir o trabalho e ele vira um exercício, de ver e pensar se está solucionado ou não.

parabrigar

FM: Você fez uma série que se inspira nos nossos ciclos econômicos, este enorme fazendão extrativista… Se você olhar o Pau-Brasil como uma árvore, você vê um trabalho.  Se você olhar ele no contexto histórico, verá outro trabalho. Eu escolhi o Pau-Brasil para minha pesquisa de mestrado, uma pesquisa histórica buscando a presença dessa história no contemporâneo. Esses materiais que eu fui colocando em gamelas, são os ciclos que tiveram maior força nos ciclos econômicos do Brasil. Ele começa com o Pau-Brasil, vai pro açúcar, passa pelo ouro, pelo café, pela borracha. A história de nosso país é uma história de violência, de exploração, que permanece até hoje. A gente vai passando por esses ciclos econômicos e chega na soja, que é fonte de desmatamentos, de destruição do solo pela monocultura, é um produto que não é vendido aqui, é quase totalmente exportado… Depois vieram outros materiais que se repetiram em outros trabalhos. A carne seca, por exemplo, que vai aparecer no sal de cura e vai aparecer na gamela.

escambo
sal de cura 1

RP: Por que você escolheu a carne seca? Sal de Cura é um trabalho que foi pensado em 2014. Tem essa relação de conservação e putrefação. Essa tentativa de manter essa carne viva. E quando eu fiz o primeiro sal de cura, quando eu peguei na carne no final do trabalho, ela estava rígida, firme. E aí, eu comecei a pensar nessa referência do sal de cura mesmo, de uma carne que está nesse processo de resistência, de luta pela vida, de se manter. O sal em contato com a carne provoca desidratação e a conservação. Em contato com o metal, ao invés de conservar, ele começa a oxidar e a corroer. São reações químicas. Ele conserva em um, corrói no outro. E eu usei isso como um processo de construção de possibilidades poéticas.

sal de cura

FM: A poética está nos títulos dos trabalhos também. O título não está nomeando, ele está acontecendo.  Num trabalho como Parabrigar, que é escrito tudo junto, que são os tijolos que eu citei, você pode tanto ler Para abrigar como Para brigar. Tem um trabalho que chama Pau de Fogo, Pau de Tinta, uma munição que fica só a cápsula. É uma bala, um projétil que geralmente é feito de chumbo substituído por um projétil feito de Pau-Brasil. Pau de Fogo, Pau de Tinta são nomes presentes em documentos oficiais do Brasil Colônia e Império. Existem documentos que falam: pagar a dívida tal com tantas toras de pau de tinta, ou pagar a dívida com tantas toras de pau de fogo, pensando no significado da palavra Brasil.

FM: o eiro veio disto também? É um tecido feito de algodão, um dos produtos dos ciclos econômicos, escrito eiro com cera de abelha pigmentada com pau Brasil. E um conjunto de profissões que tem a terminação em eiro: marceneiro, carpinteiro. De atividades como negreiro, que eram as pessoas que faziam tráfico de escravizados. E tem a palavra Brasil, que completa com brasileiro, que é uma terminação de profissão. Aí a gente consegue entender que até o patronímio nosso é derivado de trabalhadores, não é brasiliano, como deveria ser, é brasileiro, que eram as pessoas que trabalhavam no Brasil.

eiro 1

FM: Você começou sua carreira de artista em Goiânia? Eu comecei trabalhando no Grupo Empresa, um coletivo de performance de Goiânia que foi formado em 2001 por professores e alunos da FAV, que é a Faculdade de Artes Visuais da UFG.

FM: Você tem uma performance que é bem radical “em peloEu lido com o meu corpo e tento realizar dentro das possibilidades do meu corpo.  Nessa performance eu fico na horizontal, sendo sustentado pelo cabelo trançado no couro. Então, teve antes um período para ver se era uma ação realizável, se era possível ficar pendurado daquela forma, se o pescoço aguentaria, a posição da mão e como precisaria ser a trança. 

