só os profetas enxergam o óbvio (rodrigues, nelson)
oh pretinha, fiquei amarrado na sua blusinha (pagodinho, zeca)
fala menos mané (de paula, miriam)
Amigo, qual é o filósofo que diz que todo mundo tem um sintoma? Na idade em que estou aparecem os tiques, as manias. Transparentes, como bijuterias na slopper da alma. Chegando perto dos sessenta carnavais, começando com dona Cármina me botando de Tarzan na SAPAT, a gloriosa sociedade dos amigos da praia de arroio teixeira, que naquela época tinha dunas, carros de boi, calçadas de grama e casas de madeira. Hoje tem condomínios, uma praia chamada Texas e eu nunca mais quero passar por lá. O bloco seguiu com meu pai me levando pro baile do Leopoldina Juvenil, um clube cheio de gente de bem, e naquela noite eu estava muito bem acompanhado, com um estoque de lança perfume universitário que o vizinho de Aceguá sempre trazia cheio no porta-malas, batam palmas, batam palmas para me felicitar, Bambas da Orgia campeão e a Restinga chegando junto, mas a Restinga era muito longe da minha vida de guri classe média morador da Duque de Caxias e lá por 2011 o Marcelo Birck me mostrou que o carnaval de Porto Alegre podia ser legal pra caramba, mas 2011 já foi, já era, hoje a cidade tem uma dupla de escafandristas no comando, uma dupla que vai pra Holanda pra descobrir que nem precisavam ter saído do Salgado Filho pra saber o que todo mundo já sabia e que os técnicos do Departamento de Águas já tinham avisado. Uma dupla de paga paus xexelentos, um totalmente venal, cheira rola de golpista e inimigo absoluto de tudo que as pessoas sensatas sempre lutaram: saúde, educação e transporte PÚBLICO. O outro, um chinelinho sapatênis, sensato tucaninho cucurucu paloma de bailinho de máscaras em Punta del Este, que jamais mandou a polícia bater em acampamento de golpista, mas que neste carnaval manda a polícia bater em quem ousa pular na rua. Na cidade sorriso só pode pular o carnaval quem estiver perto do bar do secretário de economia criativa. Lá tá liberado. Nos anos 30, o pernambucano Pedro Ernesto foi prefeito do Rio de Janeiro. Esperto, foi o primeiro a perceber que as escolas de samba poderiam se tornar uma atração na cidade e não pensou duas vezes: começou a bancar os desfiles. Em 2012, o carnaval de São Paulo era uma desolação de alguns antigos blocos e do desfile das escolas paulistas. Só ia pular quem era muito fissurado e a cidade ficava às moscas. Haddad apostou na folia. Em BH, até pouco tempo atrás, o carnaval era uma ilusão. Hoje a cidade enche de turistas e até o prefeito de lá, que não é flor que se cheire, sabe que onde tem folia e putaria, tem dinheiro, alegria e felicidade rolando. Dinheiro e folia é uma dobradinha 100% explode coração na maior felicidade. Esta é uma corda momesca, cheia de remelexos e baticuns de todos os tipos e de muitos lugares diferentes, uma corda pra quem quer pular, uma corda pra quem quer fugir da folia, pra quem quer ficar em casa cozinhando, trepando, vendo tv sem som ou comemorando o oscar do seu Walter Jr. Uma corda que começa com a gaiataria do trio manauara D’água Negra, parece que o filósofo dos sintomas é o Heiddeger, xxsxrsss, rrrsssxx mensagem da rádio de Moscou, é carnaval na Praça Vermelha, Putin manda avisar que eu eu eu, a Europa se fudeu, a katiucha da vizinha tá presa na gaiola dos BRICS e só a imprensa brasileira não viu. Então bota a máscara de Huck e a bandeirinha da Ucrânia no peito e vai sambar na multidinha cheirosinha de Guarujá sur mer, sambem com o astro do cinema russo Mark Bernes e o resto é crack da bolsa. Vai de corpo quente com a D’água Negra novamente, vai na fé que de dia não tem lua e de noite há luar, e o Márcio Pinheiro me corrigiu, dizendo que o Risério, (quando o Risério ainda valia) escreveu de noite aluá e que o Moraes Moreira nunca cantava o erre no final de E Assim Pintou Moçambique, nesse tique, nesse taque, nesse toque, nesse pique, tudo é beleza, tudo é o esplendor da maravilha no apogeu da apoteose, Avan Samba, mais uma vez a Mangueira vai sair e o Guilherme Vasconcelos deve estar doente, pois ainda não me ligou (como faz desde 1987) pra me perguntar se eu vi a Mangueira entrar na avenida. Tum Tum Tum, Devo Peek-a-Boo, La BrassBanda que é Berlim na Batucada, George Clinton, que é balanço em qualquer lugar e Nina Maia, pra dar uma pausa e tomar uma água meia lua inteira. De leve, de leve, Henri Texier, de leve, Wilson das Neves chama Bebete pra ir embora, vamos nesta com The Clash, Pinduca, Kokoko, Fat Boy Slim e o fodaralhaço disco novo de BNegão, o sósia, groove e conflito social, tudo junto, música pra balançar e pra pensar e adelante con Bacao Rhythm & Steel Band, com el Rey Roberto Carlitos en ritmo de carnavalito, la venganza…Avante com Mangolab, com DJ Dolores e Ylana, Dolores manda o link e a corda replica, da web série O Enigma do Frevo, choque de monstro total e o link está nos links, links e mais links. O barco segue com Palavra Cantada o carnaval sem palavras, com o repeteco cheio de balanço de Wilson das Neves, o carnaval de azeite balcânico do Goran Bregovic, o carnaval paulista que sacode baixos augustas e