Pra onde vai balançar esta corda? Qual a pauta, o “lead”, o tema, sobre que besteira ou barbaridade eu vou falar? Obrigatoriamente tenho que falar no projeto de transformar a Corda em revista digital e insistir no VTNC, o podcast da Corda. E pra tratar disto, tenho que escolher se vai ser no modo positive vibrations jah rastafari, a vida é mesmo legal, é assim mesmo, você não está só, ou, se engreno no modo câncer resmunguento e enumero as dificuldades de ser camelô de mim mesmo, empreendedor digital de cinco dedos, mestre sensei-não sei-sesc-senac-senai, realizador que não é chamado pra realizar nada, barba branca barrigudo decrépito, reinventado na rede arrebentada, pescando peixinhos miúdos, sonhando com o peixe grande, fugindo dos tubarões, nadando contra a corrente, remando contra a maré numa canoa furada. Se joga, como diz o meu amigo Allan Sieber na sua tira feita pra despencar no abismo. Mas aí tem os dias de sol de outono, que nesta semana em São Paulo foram gloriosos. Tem os dias em que as coisas funcionam, o ônibus não demora, quando chega não tá lotado, não tem engarrafamento, a moça do cartório (salve Anacleia!) ajuda a resolver um dos muitos pepinos burocráticos e aí a gente renova a crença na existência humana. Na volta, enquanto o ônibus de balanço suave deslizava na Paulista-Vergueiro-Domingos de Moraes, o sol com a intensidade certa batendo na cara, coloquei o fone e apareceu uma canção de Paolo Conte, Bodyguard for myself. A letra diz assim:
Bodyguard for myself
I’m my Bodyguard
Bodyguard for myself
No phones, No calls
No man, No Woman
Because I Walk alone In the crash of the day
In the still of the night
In the crash of the day
In the still of the night I walk alone
Bodyguard
Bodyguard, special angel
Aí entro no modo memórias, sonhos e reflexões, a canção é um aviso, cuide do seu nariz rapaz, cuide-se, cuide sozinho de você mesmo, apesar da ajuda dos amigos, da família, no fim das contas, temos todos que ser nossos próprios guarda-costas. Corda Bamba em modo coach-nba-fgv-ibmec. No banco do ônibus, com o sol batendo na cara, olho pro caderno com os possíveis assuntos que iria escrever nesta semana: a arrombada do black face, a obrigatoriedade de se cantar o hino nas escolas de sp, o livro que o meu amigo Márcio Pinheiro vai lançar sobre o Florestan Fernandes, o despejo do teatro de container, a desculpa esfarrapada da afilhada do Aécio, a morte da pm Gisele, o pôquer do Neymar, o pm que esbofeteou um estudante dentro de uma escola no Rio, o novo governador bandido do Rio, a babação de saco do PIG no privatizador de praias e filho de miliciano que agora está em prisão domiciliar; trump-bibi-milei, os únicos que se recusaram a endossar a condenação do tráfico de escravizados na ONU (não parece óbvio?) e uma desesperadora sensação de que a esquerda ainda não aprendeu a usar as redes sociais pra falar com o povão. Já foi pior, mas ainda tá muito longe do que deve ser. No fim, acabei não escrevendo sobre nada disto, nem sobre a melhor história dos últimos dias: a do pastor evangélico de uma igreja em Marabá, que foi pego pela esposa num vuco-vuco com a norinha querida. Desconfiados, os fiéis começaram a puxar o fio e a história foi crescendo: o avô seria o pai dos netos. Cresceu mais: o filho sabia de tudo e foi ele que incentivou a varoa a oferecer a periquita abençoada pro papito entrar com o cajado. A ideia era assumir o controle do negócio. NADA SUPERA A VIDA REAL. O ônibus chegou no ponto. Desci. Sem pagar, porque dimaiordisessenta não paga! Na Corda Bamba está na rede, com uma playlist afiada pra você ouvir no final de semana. Saravá!
a foto da capa eu fiz em campos dos goytacazes em 2012, num lugar nenhum que virou nada depois que mr.eike deu um perdido


Vem aí!






