• na corda bamba 184 e o domingo se desintegrando na era de aquário

    “Meu pai tentou matar minha mãe num domingo de junho, no começo da tarde.“ Assim começa Vergonha, livro de Annie Ernaux que eu peguei na Biblioteca Viriato Corrêa, aproveitando a semana do perdão das bibliotecas municipais de São Paulo. Devolva sem multa os que estão em casa e leve outros. Se não leu, azar é…


  • na corda bamba 183 conversa com jessé souza sobre  imperialismo, jornalismo e outras cafonices

    Foi pelas redes que conheci o trabalho de Jessé Souza. Gosto dos títulos de seus livros, bombásticos, na mesma escola do historiador Hélio Silva e muito longe dos idiotas da objetividade: A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite, A Elite do Atraso: Da Escravidão à Lava Jato, A…


  • na corda bamba 177 e a destruição da arquitetura

    Semana passada teve exibição do Quando o Brasil era Moderno em Porto Alegre, como parte da programação do XVI Docomomo Brasil – O Futuro do Passado: arquitetura moderna viva e urbana. Para quem não sabe, DoCoMoMo é uma organização internacional fundada na Holanda com “a missão de documentar e preservar obras e lugares construídos e…


  • na corda bamba 172 na bossa, na fossa mas sem aquela grande dor. uma entrevista com tárik de souza, um jornalista que nunca desafina.

    Em 1970 a Editora Abril colocou nas bancas uma coleção chamada História da Música Popular Brasileira. Eram discos menores que um lp e maiores que um compacto -10 polegadas- que vinham acompanhados por um livro de 12 páginas com textos dos principais críticos e pesquisadores musicais do país. Na primeira edição da série, as capas…


  • na corda bamba vai pra rua contra a pec da pica rolentrando + uma playlist catástrofe porque a situation é catastrófiquis

    Amanhã todo mundo na rua protestando contra a Pec Pica no Cu de Todes menos no dos Congressistes. O Aristides e o Aristoddys vão. O Ariovaldo, a Ariovalda e o Ariovaldes vão também. Já tem terno, gravata e tailleur arrependido pedindo desculpa e dizendo pô aí, foi mal, fiz caquinha, me perdoa? Não mané. Anistia…


  • na corda bamba careca de alegria, botando os palhaços pra correr, filosofando em português e uma playlist arrasadora

    Se você tem uma ideia incrível, é melhor fazer uma cançãoEstá provado que só é possível filosofar em alemão (Veloso, Caetano) O disco Velô chegou nas lojas em janeiro de 1984. O presidente do Brasil era Figueiredo. Na transição lenta e gradual, o general só iria entregar a rapadura ao partido vencedor do colégio eleitoral-o…


  • na corda bamba 165 em vodka? vodko!

    Em 2013 fiz um documentário chamado Galáxias, sobre pessoas pobres que criaram bibliotecas em diversas comunidades do Brasil. O filme foi mal divulgado, mal compreendido e pouco visto. Parte da culpa é minha, já que o projeto era meu e fui o diretor e roteirista. As boas intenções não comoveram críticos e nem curadores de…


  • na corda bamba 164 entrevista márcio pinheiro um jornalista bagual e cordial

    Conheci Márcio Pinheiro na adolescência, apresentado pelo meu primo Marcelo. Era uma conexão musical e uma desconexão futebolística, pois assim como o meu primo, o Márcio sempre foi um colorado doente, doença esta, no caso dele, hereditária e cartolária, uma palavra que não existe mas que se aplica. Depois nos encontramos rapidamente no Rio, ele…


  • na corda bamba 160 e as pequenas criaturas cheias de schadenfreude

    Schadenfreude nem sai de cima é uma palavra alemã. Alemão gosta de juntar palavras e formar um conceito. Schaden: dano, prejuízo + Freude: prazer = aquele contentamento, aquela satisfação de sentir prazer diante da desgraça alheia. Quando Beatriz fez 15 anos, ganhou de seu avô, um graduado cartola do Corinthians, uma viagem para Londres, onde…


  • na corda bamba 158 em: a burguesia fede mas tem dinheiro pra comprar perfume.

    O buraco Lito estava em casa, deitado no sofá com o controle remoto na mão. As imagens mudavam em segundos e nem dava tempo dele se ver na tela da TV, onde apareceu rodando no centro de um tornado, depois em um vagão desgovernado do metrô, pulando numa quadrilha de São João, jogando pingue-pongue, fugindo…