na corda bamba em joni boni.

É quase música do Premê: São Paulo, Jundiaí, Campinas, Piracicaba. Limeira, São Carlos, Araraquara, Matão. Pindorama, Catanduva, Rio Preto, Baddy Bassitt, Ruilândia e finalmente José Bonifácio, chamada carinhosamente pelos locais de Joni Boni. Joni, não Joe, nem Jimi, hey Joe, o que que tu tá fazendo com esta regência aí na mão. Sinto muito, cumpadi, mas é burrice pensar que esses caras é que são os donos da biografia. Na minha infância, José Bonifácio era uma espécie de todo poderoso em álbuns de figurinhas, livros de história, ospb, moral e cívica e outras matérias pagas obrigatórias bancadas pelo tião medonho governo da redentora…Também era o coadjuvante de luxo no filme do virudu, que eu vi com dona Cármina em sessão lotada no Cinema Guarani em Porto Alegre, com a platéia comemorando como gol de campeonato a cena em que as costeletas de Tarcísio Meira diziam ao povo que ele iria ficar, assim como o rei Roberto cantava, porque aqui, aqui é o meu lugar. Depois disto, nem tchuns e o Bonifácio sequer virou nome roots vila madalener como Lourenço, Gonçalo ou Sebastião e só ficou o Boni e o Bonifácio Jr. vulgo Boninho BBB, da tv do Jardim Botânico pra contar a história vista, revista, distorcida e ampliada no Brasil Paralelo. Sinto muito, cumpadi, mas é burrice pensar que esses caras é que são os donos da biografia. O articulador e patriarca da independência. O tutor regente de Dom Pedrito Segundo. Antes de ser político, Bonifácio foi advogado e naturalista, estudou em Portugal, depois na Suécia, na Alemanha, na França, identificou e batizou alguns minerais e trocou figurinhas com Lavoisier (na natureza nada se cria, tudo se transforma) e com muitos outros bambas das ciências. O liberal monarquista era defensor do fim do tráfico, da escravidão e, pasmem, do fim das sesmarias e dos grandes latifúndios. Só que diferente da Lei da Conservação das Massas de Lavoisier, no Brasil tudo que é sinhozinho malta se cria e nada nunca se transforma. Aqui nada se divide e tudo é massa pra bolo de fubá e farinha de rosca na toba e no kengo da mulambada. E o Bonifácio que era de Santos virou cidade no interior de São Paulo. Lá os meninos viram um sapo cururu muito grande e gordo, eu vi uma coruja no cemitério e uma plantação de piscinas gigantes. No mesmo cemitério vi uma foto homenageando um vetereno coveiro da cidade, o João Amadeu, que virou sala com nome e apelido na placa- Joaninho Farofa também conhecido como Joanin Coveiro. Em Bonifácio eu ouvi muitas rezas, o terço, cinco pais nossos, dez aves marias, muitas conversas de tios, tias, primos e histórias de pescarias nos rios Tietê, Paraná e Paraguai. Ouvi a história de Ângelo Angioni, padre italiano que chegou por lá em 1951, casou e batizou todo mundo (meus sogros, minha mulher, minhas cunhadas) e que está na marca do gol pra ser beatificado pelo Vaticano. Sete anos depois de sua morte, quando abriram o caixão para exumação, seu coração estava intacto e preservado. Virou foto na parede da igreja, o que faz muito sentido no país onde bateram os corações de Vicente Celestino, Teixeirinha e de Febrônio Índio do Brasil, o último, um notável devorador de corações.

Em Bonifácio vai ficar pra sempre a Dona Cida, mulher do seu Luís Carlos, mãe da Rita, da Miriam, da Bárbara e do Gabriel. Vó da Ana, da Gabriela, do Antonio, do Vicente e da Lua.

Logo que o Antonio nasceu, Dona Cida começou uma reza pra eu parar de fumar. Cinco anos depois, na pandemia, eu larguei o Marlboro, um fiel amigo por quase 40 anos. A tia Barbara não tá bebendo…Com a reza da Dona Cida não se pode brincar. Benção dona Cida, fique na paz e obrigado por tudo. Na Corda Bamba, edição nº140 com a playlist # 111, está na rede. Saravá!

os horripilantes livros de moral e cívica que não deixaram saudades.

se serviram pra alguma coisa, foi pra formar cabeças de bagre como os jesuses de goiabeiras e os acampados de porta de quartel.

os incríveis desenhos educativos de allan sieber

serão pendurados no banheiro de meus queridos filhos. é de pequeno que se ensina os guris à mijar fora da bacia.

a foto da capa desta edição é minha e mostra um piscinal bonifácio. quem quiser assinar na corda bamba, é só conferir os botões vermelhos lá de baixo. ou apoiar com qualquer valor na chave pix fabpmaciel@gmail.com

coloque uma das espetaculares colagens dos seres imaginários do antonio, do vicente e do fabiano na sua parede preferida. custa só 120 pilas com frete incluído para qualquer lugar do país. confira todas elas nos stories de @fabpmaciel

o troféu vtnc da semana:

milei gana el gran premio va tomar en el culo otorgado por la cuerda bamba

vai pra o cleptomaníaco liberal compulsivo pelotudo milei bem com la plata e con la concha de tu madre. no melhor estilo faço cagada mas a culpa nunca é minha, o presidente argentino fez uma lambança movida dicumforça na criptonita virtual e deu um calote khalil gebara na plaza de mayo. por aqui, batendo periquita e pagando pau geral pro tramposo, os economistas do mercado e os analistas financeiros da nossa imprensa que eu me espremo, tamparam o nariz, fingiram que não viram, sairam pra cagar e ficou por isto mesmo. mas a gente sabe, que assim como os coachs, econimista de mercado e analista financeiro de jornal, não é gente. é criptopicareta.

LINKS! LINKS! E MAIS LINKS!

independência ou meira!

já ouviram falar do crispim cabeça de cuia? e do veio do saco? do capelobo? então leiam! leiam ! bestiário brasileiro, do luiz antonio simas com ilustrações lindas mesmo da bárbara quintino.

na playlist # 111

#111 abrindo e fechando com Ibimeni, música tradicional da Guatemala. E ainda: gilberto gil, black cold bottles, the stranglers, the specials, nação zumbi, di melo, afonsinhos do condado, john belushi, mayer hawthorne, prosper & freakpower, punomo, joe strummer & mescaleros, lou reed, primal scream, la sonora mazurén, lula queiroga, marina mathey, flaira ferro e lenine, claudio agá, the gilbertos, the who, lô borges, courtney barret, jim morrison, moreno veloso e jussara silveira, horace andy, sandália de prata, luizgá, helena trabuco, manu maltez, edu krieger, pirombeira, john wesley dickson band, antônio adolfo, isaac hayes, lee morgan, lucas santanna, paulinho da viola, 13th ward social club, the sure fire soul ensemble, emma-jean thackray, scott fagen, bob dylan, new york dolls, pil, folk bitch trio, kosasa!

e a playlist # 111!

Uma resposta a “na corda bamba em joni boni.”

  1. Avatar de Fernando Moura
    Fernando Moura

    Viva Chiquinho de Moraes, meu maestro preferido, Carlos Imperial e Clovis Bornay meus vizinhos na Copacabana dos anos 60. Viva a Corda Bamba.

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