toda playlist da corda bamba começa pedindo benção. aqui não rola de abrir os trabalhos com qualquer bobagem. e saibam, eu nunca me levei muito à sério. tá certo que o lance é fazer a geral passar duas, três horas imersa e encapsulada, bem, mas bem longe da chinelagem que reina tanto no mundo real, quanto no virtual. sabem aquela parada corporativa linkedin de missão da empresa? pois a missão da corda bamba, se é que ela tem uma, é nos deixar bem distante da chinelagem! então pra garantir um passeio tranquilo, suave e pleno de bonitezas, abrimos com Letieres Leite e a Orkestra Rumpilez pedindo benção pra Moacir Santos. E aí a gente fecha um e vai embora dar uma banda lá fora com Jimi Joe só pra esquecer as bobagens que se escrevem nas contracapas dos jornais medíocres populares. É isto, na corda bamba playlist 13 tá com tudo em cima pra começar. aproveitem!

vi um único show de letieres leite no rio. não foi um show. foi uma celebração. foi uma cerimônia religiosa. um transe geral. com todos no teatro em total sintonia. era só olhar pra orquestra, estava estampado na cara de todos os músicos, eles estavam totalmente em êxtase no palco. e quem tava na plateia também. muito tempo depois fiquei sabendo que o maestro baiano morou um longo tempo em porto alegre e, pra sorte de muita gente, deu muita canja na noite gaúcha. e nesta conexão salvador-porto alegre, a corda convoca jimi joe, o jimi atualpa y os punks, o jimi transplantado, o jimi joe que é porto alegre na veia, mas a porto alegre que fica longe dos medíocres, dos southsummits de internet discada, dos portomaderados sapatênis e dos alcaides véios véios. jimi joe é a porto alegre que não vai bater periquita em porta de quartel. pra quem não conhece, nunca é tarde pra apertar um e saír por aí.
eu gostei de como soul sister, de allen toussaint foi descrita no youtube: um easy-rolling groove. é isto mesmo.
pra homenagear cynara, do quarteto em cy, tudo que você podia ser

a minha geração não frequentava muito o quarteto em cy. eu gostava de alguma coisa, mas demorei pra entender o balaco e a belezura do canto das moças que faziam o vinícius se derreter.
dengue fever é absolutamente inacreditável: um grupo da califórnia com uma cantora é alguns irmãos cambojanas e uma mistureba psicodélica retrô que gruda mais que chiclete ploc na calçada. no link uma boa matéria com a história da banda que se formou tocando covers de artistas mortos durante os conflitos com o khmer vermelho.
toda música que tem um cowbell pontuando é boa. não tem erro. é quase uma lei. tem cowbell, é bacana. como esta do kevin ayers, guitarrista inglês que tocou com uma penca de gente (mike oldfield, robert wyatt, etc), e lançada em 1971 é simplesmente deliciosa. eu já ouvi o estranho com sapatos de camurça azul, umas cinquenta vezes nesta semana. como ele mesmo diz no final, thank you very much mr ayers”
essa parada de cowbell é totalmente sinistra. em 08 de abril de 2000, o Saturday Night Live colocou no ar o que acabaria se transformando em um dos esquetes mais populares do programa em todos os tempos. inspirado numa música do grupo blue oyster cult, o quadro mostra will ferrel e jimmy fallon, entre outros, como uma banda em um estúdio de gravação. pro azar deles, o produtor é um senhor chamado christopher walken, que acha tudo meio mais ou menos, e pra dar um tchan na bagaça, pede para o percussionista que toque cada vez mais e mais, more and more cowbell. o lance viralizou a ponto de virar um bordão da cultura americana e entrar no sizudo Cambridge English Dictionary. Rodei as redes aqui atrás da cena. encontrei dezenas de entrevistas recentes, sinal de que o quadro persegue os atores até hoje. encontrei um link no vímeo:
e a música original do blue oyster cult
café bleu do style council começa com as bençãos do mick. deu muito certo, o disco tocou e vendeu pra chuchu, eu mesmo fui um dos compradores do álbum em 84,
lua namoradeira da natália matos. o negócio é o seguinte, não tem pra ninguém e não tem mas mas mas: a natália matos é demais! ela prepara o terreno pros siderados rubel e tim bernardes poetando tudo que precisamos: olha tudo que é o mundo inteiro, olha tudo que não sou eu, e que também sou eu, porque é nós, e nós sou eu. e nós é nós.
pausa aqui para um abraço ao Carlos Eduardo Lima, o miojo lamen fino para as massas, que comanda o Célula Pop e que, pra minha e a nossa sorte, continua escutando tudo de novo que vai aparecendo por aí. confesso que se não fosse o CEL de avalista, provavelmente eu deixaria passar uma penca de coisas bacanas que estão rolando. o link do célula pop, que também tá página dos links corda bamba, é este aqui: https://celulapop.com.br/
voltando pra natália, na playlist tem um carimbó turbinado e atualizado. aqui tem um clip abolerado dela com fafá de belém:
pink floyd, dave pike, os incríveis e doris juntinhos, um depois do outro. ficou redondinho. como o vibrafone do dave pike.

