na corda bamba: 2 anos de folia e umas pitadas de melancolia.

Em dezembro de 2022 eu estava literalmente na merda, devendo as cuecas e sem perspectiva alguma do que fazer pra sair do buraco. Meu amigo Vini, velho parceiro da Pipoca Moderna e de outras jogadas botou pilha: “Vai escrever. Conta as tuas histórias”. O desespero é um ótimo coach. E como todo mundo sabe, coach não é gente. Na Corda Bamba veio daí. Do desespero e do medo. Deste padrão de vida classe média que é se equilibrar entre a alegria e o pânico. Entre a realidade dos boletos, os desejos não realizados, os devaneios e os sonhos. No livro do Artemidoro, ele diz que “estar louco é bom para os que iniciam um empreendimento, pois o que quer que os loucos resolvam fazer ninguém consegue detê-los”. Durante uns meses eu vislumbrei a possibilidade de me transformar num ser virtual, um novo velho, um blogueiro youtuber rabujento, influenciador de multidinhas, pronto pra lascar os canos e outras coisas que não me pertencem e que não me cabem em nenhum latifúndio cibernético. Definitivamente, não sou deste mundo, mas é nele que eu tenho que dançar. Dançar com a minha imagem roubada, do Cidadão InstigadoQuando minha sintonia estiver perdida no mar dos descontrastados Alguem vai fica torcendo para que eu morra logo E volte digitalizado
Di-di-gem-sim-ti-telé apenas eu e minha imagem roubada Di-di-gem-sim-ti-telé a visão A minha visão não vê nada
” E se eu não tava vendo nada em 2023, quero ver menos ainda em 2025. Então, antes que eu volte didigemsimtitelécoteco, o lance é: a corda vai seguir firme e forte por aqui, com a playlist semanal, as eventuais entrevistas e as dicas com as últimas novidades de 1976. Sem pretensões instagrâmicas. Numa nova fase de hábitos saudáveis, na linha walter franquista, onde tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Com a minha imagem real, de cara limpa e com a minha rotina diária relax: Acordo cedo. Faço ioga e meditação. Rezo. Acendo minha vela pra Oxalá, Xangô e outros santos. Não é cascata. Faço café pro Antonio, pro Vicente e pra Miriam. Tomo o meu café preto, forte, sem açúcar. Tomo um remedinho bacana chamado Oxalato nosso que estais no céu (não por acaso sou filho dele, de Oxalá). Vou pro banheiro. Abro o threads. Vejo as postagens do gado bozonazi e começo a disparar: vai mamar uma rola sua vaca! vai tomar na toba seu puto! comeu cocô seu abostado? cala a boca arrombado de merda! 3 minutos bastam. Dou a descarga. Tomo um bom banho e tô pronto pra começar o dia em paz. Na Corda Bamba está de volta. Feliz 2025 macacada! Saravá

alka seltzer,roy lichtenstein, 1966

arsenic and old lace

True crime drive tru em Torres é truta. Deise Gomes dos Anjos é o nome da moça que envenou a sogra, duas irmãs da sogra, uma sobrinha e um neto da irmã da sogra. As duas irmãs e a sobrinha, morreram. No embalo, a polícia foi descobrindo que havia um padrão de intoxicação alimentar na família. Exumou o corpo do sogro, que tinha morrido alguns meses antes, e batata: dos anjos tinha passado o racumin. O marido lembrou de um suco que ele e o filho estavam tomando e que dos anjos abortou a missão, sem dizer porque. Chegou ruflles: marido e o filho com arsênico no sangue. Agora além de um prefeito de capital que governa de escafandro e paga pau pra golpista, a gauchada já pode se orgulhar de ter também uma prenda chinoca serial killa.

shifting em nárnia

Baudelaire sabia o que estava fazendo quando escreveu Os Paraísos Artificiais, um ensaio sobre haxixe, ópio e vinho. Existe uma penca de livros drogados, começando com Junkie do William Burroughs e acho que dá pra colocar Pornopopéia do Reinaldo Moraes no pacote. Se tem uma coisa que nunca condenei foi escapismo. Na cachaça, na boleta, na putaria, no cinema (a rosa púrpura do cairo é uma bela fábula escapista), no jogo, no futebol e outras taras. Mas não tava preparado para o shifting, um lance adolescente (e de adultos que ainda são adolescentes, e eles são muitos) que rola no tik tok, onde você cria um roteiro para a sua vida e onde o limite é só a sua imaginação e a sua capacidade de inventar. Então a Flavinha vira uma dançarina-cantora-atriz de K-POP, o Gilson vai estudar em Hogwarts e Luisa vira uma grande cirurgiã na Austrália. Para mim, parece um saco de 5 quilos de melancolia. Não é escapismo. É um devaneio delirante, uma fuga para um mundo que é mais do que virtual. É pós, pós na cabeça desporongada, uma fuga para as estrelas… Soube da jogada ouvindo a rádio escafandro . Quando terminou me deu vontade de ir pra Jamaica. Nos anos 60. Se tudo der errado, vou recorrer ao shifting. Vou imaginar que nada disto está acontecendo.

