na corda bamba 194 # e seus heróis: sam o farsante

“Quer aparecer, pendura uma melancia na cabeça” Maciel, Francisco

O cara usava um turbante de vidente picareta, no mesmo estilo de Francisco Cuoco em O Astro. Por cima dos ombros, um roupão negro e por baixo do roupão, um terno brilhante. Sua banda se vestia com lenços à egípcia e todos chegavam nos shows a bordo de um Packard funerário 1952 com cortinas de veludo. Domingo Samudio ou Sam The Sham (Sam o Farsante) é o nome que abre a Galeria dos Heróis da Corda Bamba, uma categoria de seres iluminados que nem sempre estiveram com os holofotes apontados diretamente para eles. A Galeria poderia se chamar gente que faz, gente que rala, gente que se fode pra caralho, mas é só um panteão de simples mortais que passaram por tudo isto e deixaram alguma coisa pra gente aproveitar. A história conta que os avós de Domingo Samudio eram descendentes de bascos e apaches que fugiram do México para o Texas durante a Revolução de 1910. Viraram plantadores de algodão e o neto nasceu em Dallas em 1937. Na escola aprendeu a tocar violão e formou um grupo com um outro cabra que ficaria famoso mais tarde: Trini Lopez. Deixou a escola, foi pra marinha, ficou seis anos no Panamá, voltou pro Texas, entrou na Escola de Artes onde estudou canto e música clássica, largou tudo e virou artista de circo. Algum tempo depois, inspirado na pinta de Yul Brinner em Os Dez Mandamentos, montou os Pharaos. A banda se desfez depois de gravar um disco que foi um fiasco de vendas. Sam mudou pra Louisiana, se juntou a outro grupo, depois foi pra Memphis (no Tennessee, não no Egito) refundou seu grupo como Sam The Sham and The Pharaos, gravou um disco, pagou a prensagem pra vender em shows e Wooly Bully começou a acontecer no final de 1964. A MGM entrou na jogada, comprou os direitos e venderam 3 milhões de discos. A banda ficou em evidência durante uns 3 anos (o último hit foi em 67) e Sam fez nos anos 70 alguns poucos discos solo até sumir na poeira das ruas. Trabalhou como intérprete e imediato em barcos no golfo do México e virou palestrante motivacional – será que com turbante? Será que na linha Francisco Cuoco só o cume interessa? Em 2016 ganhou uma homenagem no hall da fama de Memphis. Se Trump e Bibi não acabarem com o planeta, Samudio fará 90 anos no começo de 2027… Não custa lembrar: Na Corda Bamba está em campanha para conseguir colocar nas redes a revista digital e o podcast VTNC! Apoie como puder, mas apoie! A partir de 5 reais você está ajudando a corda balançar. Pode ser assinando por aqui (nos botões vermelhos lá de baixo) ou com qualquer valor no pix fabpmaciel@gmail.com Nesta edição, uma playlist com Sam The Sham, mas também: Charles Mingus, Elton John, Mick Ronson, Odair José, Fanny e as novas melancias na cabeça do momento, a dupla canadense Angine de Poitrine. Na capa: Francisco Cuoco em O Astro. Minha pedra é ametista, minha cor, amarelo. Saravá!

com as shamettes
Dan Rivers ou Swami Riva vilão de Metrópolis na década de 1940. Foi o primeiro criminoso a usar kryptonita contra o Superman,

Por quê apoiar a revista digital da corda bamba e o podcast VTNC:

Porque a revista vai ser muito bacanuda e terá a colaboração de bambas como Tárik de Souza, Allan Sieber, Kamille Viola, Márcio Pinheiro, Carlos Eduardo Lima e Rafaela Simonato.

Porque Na Corda Bamba e VTNC! serão duas novas fontes para se discutir, pensar e apresentar cultura & arte. Mas com um detalhe muito importante: sem a mediação política conservadora e direitista de nossa grande imprensa.

Um super obrigado pra quem já apoiou a campanha: Miguel Pachá, Tatiana Maia Lins, Renato Silva, Guilherme Vasconcelos, Leonardo Dourado, Lucas Bambozzi, João Costa, Marcio Pinheiro, Fabiano Nascimento, Ivani Flora, André Khedi, Carol Hanashiro, Patricia Bau, Norma Braga, Luciana Stifelman, Nuno Godolphin, Sonia Nunes, Danilo Matoso Macedo e Daniel Sabino.

e os super obrigados pra quem segue assinando o blog. muitos dias eles salvam os dias. e as noites também.

a playlist # 170 está do balacobaco!

demais!

Prefixo cidadão instigado como tem sido nas últimas edições, dando a largada no ponto de partida.

Sam the Sham and the Pharaos, a inacreditável banda de Domingo Samudio, mais conhecido como Sam The Sham, Sam o Farsante e seu maior sucesso Wooly Gully, seguido pelo paraibano Julico e pela banda Fanny, banda feminina inglesa do final dos anos 60. Para mim, baita descoberta. Ainda vai rolar mais delas por aqui. Baris Manço, outra descoberta, músico turco cheio de groove e suíngue. avante com ? The Misteryans, Ronnie Von, Alvin L que se foi nesta semana, Marcos Magah e Bárbara Eugênia, Ian Hunter e outra descoberta: Jorge Antunes, pioneiro da música eletrônica por aqui, maestro, regente, poeta e ativista. Dopo um repeteco mais do que justificado: a lindeza total de Don’t you Know, com Jan Hammer Group e de Charles Mingus solando no piano. Em frente com Elton John, Joe Jackson, Cornell Dupree, Roberto Carlos, Mick Ronson, Odair José, Massive Attack, Ira!, Totonho e os Cabra, Fiona Apple, Morphine, Rogério Skylab, Sam Samudio (solo), Nazz, Pigeon (ainda vai dar barulho), Gnarls Barkley, Billy Bond (outro que poderia ir pra galeria) e finalmente Angine de Poitrine, os anginas de peito. A dupla não é deus nem o diabo. Pouco importa a melancia na cabeça. O barulho tá valendo. Pra contrapor, uma falta batida de folha seca, Billy May e sua orquestra no tema de The Odd Couple. E pra fechar: Caetano em disco da mana Bethânia e a versão dos Bad Manners para Woolly Bully!

os anginas de peito

a playlist está lá embaixo no final da página. é só rolar.

LINKS! LINKS! E MAIS LINKS!

márcio pinheiro, nosso editor-chefe da sessão idiotinhas, mandou esta do vereador que há 40 anos faz o papel de Jesus Cristo (33) na semana santa.

sam the sham and the pharaos

mais sam the sham

fanny:

o astro abertura:

didi como falso vidente:

e a playlist # 170