FM: E Refazendo Mitos? É confronto. Foi uma ação pensada em 2019, quase um ano antes do Borba Gato. Naquele momento estavam acontecendo as manifestações no Chile. E teve aquela foto famosa da bandeira Mapuche Você lembra dessa foto? obs. a foto de Susana Hidalgo que ficou famosa

bandeira mapuche

Aí eu comecei a pensar um pouco na figura do bandeirante, porque Goiás surge a partir desse movimento dos bandeirantes para o interior. No Refazendo mitos eu coloco fogo na escultura do Anhanguera que se chamava Bartolomeu Bueno da Silva, e que é considerado um dos fundadores de Goiás.

Existe uma narrativa que mistura mito e realidade. A origem do nome Anhanguera, ela acontece quando Bartolomeu estava na região que mais tarde se tornaria Goiás. Ele encontra alguns indígenas chamados goiáses e ele percebe que esses indígenas usavam algumas peças de ouro como ornamento. Esse bandeirante conversa com os índios, pede permissão para cruzar o território e também tenta assuntar, onde eles teriam encontrado aquele ouro. O pedido é negado. Para convencer os indígenas, ele pega um pouco de cachaça, coloca numa vasilha, diz que é água e coloca fogo. E ameaça colocar fogo nos rios da região se o desejo não for atendido. Os indígenas são escravizados e ele ganha o nome de Anhanguera, que significaria diabo velho.  Existem várias outras narrativas sobre a origem desse nome, ou desse acontecimento. Ela é contada em pinturas, poemas.  Posteriormente esse primeiro bandeirante passa a alcunha pro filho, que acaba fundando Goiás Velho, a primeira capital de Goiás. 

detalhe do anhanguera de theodoro braga, 1930

Esse fogo do bandeirante traz uma ideia de charlatanismo, do truque, da falsidade, da colonização, com uma possibilidade de um fogo que já existia ali na região, que é visto muitas vezes como uma entidade, que seria um fogo sagrado.  Então quando eu vou lá pra botar fogo, a intenção é fazer referência a esses dois fogos.

FM: E você conseguiu? Eu percebi que tem uma base móvel da polícia.  Eles ficam uns 5, 6 metros da escultura. No Trianon. Eu não queria que ninguém que me acompanhasse, eu estava disposto a assumir um BO sozinho depois. Eu tentei umas cinco vezes até conseguir um momento que a polícia estava dentro da unidade móvel, para eu ter tempo de conseguir colocar fogo rapidamente e sair. E as filmagens foram feitas com celular. Assim ninguém pareceu cúmplice. Outra coisa é que na Paulista estava aumentando muito a quantidade de moradores em situação de rua. E alguns dormiam ali em volta da escultura. Na filmagem, dá para ver que atrás tem uma barraca montada. E aí isso me fez diminuir o fogo para não gerar riscos Então já fui com uma quantidade grande de pano encharcado em querosene. Combinei com o pessoal que queria registrar para ficar esperando no ponto de ônibus que tem perto. Eu conseguir fazer, acho que era dia 1 ou 2 de fevereiro de 2020.  Nesse período, alguns artistas começaram a aparecer também, fazendo o mesmo tipo de intervenção. Acredito que já existia um certo espírito de época já apontando para essa questão.  Uns 4 meses depois, teve um incêndio do Borba Gato.

FM: O que você achou do incêndio do Borba Gato? Acho que foi foda. No fim das contas, aqui no Brasil todo mundo morre e passa bem, né? Todo mundo vira gente boa, olha, lá vem o Adolph (se ele fosse daqui), gente fina… Tem umas questões que são próprias do nosso país, que precisam ser repensadas…Se as pessoas que são oprimidas no Brasil fossem agir de acordo com a violência que sofreram e sofrem… Estaria tudo pegando fogo.

