O pequeno Fabiano Maciel devia ter uns nove anos e estudava no Sevigné, um colégio particular de freiras que ocupava um quarteirão inteiro da Duque de Caixas, a rua onde eu morava e onde hoje mora, ainda bem que provisóriamente, o cuzão do governador do estado do Rio Grande do Sul. Um dia a mãe do pequeno Fabiano Maciel ficou sabendo que ele tinha afanado um pacote de Pastelina (o salgadinho preferido de 10 entre 10 crianças gaúchas) da cantina do colégio. Dona Cármina não pensou duas vezes: na manhã seguinte fez o pequeno meliante entrar na escola (puxado pelas orelhas), devolver o pacote, pedir desculpas e jurar nunca mais roubar nada. O diabo é que a freira mais legal do colégio era justamente a irmã Terezinha, a responsável pela cantina. Ela era tão legal, tão essencialmente freira e católica, que me absolveu imediatamente. E com um belo de um sorriso no rosto. Confesso que na hora não senti vergonha pela pastelina afanada. Minha vergonha era por ter pecado exatamente com a irmã Terezinha. Se fosse com a irmã Zita ou com a irmã Leônidas, não teria ficado envergonhado. Talvez nem pedisse perdão internamente, pois elas eram figuras de autoridade, e figuras de autoridade e os fariseus do templo eram, na minha cabeça de 9 anos, a mesma coisa. Na minha cabeça de 60 ainda são, mas os filtros melhoraram. Dona Cármina, de olho no lance, não se convenceu do meu arrependimento e por via das dúvidas, triplicou a vigilância. A minha carreira de pequeno patife não durou muito tempo, ela seguiu sazonalmente até eu sair de casa com 18 anos. Na Feira do Livro o campeonato era de quem levava mais volumes das barracas…Livro é cultura, disco é cultura…Não matarás, não roubarás. Ser um adolescente filho da dona Cármina não foi exatamente fácil, mas hoje, olhando pra trás, eu percebo que ser mãe do insuportável Fabiano deve ter sido muito mais barra pesada. Por sorte, eu tive Dona Cármina. Por sorte tive vó Maria, vó Jandira, tia Tida, tia Dudu. Por sorte tive a Kuky e a mãe Mimi. E por sorte, os meus filhos tem uma mãe! Porque se dependesse só de mim, fodeu! É fato que mãe todo mundo tem, até os canalhas, os psicopatas, os genocidas (mama tramp, mama bibinyahu, mama bolso). Também é fato que mães podem super proteger e mimar seus rebentos. Mas 99% das vezes, as mães estão certas. Portanto, feliz dia das mães! Na Corda Bamba edição 199 tá na rede e a playlist # 175 tá tão emocionante quanto um diploma de dia das mães. Na foto da capa, dona Cármina, também conhecida como minha mãe, num instantâneo colegial, muito antes de ser minha mãe. Saravá! E antes de mais nada, super obrigado à andrea fenzl, paulo tadeu lott, alessandro gamo, andrea fenzl, joão roni e guilherme kato por ajudarem esta corda balançar.
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na corda bamba vai virar revista digital e podcast!
e ela vem com a ajuda de um time de bambas!
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joel pinheiro é o vencedor do prêmio cara de cu sem pestana da semana!
nada supera o viralatismo do jornalismo globonewstíco. todos pisando em ovos, engolindo o chá de picaminha da verdade absoluta. a cara de cu sem pestana é de todos no cenário. mas nada é mais chinelo que o banana de pijama do joel pinheiro desdenhando lula.
mal-estar e civilização: insatisfeita com o corte, mulher dá facada em cabelereiro:
o rock’roll brasileiro é matriarcal. e se ele teve um pai, ele se foi nesta semana.

links! links! e mais links!
não li, portanto aviso logo que mando o pôncio:

assassinatos no fim do mundo:
A trama a gente já viu em outros onze mil e quinhentos filmes/séries de suspense. Mistura serial killer com o teatrinho trol da Agatha Christie. Qual apóstolo traiu? Quem matou quem? Judas, foi tu, seu safado? Alice Braga foi tu? Clive Owen, seu bastardo, foi você? Joan Cheng, foi tu? Considerando que a imensa maioria das séries andam uma chatice sem fim, esta tem algumas mariolas que servem pra encarar a madrugada de insônia. A grande sacada dos realizadores foi aproveitar o zeitgeist -de vez em quando rola de usar esta palavra por aqui- destes tempos esquizofrênicos e criar uma dupla de heróis capaz de agradar na veia esta geração que confunde silêncio com apatia, simpatia com cara de bunda e que adora encerrar uma frase ronronando as letras finais das palavras: uma heroína nerd meio rádio meio televisão, meio gênia, meio assexuada, meio mulher, meio guri, meio linda, meio destrambelhada, meio tudo isto porém inteligente e corajosa pra caralho. Um galã com franjinha e mullets (slade alive?), anti macho-alfa, sensível e naturalmente desconstruído. Engajado (ficou famoso por tirar o h dos postos shell) e desiludido com o mundo virtual. No lado de lá, a musa da dupla de heróis, a hacker que sumiu e casou com um multimilionário apocalíptico (um elon musk com bons modos, mas ainda assim, um vilão típico da escolinha do professor james bond) que na crença de que o mundo vai pras picas, resolveu levar uma turma de cabeções para um bunker na Islândia, provavelmente no mesmo lugar que o Trump quer meter a mão…E aí rolam conversas e citações espertinhas sobre a revolução cultural chinesa, a IA no cinema, o ativismo ambiental e o uber-capitalismo das redes. Tem espaço pra uma personagem iraniana, a ativista roots xamânica, aquela que invoca os zoroastros e os espíritos na fogueira estrelada e coração quentinho da aurora boreal. No gelo ou no deserto, nossos heróis pensam na vida: ele diz que acha que o mundo virtual está destruindo a humanidade. Ela diz que se apaixonou por ele quando viu a foto no iphone. Como conheci minha mulher no facebook, fico com a moça.
já rolou por aqui, mas dane-se. é absurdamente lindo:
na playlist # 175

o dia é das mães mas a playlist # 175 de na corda bamba começa homenageando um cabra – e eu vou ter que fazer este trocadilho infame – porque o cabra foi um dos pais do rock´n roll brasileiro, luiz carlini, nem sei quantas mil vezes ouvi seus solos de guitarra nos primeiros discos de rita lee. carlini tocava muito, e isto só não basta, muitos guitarristas tocam muito. carlini não era um virtuoso exibicionista. seus solos eram lindos, de uma lindeza que poucos sabem-souberam fazer. então macacada, podem chorar, porque ovelha negra não é só a canção mais linda da rita lee, ela é tudo isto também porque teve o solo fodaralhaço de luiz carlini. e depois de enxugar as lágrimas, o lance é seguir adiante com um pelotão de homenagens (e queixas e reclamações) de muitos filhos & filhas gratos e ingratos, gratas e ingratas e ainda os ingratis. Fiquem com Carmen Miranda, Tim Maia, Gal Costa, Erasmo Carlos, Jan Bradley, Scissor Sisters, Jimmy Castor, The Heptones, Nina Simone, Warren Lee, Shinehead, Junior, The Rolling Stones, B.B.King, Mateus Aleluia, Elza Soares, Emicida, Angela Maria, Agepê, Lenny Kravitz,

e a playlist # 175:

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