adjacências com a Espetacular Charanga do França, o som é bom e não me levem à mal, um carnaval cheio de aguerridos foliões combatentes e incapazes de dar umas bifas num muquirana que deu uma mochilada em um cadeirante…se a revolução depender destes foliões, estamos feitos. Bate o tambor e bate a mão na cara de quem merece levar uma biaba. Eu bato é palma pra alucinante despedida homenagem que Ataulfo Alves e suas Pastoras renderam ao não menos alucinante Zé da Zilda, campeão do carnaval…Eu achava que sabia tudo e que os outros não sabiam nada, eu achava ser o rei do mundo, meu amigo Flu manda seu samba torto, ele estava errado, e eu também, sempre tem uma mulher pra nos colocar no lugar, e se calhar dela ser capricorniana, fudeu. E cantamos pra subida de Roberta Flack, que a esta hora já deve estar levando um balaco com Donny Hathaway, back together, rufa esse tambor pra nagô, manda Dona Onete na linha dos encantados, água doce me leva e na curva aparece Donga, isto é bom, isto é bom que dói shhhh interferências intergaláticas, Afrika Bambaataa na área, seguido por DJ Jazzy Jeff & The Fresh Prince, Poncho Sanchez, Joelias e de vez em quando precisamos da mais banal e óbvia baba pop, baba que o Big Audio Dynamite sempre sabe fazer sem ficar com cara de baba, baba cheia de amor que Carlos Méndez deve ter encontrado no Leblon, Carlos não deve ter encontrado seu xará Manuel Carlitos, mas deve ter se dado bem, tanto que rendeu canção em parceria com Kevin Johansen que em breve vai cantar por aqui. Dia destes, filme argentino na netflix, uma divorciada resmungando que o ex-marido, um tremendo desanimado estava como um javali feroz com a nova pareja, e ainda por cima, usando a bermuda que ela tinha comprado pra ele em Florianópolis. Argentino esperto deveria chegar na fronteira e pegar um táxi lunar direto pro Rio ou pra Salvador. Hermanos, pulem o Rio Grande, fujam de Santa Catarina e evitem dicumforça o Paraná. 50 anos de boludos em Santa Catarina resultou em Milei presidente. Milei que acabou de ganhar um bola gato totoso de boca cheia de um cidadão de bem chamado Manuel Enríquez Garcia, que vem a ser o presidente da Ordem dos Economistas do Brasil. A Ordem dos Economistas do Brasil está para a economia assim como os Conselhos de Medicina estão para a Saúde Pública. A OEB é a cloroquina ruminante da categoria. Não importa que Milei tenha levado o país à ruína em poucos meses. Não importa que ele seja um picareta à serviço do capital. Pra OEB, economista bom é aquele que gera lucro pro sistema financeiro e recessão pro povão. Antes de consultar um economista, pergunte se ele é filiado à OEB. Se for, fuja. Economista recessivo, assim como coach, não é gente. E gente precisa de grana pra pagar as contas. Ontem meu amigo Allan Sieber me escreveu: hey, mr.playlisto, tem um dinheiro aí? Allan Sieber segue com sua campanha por assinantes do seu Diário, o melhor remédio para você se sentir um cidadão realizado, um antídoto para qualquer otimista de instagram. Allan Sieber, ao contrário do presidente da OEB, é gente. Enfim, pibes de baixo pib, pulem a fronteira e aterrisem em Salvador, lá tem folia, tem Russo Passapusso e lá o governador mulato, apesar de ser do PT, também manda a polícia baixar o sarrafo nos pretos! Ainda não vi Anielle, Lula, Janja se manifestar sobre o assunto, ainda não vi ninguém do partido dar uma enquadrada no cabra. Enquadra aí Gleisi! Arrasta a sandalha aí lourinha, arrasta a sandália aí, morena, que os Sambistas do Asfalto e seu Astor Silva estão na área. Evoé com Banda Ionica, Pedro Santos, Roberta Flack no bis, Dr. John, Willie Bobo e mais uma pausa pra começar um lesco lesco com Naná Vasconcellos, Tony and Reality, Raw Soul Express e o delicioso r&b de Yumi Matsutoya. Bonde do Japão pra Nova Jersey com Parliament, despues México gostoso com Tepache e depois para Cotonou, com a Orchestre Poly-Rythmo, zigue zague pro rio com o Jongo da Serrinha, Estação Primeira da Mangueira, pra Belém novamente, com Fafá de Belém, baixa pro rio com Marcelo D2, Zeca Pagodinho, Aracy de Almeida, Baticun & Fun Horns e a corda segue nos seus 200 metros finais, cabeça com cabeça com Pinduca chamando Xangô, Douglas Germano chamando Ori, Milton Nascimento e Marlui Miranda chamando Villa, Joan Baez chamando a guerrilha e Dr.John chamando Angola. A corda cruza a linha de chegada com Moraes Moreia, Olodum e D’água Negra. Segurem a onda que ainda tem a terça e a quarta-feira de cinzas. E vale lembrar: Na Corda Bamba não paga pau pra folha, não frequenta o carnauol nem com um revolver apontado pro pescoço e tá sempre precisando de um qualquer. A corda tá sempre no vermelho, no pindura, no negativo, no zero à esquerda da vida. O mês nunca fecha e se falta dia, falta saldo, se falta hora, falta soldo, falta féria, falta rancho. Marcha rancho. Portanto foliões do meu Brasil: Apoiem este blog carnavalesco destrambelhado, qualquer 1 real tá valendo, com qualquer dois mil reis eu ponho em cima uma sandália de responsa! Pode ser nos botões vermelhos lá de baixo ou na chave pix fabpmaciel@gmail.com Saravá!
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