RP: Como foi mudar de Goiás pra São Paulo? Eu comecei a me sentir mais goiano. Comecei a perceber a presença de Goiás em mim, de uma forma que eu não percebia antes. E as coisas que passaram a me chamar atenção aqui. Por exemplo, essa obsessão com o vidro temperado.  Um dia, eu tava olhando o Muro de vidro da Raia Olímpica da USP. Já tinha lido alguma história sobre a construção, que tinha sido conflituosa, que aconteceram manifestações falando sobre a fortuna que custou, dessa estética de shopping que estavam levando pra lá…E me veio em mente o trabalho do Paulo Freire. Um vidro que quebra pela trepidação dos carros que passam. A ironia do material está muito aí.

quase tangível

FM: uma ironia que tem no parabrigar Quando eu penso no tijolo, eu penso que ele poderia ser jogado numa vitrine durante uma manifestação que partiu para uma situação de violência. É um objeto que tem essa latência da ação, é um objeto quase que performático.  E na exposição do Paço Imperial, por exemplo, eu fiz uma instalação de quase 50 peças. E deixei o trabalho disponível para o público levar embora. Não como doação, mas entendendo que esses objetos estariam passíveis à escolha de quem pegou ele, de guardá-lo ou de algum dia lançá-lo. 

FM: Ou seja, pegue para jogar no próximo ônibus, na próxima vitríne, na próxima agência bancária.  Ele é ambíguo, né? Porque essa ideia do abrigar, você pode deixar ele em casa, ele pode fazer parte da sua casa, da sua construção e ter essa relação, assim, tanto de confronto como de conforto, né?  Então, nesse sentido, ele é um objeto tridimensional, mas aponta para uma certa performatividade.

FM: Vamos entrar num vespeiro. Arte Afro-Brasileira. Ela é política? Eu acho que, de início, a gente tenta só viver a vida da gente, quer arrumar nossas coisas, para cuidar das nossas questões e tudo mais. De repente, a gente se depara com questões que o mundo está jogando sobre nós. não tem como não ser política.

Helô abre um pequeno livro e apresenta para nós. Esse é o trabalho Três Poderes. Ele funciona basicamente na junção de dois livros. Primeiro livro: uma Constituição Federal Brasileira. Segundo livro: o Novo Testamento, que é uma edição que foi distribuída no Brasil em escolas públicas, ao longo dos anos 80-90 pelos jedeões. Então é um trabalho que brinca um pouco com a ideia dos Três Poderes e a trindade cristã e a confusão entre um Estado laico e religiosidade.

FM: Isso aconteceu na sua escola, por exemplo? Sim, eu recebi umas três dessas na escola.

Helô lê um trecho da bíblia: Onde procurar auxílio agradecido, amargurado ou crítico, desencorajado, deprimido, angustiado, ansioso, ausentando-se do lar, cansado, enfermo, na dor, enfrentando a crise, em dificuldades, desviado. 

E depois prega uma bandeira na parede e lê: Na manhã que se inicia, escolha a bandeira e renuncia. Uma das minhas preocupações com a situação política atual não está unicamente fundada nas decisões que serão tomadas pelo eleito nos próximos anos, mas em questões históricas que, há algumas décadas, foram sendo passadas camufladamente de geração em geração, como uma semente plantada, emudecida em território fértil, silenciosamente em tradições conservadoras. O brasileiro, como homem cordial que é, tem neste momento a possibilidade de externalizar, com todo seu cardio, vosso, corpo, valores, tudo aquilo que estrutura o Brasil como uma nação de guetos, declaradamente, legalmente, religiosamente, patrioticamente, economicamente, historicamente, gueto. É bom que cada um se coloque no seu lugar para que tudo funcione perfeitamente bem. Marielle Franco foi alguém que cometeu a audácia de sair dos vários guetos que ocupava. O gueto da mulher, o gueto da negra, o gueto da lésbica. Rafael Braga foi condenado por ser negro e por ser pobre. O mesmo, se deu com Cirleudo Cabral Monteza Manchineri, indígena de um ano de idade, morto com um tiro, mesmo antes de tomar conhecimento, que não teria terra para viver. O que temos aqui não é a obra do acaso, uma justiça esporádica ou um devaneio político. Temos exemplos do que a estrutura à base social brasileira, o avião do voo para o progresso foi abatido no centro-oeste. Quando se fala na possibilidade de escolha da bandeira para uma efetiva renúncia, na manhã que se inicia, escolha a bandeira e renuncia, fala-se da negação da impossibilidade de escolha do local de nascimento. A pátria, desde ser o local de nascimento e passa a ser o local de manifestação, manifestação como modo de ser publicamente, não apenas como nação, território geográfico, naturalidade, mas como modo de vida, de cultura, de vir a ser.  Quando Cildo Merelles traz no trabalho Sal sem carne uma outra perspectiva para ideia de gueto, na qual o gueto deixa de ser o local dos que estão à margem social e passa a ser protagonista da sua própria cultura, provoca uma inversão em que o gueto passa a ser autônomo, produtor de cultura e de informação. A história do negro no Brasil não nos revela isso? o que é o samba, senão o canto de liberdade dos oprimidos. Cantado hoje como um supra-sumo da cultura, cantado inclusive pelos que oprimem? Ou mesmo a capoeira, não seria um exemplo? Ou grande parte da base da alimentação brasileira, não é indígena? O Brasil é uma nação de guetos. Negros, mulheres, LGBTs, pobres, comunidades, indígenas, mães, solos, trans, operários, declaradamente, legalmente, religiosamente, patrioticamente, economicamente, historicamente, Gueto.