Um super obrigado para Miguel Pachá, Tatiana Maia Lins, Renato Silva, Guilherme Vasconcelos, Leonardo Dourado, Lucas Bambozzi, João Costa, Marcio Pinheiro, Fabiano Nascimento, Ivani Flora, André Khedi e Carol Hanashiro que já estão balançando por aqui!
LINKS ! LINKS! E MAIS LINKS!
bebeth lissovsky mandou avisar:
O texto das Dez proposições é emblemático da circulação das leituras e pensamentos de Mauricio Lissovsky, repensado e retomado em seus próprios textos posteriores e em pensamentos e textos de muitos dos colaboradores que se juntaram nesse volume em que cada proposição é seguida de uma imagem e de um comentário. A todos eles, o enorme agradecimento por terem acolhido a ideia dessa edição comentada, por ampliarem a leitura das proposições, por manterem as ideias de Mauricio circulando.
A todos vocês, o convite de se juntarem a nós no dia 26 de março, a partir da 18h, na @acasocultural , rua Vicente de Sousa, 16, Botafogo.
Quando vocês lerem isto aqui, o evento já terá acontecido, mas posto , porque as reflexões de mauricio lissovsky sobre fotografia (e não só sobre isto, sobre arte, cultura e o nosso país) sempre nos fazem enxergar melhor. é VER, PENSAR, REFLETIR. Então vale o esforço, da bebeth e da turma que tá acompanhando ele neste livro.


hélio menezes mandou avisar:
No próximo sábado, dia 28/03, vamos abrir a exposição Zumví Arquivo Afro Fotográfico, no Instituto Moreira Salles (SP). Fundado em 1990, o Zumví nasceu num momento de intensa efervescência política e cultural na Bahia. Sob a condução de Lázaro Roberto, conhecido como “Lente Negra”, esse arquivo fundamental para a memória negra do país reuniu mais de 30 mil fotografias ao longo de seus 35 anos. Nesta exposição apresentamos cerca de 400 imagens do acervo, realizadas por Aldemar Marques, Gerimias Mendes, Jônatas Conceição, Lázaro Roberto, Meire Cazumbá, Raimundo Monteiro e Rogério Santos.
O disco novo da Marina na Célula Pop.
rumo 50 anos, no sesc!
aracy canta vassalo.ótima ocasião!
os limites da piranhagem gospel:
na playlist # 168

Mantendo o ritual das últimas edições e abrindo com a vinheta da sensacional, espetaculosa e fodástica banda cearense Cidadão Instigado: O PONTO DE PARTIDA (O põe. Tu de parto IDA) do disco O Ciclo da Dê Cadência de 2002. # Fiquem aí com alguns segundos de silêncio antes do barulho começar. Fazia tempo que queria colocar o baixo marca passo de filme de suspense do Pink Floyd em One of these Days nesta parada destemperada. São dois baixos na verdade, David Gilmour e Roger Waters tocam ao mesmo tempo usando pedais que geram delays. Tem uma explicação musical matemática para a jogada, cheia de semínimas e eu sou incapaz de explicar. Poderia tentar, mas a preguiça é maior. Um dos baixos, (não sei qual) soa mais baixo no disco. Dá pra conferir, estão em canais separados. Tem uma lenda: as cordas eram velhas. O roadie saiu pra comprar novas, mas no meio do caminho resolveu visitar a namorada pra fazer um lesco lesco e não voltou…acontece…eu provavelmente teria feito o mesmo. # Stevie Wonder. Porque eu vi 3 meninas dançando I Wish no Instagram, porque I Wish é bom demais pra dançar # Moraes Moreira DESABAFO E DESAFIO, porque o Daniel Sabino colocou pro Benjamin, pro Vicente e pro Antonio ouvirem e sem forçar a porca, o Daniel tá apresentando coisas bacanudas pros guris nestas caronas do futebol pra escola…Mais adiante na playlist, tem Moraes cantando pra Stevie Wonder. # Melanie tem horas que assusta. Tem horas que a gente quer estar na fogueira ouvindo ela cantar. # Shirley Bassey canta Speening Wheel, o megahit do Blood, Sweat & Tears # Kim Gordon tá com disco novo na praça. Tem algumas vinhetas, como Busy Bee, que escolhi pra esta lista, uma lista com algumas vinhetas, é verdade. Eu gosto pacas de vinhetas sonoras. Kim está magnífica nos seus 72 anos (73 em 24 de abril). Impossível desapaixonar. Vejam a declaração da moça na foto aí de baixo…E a barca avança com outra musa, Cat Power e com o italiano Paolo Conte, com sua Bodyguard of myself, que inspirou esta corda.