régui da jamaica com prince buster e régui dos states com lowell george. e quando todo mundo sempre achou que o escocês voador só tinha metido a mão no pombo branco taj mahal do jorge ben, aparece o zeca azevedo e mostra que o malandro também deu uma garfada no bobby womack. confiram a introdução. mas o seu rod stewart tem cem anos de perdão. ouvi dizer que ele tá vindo pra faturar uns pilas com a ivete. hum…allan price, do animals segue o baile e hank mobley, acompanhado do trumpete de lee morgan e piano de mccoy tyner manda uma viajante faixa, com um fraseado pra lá de inspirado em são coltrane e ela entra nesta play list pra bagunçar tudo. preste atenção.
a bagunça continua com jamie cullum (confesso que nunca fui muito com as fuças deste rapaz, com um quê de radical chic, mas esta música é foda) salomão soares e vanessa moreno, dilermando pinheiro, carne doce, the heavy heavy e the new pornographers, estes dois últimos, também descobertos nas resenhas de carlos eduardo lima.

quando era adolescente pequeno em fortaleza, provavelmente ednardo prestou muitas homenagens à dorothy lamour, depois,quando foi ser pavão misterioso na vida, transformou a paixão em canção. madame lamour é a deixa pras nuvens negras e as dores de amores entrarem na parada com leon russel, beto guedes, prefab sprout e dan hicks e his hot licks, este, cantando sua música i scare myself, que sempre pensei que fosse de thomas dolby.

randy crawford arrebenta com cajun moon de j.j. cale e seguimos com andrew hill e luiz melodia dando a letra: tá tudo solto na plataforma do ar, tá tudo aí…quem vai querer comprar banana? quem vai querer comprar a lama?

michael jackson saindo dos jacksons antecipava que estava almost there, patti smith foi procurar o que fazer depois da corrida do ouro, rosinha de valença aproveitou o summertime e o outroeu confesso que ainda não sei muito o que achar, tem horas que parece propaganda do supermercado pão de açúcar, tem horas que me lembra as fofurices tatibitatis, mas eu gostei do eu viro um oceano e achei que seria bom pra dar um susto. e uma chance também. dilermando de novo espanando a lua, nina simone mandando tudo pro inferno, os rolling stones quebrando tudo numa música que ficou de fora do exile on main street e que tem o curioso subtítulo de sophia loren.
letieres leite e orkestra rumpilez encerram os trabalhos. quem abre fecha, quem fecha abre. salve salve que quinta tem mais na corda bamba! paz, amor, relax e lesco lesco pra todos.
na corda bamba agredece a presença da regina célia por aqui. e lembrem-se: divulguem, cormpartilhem, etc, etc, etc…
ps: eu ia colocar lulu de madame, mas a versão que tá no spotify tá bichada. então vai vídeo do youtube, num show incrível com ciro monteiro. abaixo a capa, que me deixou na dúvida: iris bruzzi? wilza carla? nenhuma das respostas anteriores?

queria ser lulu de madame francesa
pra passear de dia em uma cadillac
pra passear de dia de cadillac
aproveitando a maravilha da natureza, a vida assim é uma beleza
se eu fosse o fru fru de madame manon
passava o dia inteiro tomando leitinho e comendo bifezinho de file mignon…
A PLAYLIST!

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