Na tarde de sexta que termina, eu encerro esta corda e vou pra rua. Vejam os episódios da série RAIZ, no Canal Curta! https://canalcurta.tv.br/

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As imagens desta edição são de Reynaldo Zangrandi e as fotos dos trabalhos foram cedidas pelo Helô.

Saravá!

Abaixo tem mais corda pra dar e vender.

no meio da corda tem um cara que gosta de resmungar:

Derrite está derretendo

e viva o rei das rimas óbvias. Ontem ele jantou com Eduardo Cunha e com Arthur Lira. A direita é óbvia.

A direita tá no desespero.

Tarcisio vai precisar de muita pomada Minancora pra disfarçar suas conexões com a turma do pcc, faria lima, fintechs e outras mumunhas mais. Só emplaca na jecalândia do agro. Por falta de coisa pior.

tarcisio é um chinelão obtuso.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse nesta quinta-feira, 13, que o mercado está cada vez mais “desapegado” do diploma. Na opinião do governador, a formação no ensino superior está perdendo a importância. “O diploma cada vez tem menos relevância”

no metrópolis jornalismo é assim: o teu pai é minha tia

e minha vó era avião do pó do ex cunhado do irmão que comia a nora da prima que uma vez deu oi pro lula.

dilemas lucianohuckianos:

ser ou não ser tarcisiovald…ser ou não ser derraite…ser ou não ser arthur laira…ser ou não ser edward cunha…acho que preciso ressignificar alguém. só não sei quem…

Um advogado enzolino

defensor dos militares golpistas recorreu ao Senhor dos Anéis pra inocentar seus clientes. Eu fico com o Rolando Lero:

O ex-diretor do banco central agora também é colunista da Folha.

Jornalões adoram liberar a rosca pra burocratas do mercado. O atual jurista (defensores de juros altos não são economistas, são juristas fariseus) do nubank disse em sua coluna invertebrada que taxar os ricos é taxar o sucesso. com todo respeito, vai cagar no mato!

Paula Lavigne postou seu apoio à PL do bozolino dr. Luisinho.

Procurei saber porque. Mais do que os argumentos frouxos, fiquei surpreso com a quantidade de congratulations, de likes, de força guerreira, tamu junto e outros bens que tais…Enquanto peixe muito pequeno na cadeia alimentar do cinema nacional, acho que a defesa feita por Lavigne (e também por outros peixes grandes) sem exageros, a mesma que usaram pra justificar a abertura lenta e gradual do Geisel ou o adiamento do fim da escravidão… Enquanto peixe muito pequeno da cadeia alimentar do cinema nacional, sigo achando que no metiê, farinha pouca, meu pirão primeiro.

arsubanipal e o tamanho do pau:

Rádio Escafandro é de longe o meu podcast favorito. O episódio do final de outubro, episódio de pica, contou a inacreditável história de um médico do interior gaúcho que administrou com práticas consideradas ilegais, um aumento de pênis em um de seus pacientes. O bagual bateu o recorde mundial e o sujeito ficou com uma chumela de 28 centímetros, o médico foi cassado, mais tarde, um outro médico foi assassinado, descobriu-se que o mandante tinha sido o dr.manjuba, que puxou um ano de cana, estudou direito, virou advogado, foi prefeito de sua cidade, e hoje, segundo ele, vive a vida de um ser espiritualizado, é mestre em reiki e outras práticas orientais. Enfim, uma legítima história do caralho. E o episódio segue discutindo se tamanho é documento, se a mulherada realmente se importa com isto, entrevista médicos, cientistas, etc, ficamos sabendo que 80% dos homens acham que tem o pau pequeno e que casos de micropênis são raríssimos. No fim, o incansável Tomás Chiaverini faz o discurso do descontruído, de que não podemos cair nas armadilhas de se divertir com as acusações de bananinha, que quando fazemos isto estamos agindo como os fascistas, etc, etc. Ok, Tomás. Te entendo. Mas nesta, não estamos juntos. Felas da Puta merecem ser sacaneados. Coincidencia ou não, esta semana descobriu-se que Hitler tinha um pau do tamanho de uma minhoca, consequência de uma síndrome rara, a síndrome de Kallmann, que reduz a testosterona e deforma os órgãos sexuais. Na hora pensei, caralho! Quem sabe se ele não fosse um minipica, talvez o mundo não teria sido um lugar melhor. No mesmo dia, Anderson França, que não dá bobeira, tascou:

Quem me ensinou a nadar não foram os peixinhos do mar…

li no brasis, https://brasis.ajor.org.br/

A professora Zuleide Queiroz (PSOL-CE) tornou-se a primeira parlamentar negra da Assembleia Legislativa do Ceará, ao substituir o deputado Renato Roseno. O Negrê ressalta que a chegada da professora ao Parlamento ocorre em um momento carregado de simbolismo, o Mês da Consciência Negra. Pedagoga com pós-doutorado e trajetória em direitos humanos, Zuleide leva a agenda racial ao centro do Legislativo cearense. “Estar na assembleia significa enegrecer aquele espaço. Serei a primeira parlamentar da Casa com um mandato focado na questão racial. A população tem o direito de ver uma mulher negra representando essa pauta. Não é apenas sobre mim, é sobre abrir caminhos, ocupar espaços de poder e dar visibilidade à presença de mulheres negras”, afirma.

Guilherme Vasconcelos, o mito, mandou pra corda: gelo tímido e speaker man kickboxer emoldurados e pendurados. Se você é um ser humano de bom gosto, com senso estético apurado, você pode adquirir por 120 reais (com entrega em todo o Brasil) uma das 20 colagens dos SERES IMAGINÁRIOS DO ANTONIO E DO VICENTE. você pode conferir as obras nos destaques FAVa do meu instagram: @fabpmaciel

LINKS! LINKS! E MAIS LINKS!

o site de helô sanvoy:

https://www.helosanvoy.com/

pra ver a chamada no canal curta!

https://www.facebook.com/watch/?v=1563507985078486

estão sendo tecidos:

nesta sexta em são paulo:

os livros que não são novos mas que são novidades para mim.

Miriam gosta dos escritores da América Latina. De vez em quando pego algum pela capa na estante da Viriato Corrêa O guatemalteco Rodrigo Rey Rosa foi uma baita descoberta.

Frazey Ford é muito legal:

ela no tiny desk de 2010:

e o fogo fátuo que apareceu na roça:

na playlist #149 é o siri mais o caranguejo que vem na ponta do pé.