como querer caetanear sem ouvir louvor

neste bode preto que virou o mundo das redes sociais, eu me seguro lendo o anderson frança, que atira em muita coisa, dá muito chilique, mas quase sempre acerta. e quando erra, erra com originalidade, o que já é muita coisa. eu não sei se caetano canta louvor pra não deixar de ser caetano. pra não deixar de ser dorian gray. ou por oportunismo (ele tirou fotinho de apoio ao bretas, lembram? o juiz bíblia lava-jato corrupto), não sei se é farol, não sei se é luz, raio, estrela e luar. mas sei que pastor do bem é mais difícil que saci com duas pernas. talvez caetano ainda saiba ler o país. mas agora, quem escreve este país, é gente como o anderson. e acho que vou conferir a rede que ele tá criando.

todos os brasileiros do mundo.

Em 2008 eu acompanhei no Rio o primeiro encontro dos Brasileiros que viviam no exterior. Foi uma iniciativa do Itamaraty e quando lembro disto me dá uma tristeza pensar no quanto regredimos. Até o governo FHC, os brasileiros que queriam mandar legalmente dinheiro do exterior para cá, pagavam taxas de agiota italiano. Lula mudou a parada e o Itamaraty resolveu ouvir as lideranças de quase 5 milhões de pessoas que moravam em todas os cantos do planeta. Vieram representantes dos brasiguaios, dos garimpeiros do Suriname, dos trans de Roma e Milão, de estudantes na Bolívia, operários no Japão. Este encontro acabou gerando uma série, TODOS OS BRASILEIROS DO MUNDO, que também me levou para todos os continentes. O episódio 1, Eu dirijo, Deus Me Guia, (assista nos links abaixo ) foi filmado na Flórida. Eu tinha dois personagens principais: um pastor batista, com um perfil mais humanista e outro, um goiano, frequentador de uma igreja tipo sara nossa alguma coisa, e candidato à deputado pelo Partido Republicano. Os cretinos ainda não tinham tomado conta de tudo, nem lá e nem aqui. É uma hora boa pra rever a série. E pra pensar que tudo mudou. Até o Caetano começou a cantar louvor.

o jornalismo “profissional” morreu e só carolina não viu.

Um jornal pra chamar de nosso, quando teremos?

um sapatênis é um sapatênis. uma bunda é uma bunda. uma saudação nazista é uma saudação nazista.

e jornalista que chama isto de polêmica é: sapatênis, por supuesto. bunda-mole, sem sombra de dúvida. nazista ou baba-ovo de nazista em potencial

o golpismo voltou sem nunca ter ido embora. nem do mercado, nem do congresso e muito menos da imprensa.

folha: desemprego baixo é ruim pro mercado e pro jornal à serviço do brasil

o golpismo foi comprar uma coca, mas só tinha casco de pepsi.

ressignificando a história de caracu é rola

israel conseguiu retirar do país bem rapidinho, um soldado israelense procurado por crimes contra a humanidade em gaza. silêncio.

huck já escreveu artigo ressignificando tarciso?

ou tá esperando pra ressignificar o guedes e o campos neto?

paz e amor, paz e arroz. hay que endurecer pero sin deixar de endurecer

a capa desta edição da corda é um desenho feito no computador pelo vicente e pelo antonio. se chama capoeira.

quem quiser assinar a corda, pode clicar nos botões vermelhos lá de baixo ou apoiar com qualquer valor na chave pix fabpmaciel@gmail.com

quem quiser colocar na parede de casa ou do trabalho as espetaculares colagens dos seres imaginários do antonio, do vicente e do fabiano, o valor é 120 pilas (frete incluído) para todo o país. confira nos stories do instagram @fabpmaciel

na playlist # 109

Miriam Makeba rogai por nós pecadores, Miriam Makeba salve salve e ilumine esta parada no começo com we got to make it e no final com good bye poverty, que espero seja um bom presságio pra todos, apesar dos tempos cascudos.

miriam makeba pra iemanjá

Baiana System e a Praia do Futuro que eu vi quase deserta numa madrugada do passado e hoje é só um balaco com o Antonio Carlos & Jocafi que diz que somente um louco volta no passado pra buscar o rosto de um amor perdido no futuro.

Como eu levei quase 40 anos pra levar à sério Mr.Rick James??!!!! Puta mané!

james, rick

Vasco da Gama apareceu na minha frente e tudo que vem acompanhado do nome de Hugh Masekela eu confiro no ato. Mandei pro Maurício Valladares, com um singelo pra machucar teu coração de bacalhau, mas quando a gente pensa que tá indo o valadão já tá voltando depois de dar duas voltas e meia no cabo da boa esperança via 433-Barão de Drummond-Leblon.