Aconteceu nos anos 90. A discografia de Carmen Miranda foi relançada no mercado, no formato de CD. Um crítico da Folha de São Paulo (não lembro o nome) fez uma matéria, com um destaque mais ou menos assim: Com remasterização, fica comprovado que Carmen Miranda era uma cantora limitada. Indignado, Ivan Lessa pediu direito de resposta e lá de Londres, mandou uma descompostura cheia de malandragem pro capiau da Barão de Limeira. A melhor de todas foi a seguinte: Você não tem ideia do que é namorar na Lapa ouvindo Carmen Miranda. Eu sim. Em homenagem ao Ivan Lessa, Carmen Miranda cantando Bambo Bambu.
Marina Lima acabou de lançar disco novo. Ouvi hoje pela manhã. Gostei. É um disco corajoso. Assim como Kim Gordon, Marina está supimpa nos seus 70 anos. Os idiotas vão dizer que eu tô celebrando a decrepitude, que tô louvando o empoderamento da terceira idade. Vão tomar no cu. As duas estão mais do que cientes do que podem fazer com a voz, com o corpo e com as ideias. E arriscam. Sem medo. Sem bundamolice. Por isto elas são fodas. Por isto elas são musas. Um crítico da Folha de São Paulo fez uma crítica destruídora – o pior disco de sua carreira – disse o cabrunco. Barracos entre músicos e críticos sempre existiram. De Tinhorão a Flávio Cavalcanti (pra quem nunca ouviu falar, ele quebrava os discos que não gostava em seu programa de tv). Ano passado, GG Albuquerque acusou Mãeana de gentrificar o piseiro. O que era pra ser debate virou um festival de ressentimentos e sabecomquemestoufalandoeutoaquinapraçasantosdumontnagáveaetuémuitofeio. Deve existir algo entre a reginacazeização do país, onde tudo é legal e crítica pra lacrar dos tico ticos da FSP. Ouço Marina desde seu primeiro disco e vi seu show no Projeto Pixinguinha em Porto Alegre em 1979, 80. Acompanhei a transformação dela em cantora de sucesso (Fullgás) em cantora de muito sucesso (Virgem). Tem discos que gosto mais, outros menos, assim como a vida, dias melhores, discos piores. Mas posso repetir o Ivan Lessa e mandar um recado pro crítico da Folha. Você não tem ideia do que é namorar na Duque de Caxias ouvindo Transas de Amor. Eu sim.

Então vem a vinheta que abre o disco novo da Marina, depois segue com Partiu e mais adiante tem Olívia. # Vinhetas: grampo do Defalla e não me mandem flores, não ando merecendo. # CAN é a banda dos meus 60 anos. Beatles, Stones, Deep Purple, Led, Genesis, Clash, B52, Primal Scream, Stereolab. Hoje é CAN. # Barbara & Ernie, uma dupla dos anos 70. O disco todo é uma maravilha. Tem um pouco de duas coisas muito legais da época: soul psicodélico e Burt Bacharach. Pena que só fizeram um disco. Então vou soltando em doses homeopáticas aqui na Corda. Hoje é My love and I e logo depois The Silvers, banda pouco conhecida e muito sampleada. Parece até um desaforo colocar Batata Frita do Tim Maia depois disto. Mas não é. # Avante com Gal Costa, água de beber, água de benzer, água de banhar, alcohol, só para desinfetar…na dúvida, tomo mais um copo. E depois Jorge Ben,Jorge Benjor, o aniversariante da semana que passou; A cegonha me deixou em Madureira. Quando saiu o disco em 1980 eu achava um desastre, uma rendição comercial, nada perto de Força Bruta e da Tábua. A sorte é que a tacanhice tem cura e de vez em quando pega críticos de calça arriada na curva. Pouco tempo depois eu já tinha percebido que era uma sequência natural de África Brasil, Banda do Zé Pretinho e Salve Simpatia. Se existe linha evolutiva, esta é uma delas. E o disco é funk-escola de samba até a medula, é periferia antes da central da periferia. Salve Jorge, salve, salve.