sabine sabe qual poço tem água boa

A Playlist 149 de Na Corda Bamba chega abrindo e fechando os trabalhos com o meu chapa Pio Lobato, direto de Belém do Pará, que como já dizia o craque Claudiomiro, é terra onde Jesus nasceu e que nos dias atuais de hoje, eu disse nos dias atuais de hoje mesmo, segundo as redes bozomezozóicas, Belém não fica na Amazônia, porque a única grande cidade caboclal localizada na floresta é Manaus. Ainda bem que não dependemos destes cabeças de porongo pra fazer mapas e muito menos rotas e planos de vôo. Ou não chegaríamos nem em Sorocaba, aquela cidade cujo prefeito tik toker Rodrigo Manga acaba de ser indiciado pela PF como líder de um grupo que desviou milhões. BOZONARISTA NÃO SABE NEM PREENCHER CÓDIGO POSTAL. MAS É ESPECIALISTA EM DESVIO. De qualquer tipo. Do Pará vamos para o Sião, antigo nome da Tailândia. Sei lá porque a voz de Chaweewan Dumnern me lembrou do Beto Guedes e eu mandei um sendo assim melhor parar, cuida pra não cegar e nem perceber que já não tem razão pra me deixar tonto. De Minas para Vancouver onde Frazey Ford canta uma canção feliz. Gostei tanto que acabei ouvindo os discos antigos da moça e coloquei nos links o clip de uma canção lançada em 2015 e o Tiny Desk de 2010. Da canção feliz no Canadá mudamos para outra que trata das agruras de ser um refugiado Living like a refugee is not easy com o Sierra Leone’s Refugee All Stars e na sequência duas faixas do balacobaco da maravilhosa, da espetacular, da super moça de Nova Orleans: Sabine McCalla. Fiquem atentos com ela. Avante com Titãs, The The, Karen Marks, The Philarmonik, Ana Frango Elétrico, First Choice, Lee “Scratch” Perry e Don Drummond. A corda não vive sem latinidades e piano jazz. Hoje tem Louie Ramirez e Aaron Parks.

quem você escolhe primeiro?
79.5 é 10

Atenção mais uma vez: se você é um ouvinte fissurado do Durand Jones & The Indications, você já viu os vídeos da banda algumas vezes, e se você não é um sonsolino vacilón, você deve ter reparado nas duas moças que de vez em quando ocupam os microfones fazendo os backing vocals. Se não reparou, repare agora. A dupla Kate Mattison e Lola Adanna comandam (com eventuais paradas) a banda 79.5. Eu sigo olhando pras duas com muita empolgação. Na Colômbia e na Costa Rica, Juepucha é uma gíria para hijueputa e direto de Bogotá vem esta porrada que é La Gaita de Las Flores com De Juepuchas. Avante com Sun Ra e duas de Mavis Staples, que nos últimos anos não para de gravar, um álbum mais bonito que o outro e eu me pergunto se estes discos não são uma versão de fé para a série negra de Johnny Cash. Em frente com Alceu Valença e a mensageira dos anjos que tira o sono dos demônios que habitam as catedrais e que deixou o ilustre pernambucano sem demônios no seu corpo tatuado. Adiante com o salto de fé de Nina Maia. Esta semana o escritor Walter Hugo Mãe teceu loas pra moça. A corda tece já tem algum tempo seu Walter…Cat Power vai comemorar em 2026 os vinte aninhos de The Greatest. A corda já está na festa.

nina maia poderia estar nos maias ou numa festa fake de vermeer
nina maia poderia estar nos maias ou numa festa fake de vermeer

Adelante com John Roseboro, Juana Molina e COIO3. Na preguiça de explicar o que é, recorro a famigerada IA: COIO3 é o nome do artista também conhecido como SOYUZ, um projeto musical do compositor bielorusso Alex Chumak , que lançou um álbum chamado KROK em outubro de 2025. O álbum foi gravado em colaboração com músicos brasileiros e possui uma sonoridade influenciada pelo Brasil e pelo espaço sideral, sendo um projeto que reflete a jornada do artista. E aí Pocoyó? Como é que tu vai tagear marcar assinalar o cabra: Chumak, COIO3 ou Soyuz? Na curva com The Philharmonik, Zero 7, Mattison, Jeff Tweedy, Keeper e Smerz. Conhecem? Tirando o Zero 7, eu não conhecia nada. Na esquina com Massive Attack e Yo La Tengo, que vão tocar por aqui, com Hozier, outro que nunca ouvi, mais Cat Power, outra novidade Black Nicholson, outra desnovidade, The Pixies, um guitarrista country, Scotty Moore, um balaquinho cheio de libidinagem com Sylvia Striplin, barulhinhos sem noção com Modernettes e Mo-Dettes, mais groove com Cymande e mais surpresas com John Lurie o mr. cheio de chinfra. Na reta final: Arnaldo Baptista, Ana Mazzotti, Nelson Ayres, Issa El Saieh, Fafá de Belém, Pinduca e Pio Lobato no barco que afundou na memória.

e a playlist!