Ela quer me ver bem mal, vai morar com o sete pele que é imortal, manda Riachão, reclamando que nem a esteira que ela dorme quer enrolar, onde já viuItallo joga fácil com a camisa 2 do time da Mooca e Gia Fu brinca de música latina em Hong Kong e Rafael Castro pede pro pessoal da Claro parar de ligar pra ele, ele tá comendo, tá dormindo, tá fazendo amor e toda a ligação da claro é engano e Guto Bellucco não dá o braço a torcer com Lucia Santalices. E Sivuca mostra como era foda também no violão em Lamento do Berimbau.

Astrud Gilberto conseguiu a proeza de jogar o caxangá e fazer zigue-zague no batuque, no pop e na canção de ninar.

O negócio é o seguinte: Clara Valverde.

riachão faz o diabo
essa moça é diferente

Luís Marcelo Mendes me manda bem cedo a sacada choque de monstro. The Kingston Trio (que o mané gosta muito e achava que era um trio de negros jamaicanos), mas o que importa é o seguinte: imagine que os caras pegaram isto, no caso Sloop John B e transformaram nisto. E ele tava falando de The Beach Boys em Pet Sounds. Pra mim é como se pegassem um filme do Jim Jarmusch e colocassem um orçamento de Spielberg nele. Leveza no trio e a sofisticação de Brian Wilson. Seu Luma também me apresentou a pilantragem bacanuda do Studio Rio, cariocando Bill Whiters e outros bambas.

e os caras sequer eram carecas da jamaica

Thiago França quebra-miasma e na curva o caminhão de Felipe Aud passou e a saudade de ouvir Beck em Mellow Gold (I’m a loser baby, so why don’t you kill me?). Na outra curva a caravana do Tinarwen e o novo Prometeu dos colombianos Los Pirañas.

caminhão passou acumulado

Sugar Pie DeSanto partiu. Do the Whoopie moça.

muito soul no porão

Arnaldo Baptista reza Louvado Seja Deus que nos deu o Rock’n Roll, Roberto Menescal reza a Morte de um Deus de Sal, que nos deu a Bossa Nova que o Thomas de Paula Eby canta em inglês.

Kinks e o novo Franz Ferdinand em dobradinha.

Sandro Brugnolini foi um dos nomes do jazz italiano nos anos 50, 60 e 70. Tá sendo muito bacana descobrir um som pop-musak-comercial pra lá de sofisticado que ele e mais uma turma fizeram por lá, num caminho diferente de Moricone e Nino Rota. Outra descoberta: London is the Place for Me, African Dreams and Piccadilly High Life, a música que os imigrantes africanos fizeram na Londres dos anos 50. Nesta corda, Ginger Folorunso Johnson manda ver na percussão em Egyptian Bint al Cha Cha Cha! Transe total, chachachaventre! Depois disto, só resta mandar Tacuba com o rei do mambo, Pérez Prado e cruzar a linha de novo com Hugh Masekela.

um lugar pra mim, pero no mucho

Lucas Santtana rega a pergunta raivosa e Tita Lima vende saúde. E o Mombojó tenta manter a cabeça sempre no lugar. Dar Disku é disco made in Egito e Líbano. Lair é disco made in Indonésia. St.Paul & The Broken Bones é soul do Alabama e o The Sure Fire Soul Ensemble é soul de San Diego. E o Studio Rio deve ser do Rio mesmo, brincando com o Burt e com a Aretha e logo depois Knowsum, que faz um balaquinho bom pra começar o vuco-vuco. Animou? Então siga com The Mamas & The Papas. Youn, Biab, Pretinho da Serrinha e a bossa mexicana de Nacho Mendez. Se der ruim, encare Jean King numa fossa tirada de uma coletânea com um título pra lá de sugestivo: Laugh Now, Cry Later: chicano lowrider oldies 1959-73. E como não tem solução, volte pra bossa com o Trio Le Camara.

la vem a noite

Na curva dos 100 metros com B.B.King e na reta final o bis de Ginger Johnson, Baiana System, The Kingston Trio e o pavio de felicidade de Rodrigo Campos antes de Miriam Makeba cruzar a linha de chegada.

LINKS! LINKS ! E MAIS LINKS!

cidadão instigado, a minha imagem roubada:

o livro de artemidoro:

o trailer de este mundo é um hospício (arsenic and old lace)

shifting na rádio escafandro

todos os brasileiros do mundo

Mr.Rick James, bitch!

hugh masekela anticolonial, discaço de 1976 começa com uma homenagem ao Brasil e com Sivuca quebrando tudo junto.

e a playlist 109!