Max Roach. A música se chama Abstruções. Fui no dicionário:
A palavra “abstruções” aparece com significados contextuais distintos nas buscas, variando entre o sentido arcaico de obstruções/impedimentos e referências a termos técnicos ou artísticos. Pode indicar bloqueios funcionais, obstruções orgânicas (intestinais), ou ser usada em contextos de oposição política.
- Sentido de Bloqueio/Obstrução: No contexto histórico, refere-se a impedimentos físicos ou paragens.
- Contexto Médico/Antigo: Usado para descrever inflamações ou “abstruções” do fígado e baço (frequentemente grafado como obstruções em contextos modernos).
- Contexto Político: Utilizado para descrever ações de resistência ou críticas que travam o andamento de projetos no executivo ou legislativo.
- Uso Cultural/Artístico: Pode referir-se a títulos de obras, como no caso de um vinil.
Você anda muito abstraído meu irmão!
Arthur Lee, uma vinheta e um pulo.

Ninguém prestou muita atenção em Robert Lester Folsom em 1970. Vale ouvir em 2026. Muita gente ouviu Lloyd Cole and The Commotions em 1984. Eu nunca parei de ouvir. # Desde sempre o Brasil sofre de sofrência. O desamor, a cornitude, a dor de cotovelo são coisas nossas, é patrimônio nacional, variando nos estilos – samba, samba-canção, bolerão, etc – variando na qualidade dos versos e na intensidade do sofrimento. Dos ultra toscos aos mais sofisticados, dos mais sofisticadamente toscos, as opções são muitas. De cigarro em cigarro / Vejo o tempo passar / O inferno chegar / Só não vejo você lamenta Marília Medalha, no clássico de Luiz Bonfá. O arranjo é primoroso. E passa muito bem a bola pra The Peddlers, na balada aveludada que fez parte da trilha de Harlow, cinebio de Jean Harlow # Nubya Garcia novamente por aqui. Dur-Dur of Somalia estreando por aqui.


Gabriel Eusébio dos Santos Lobo, mais conhecido como Ary Lobo, mais de 700 músicas gravadas, quando percorri o interior da Paraíba no início dos anos 2000, ele ainda era cantado, lembrado e reverenciado # direto de Cabo Verde, Voz di Sa Nicolau, só no remelexo emendando com Olíva que já botou todo mundo pra dançar no disco novo da Marina Lima. # PARACHOQUES: Grupo Rumo que faz 50 merecidos anos. Rumo aos Antigos, até hoje, um dos meus favoritos. Ótima Ocasião, samba-marcha (fox-trote?) que eles transformaram num blues. PARACHOQUES: Titãs, Cabeça de Dinossauro, 40 anos, descubro hoje cedo vendo na tv. Envelhecer é isto. Do show de lançamento no morro da Urca pro Bom Dia SP. E eu tô falando de mim, não deles. Tô Cansado. PARACHOQUES: I just wasn’t made for these times, a frase é repetida em vários tons diferentes pelas vozes dos Beach Boys. Pet Sounds faz 60 anos em 2026. Muita gente velha nos cascos, muita gente nova chafurdando na bundamolice! # Moraes Moreira canta pra Stevie Wonder. E por hoje é isto aí. Fiquem de boa.

e a playlist # 168 !

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